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Copom mantém Selic em 13,75%

No Radar do Mercado: o Comitê de Política Monetária do Banco Central manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano e sinalizou estabilidade à frente

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Itaú Estratégia de Investimentos

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Crédito: Getty Images

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano, conforme amplamente esperado pelo mercado.

O comunicado destaca que o ambiente externo continua adverso e que apesar das incertezas após a turbulência no setor bancário, o contágio sobre as condições financeiras é limitado. Enfatiza também que os bancos centrais continuam determinados em trazer a inflação de volta para a meta.

No ambiente local, reforça que os dados apontam uma desaceleração da economia, ainda que o mercado de trabalho mostre resiliência. Além disso, traz pela primeira vez uma projeção de inflação ligeiramente abaixo da meta até o final de 2024 em cenário em que a taxa Selic é mantida constante por um longo período.

Entre as incertezas para seus cenários, o comitê traz o arcabouço fiscal, que ainda precisa ser aprovado, e enfatiza que não há relação mecânica entre a convergência de inflação e sua aprovação no Congresso.

Por fim, o comunicado indica que a situação demanda paciência e serenidade e que, embora estejam prontos para subir os juros caso necessário, esse risco se tornou menos provável. Esperamos o começo de um ciclo cauteloso de corte de juros em outubro, levando a Selic para 12,5% até o final do ano. Saberemos mais sobre a decisão de hoje na divulgação da ata da reunião na próxima terça-feira.

Mercados

Mais uma vez, o Banco Central não trouxe sinais de que a queda de juros no Brasil está próxima, frustrando expectativas mais otimistas. Com isto, as taxas para vencimentos curtos devem manter-se relativamente estáveis na abertura dos negócios amanhã, com viés para pequenas altas.

Por outro lado, as taxas de prazos mais longos têm espaço para continuar a apresentar comportamento mais favorável, uma vez que a demonstração de que o BC segue firme no seu compromisso de reduzir a inflação ao longo do tempo é uma boa notícia. A conduta permitirá que, no momento apropriado, a Selic possa ser reduzida de forma mais consistente e em intensidade mais acentuada na comparação com o cenário em que o corte ocorre prematuramente.

Neste contexto, alocar em ativos pós-fixados deve continuar a gerar bons retornos com baixo risco neste ano. Investidores moderados e arrojados podem continuar a incrementar alocações em renda fixa também em juro real, preferencialmente em títulos com vencimento acima de cinco anos, que apesar de já terem apresentado redução de taxas nas últimas semanas, continuam em patamar atrativo e com o diferencial de proporcionarem proteção contra inflação.

Os ativos prefixados também são uma boa opção de investimento, porém, podem apresentar comportamento mais volátil num eventual cenário mais adverso. Além disso, a decisão de hoje reforça a possibilidade de valorização do Real nos próximos meses.

Para a bolsa, vemos a decisão do Copom como neutra e não antecipamos impacto relevante nos preços das ações. Se, por um lado, a manutenção da taxa de juros deve continuar a pressionar as empresas mais alavancadas, por outro, a determinação em ancorar as expectativas de inflação é um fator positivo para as ações, pois tende a diminuir as incertezas mais à frente.

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