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Copom mantém a Selic, enquanto Fed muda orientação futura

A semana foi marcada pelas decisões de política monetária do Brasil, Estados Unidos e Inglaterra

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Itaú Private Bank

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Crédito: Getty Images/Itaú Private Bank

A turbulência no setor bancário global movimentou a semana dos investidores globais. As autoridades americanas garantiram que os clientes podem sacar seus recursos e anunciaram um programa de empréstimo de emergência, mas o Federal Reserve deve seguir mais cauteloso em suas próximas decisões de política monetária.

Houve ainda a forte queda das ações do Credit Suisse, algo que afetou também os papéis de outros bancos europeus. Posteriormente, o banco suíço anunciou medidas que acalmaram as preocupações e sinalizaram que o contágio para o setor como um todo pode ser mitigado.

Confira, abaixo, mais detalhes dos fatores que impactaram os mercados nos últimos dias.

IPCA-15 sobe 0,69% em março, perto das expectativas

O IPCA-15 subiu 0,69% em março, perto das expectativas e abaixo do resultado de fevereiro. Nos últimos 12 meses, o índice desacelerou de 5,63% para 5,36%. O resultado corrobora o cenário de desinflação e mostra uma composição mais favorável. Nas próximas leituras, devemos observar recuo no acumulado em 12 meses, influenciado pelo efeito base dos cortes de impostos. A inflação volta a acelerar a partir do terceiro trimestre do ano, e deve encerrar 2023 com alta de 6,1% e 4,2% em 2024.

Copom: mantendo o curso

O Copom manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano, em linha com as expectativas, e não trouxe nenhuma indicação de que está disposto a reduzir a Selic antes do esperado. O comunicado mostra basicamente o aumento dos riscos para a inflação e para a atividade, decorrente de episódios recentes no sistema financeiro. Saberemos mais sobre a decisão na ata divulgada na próxima terça-feira. Por enquanto, esperamos que o Selic caia para 12,5% até o final do ano, a partir do quarto trimestre.

Fed mantém ritmo e eleva juros em 25 pontos-base

O Federal Reserve elevou os juros dos EUA em 25 pontos-base, mantendo o ritmo de alta de janeiro. Com isso, a taxa passou para um intervalo de 4,75% a 5% ao ano, em linha com as expectativas do mercado. O comitê destacou que a falência de bancos deve resultar em condições de crédito mais apertadas e permanece atento aos riscos. Além disso, as autoridades deixaram de citar “aumentos contínuos” e passaram a falar que “algum aperto monetário adicional” ainda pode ser necessário.

Fed revisa projeções econômicas

O Fed também divulgou suas projeções atualizadas para os principais indicadores econômicos. De maneira geral, houve elevação da projeção para a inflação de 2023, que deve voltar a se aproximar do patamar de 2% apenas em 2025. A projeção para as taxas de juros para 2024 também está maior, indicando que as autoridades devem demorar mais para cortar os juros. O Fed segue projetando juros de longo prazo próximos de 2,5%.

BC britânico eleva juros e não descarta novas altas

O Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) elevou sua taxa de juros em 25 pontos-base, para 4,25%, em linha com as expectativas, e afirmou que mais altas podem ser necessárias se houver evidências de uma pressão inflacionária persistente. A autoridade informou que está atenta aos movimentos de volatilidade do mercado e destacou que o sistema bancário do país é resiliente, com forte liquidez para resistir a um período de taxa de juros mais elevada.

Indicador de atividade sobe na zona do euro e nos EUA

O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro, que engloba os setores industrial e de serviços, subiu em março para 54,1, superando as expectativas, puxado pelo resultado de serviços. Nos EUA, o PMI composto subiu em março para 53,3, influenciado positivamente pelo setor industrial e de serviços, surpreendendo as projeções de queda do mercado.

UBS acerta compra do Credit Suisse

Após a alta volatilidade vista na semana anterior, com as ações do Credit Suisse atingindo a mínima histórica, o grupo UBS, maior banco da Suíça, acertou a aquisição do concorrente ontem, por cerca de 3,3 bilhões de dólares. O acordo foi moderado por reguladores suíços para garantir a estabilidade financeira e a economia do país e inclui uma assistência de liquidez por parte do Banco Nacional da Suíça.

Incertezas em relação a bancos europeus continuam

A saúde do setor bancário segue em foco no mercado financeiro global. Dessa vez, a forte queda das ações do Deutsche Bank desperta atenção e derruba outros bancos europeus. Os papéis já perderam mais de um quinto do seu valor neste mês, após os contratos de Credit Default Swap (CDS), uma espécie de seguro para os detentores de títulos de dívida da instituição, atingirem sua máxima em quatro anos.