Conflito no Oriente Médio movimenta mercados: relembre o que aconteceu em fevereiro

Na segunda edição do International Markets de 2026, Márcio Brito, Head Investor do Itaú International, revisita os principais assuntos de fevereiro e discute o que acompanhar em março

Por Itaú Private Bank

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O mês de fevereiro foi marcado por um constante fluxo de notícias envolvendo geopolítica, tecnologia e política comercial. No cenário internacional, o conflito no Oriente Médio entre Irã, Estados Unidos e Israel provocou uma forte alta do petróleo após o fechamento do Estreito de Ormuz, localização estratégica para o tráfego da commodity pelo globo. No dia 9 de março, o barril do Brent chegou a subir mais de 30% – maior variação diária desde 1988.

Ainda assim, os principais índices acionários, como o S&P 500, continuaram próximos de suas máximas históricas, mesmo que setores e empresas específicas tenham passado por maior volatilidade.

Conflito no Oriente Médio volta a ganhar destaque

A escalada das tensões no Oriente Médio levou o preço do petróleo a ultrapassar US$100 por barril, fato que foi amplamente reportado no noticiário econômico internacional. Mas, do ponto de vista macroeconômico, o volume de manchetes é menos relevante do que o comportamento do preço do petróleo e a duração de eventuais choques.

“Um petróleo a US$110 por poucas semanas costuma ter impacto limitado, enquanto preços mais moderados, porém sustentados por vários meses, podem gerar efeitos macroeconômicos mais relevantes”, diz Brito.

De acordo com o especialista, é fundamental distinguir entre dois tipos de choques:

  • Um choque de destruição física à infraestrutura de petróleo (oleodutos e refinarias, por exemplo) reduz a capacidade produtiva global e tende a gerar impactos mais persistentes, com efeitos inflacionários mais fortes e potenciais impactos negativos sobre o crescimento.
  • Já um choque logístico (como navios evitando determinadas rotas, aumento do custo de seguros ou restrições temporárias no Estreito de Ormuz) tende a ser temporário, podendo ser revertido com cessar-fogo ou acordos diplomáticos.

O consenso atual é de que o choque observado até aqui é majoritariamente logístico.

É por isso que, apesar do aumento do preço do petróleo, os mercados de risco seguem relativamente resilientes.

Inteligência artificial segue em pauta

Outro assunto recorrente em fevereiro foi inteligência artificial e o ciclo de investimentos associado a esse setor. As expectativas de gastos em infraestrutura, chips e data centers continuam elevadas, sustentando o capex de grandes companhias do segmento.

Porém, o mercado tem colocado em xeque o ritmo e o retorno desses investimentos ao longo do tempo. “Essa maior seletividade ajudou a aumentar a dispersão de performance dentro do setor, especialmente entre empresas mais intensivas em capital e aquelas com maior captura direta de receita”, afirma Brito.

Quem também sentiu a volatilidade ocasionada por esse movimento foi a indústria de software, já que parte dos investidores passou a reavaliar a sustentabilidade de modelos tradicionais diante do avanço da inteligência artificial.

O que acompanhar em março?

Os investidores devem permanecer atentos aos dados econômicos, especialmente aos sinais do mercado de trabalho e à trajetória dos juros nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, os desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio continuarão sendo um fator importante para os mercados globais. O tom é de cautela.