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Copom: mantendo o curso

No Radar do Mercado: o Comitê de Política Monetária do Banco Central manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano e não trouxe indicação de que estaria disposto a reduzir a Selic antes do esperado

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Itaú Estratégia de Investimentos

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Crédito: Getty Images

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano, em linha com as expectativas do mercado. Além disso, não trouxe nenhuma indicação clara de disposição a reduzir a Selic antes do esperado.

O comunicado mostra basicamente o aumento dos riscos para a inflação e para a atividade, decorrente de episódios recentes no sistema financeiro.

Entre os riscos de alta, incluiu a maior persistência de pressões inflacionárias globais, a incerteza sobre o arcabouço fiscal e seus impactos sobre a trajetória da dívida pública, além de uma desancoragem maior ou mais duradora das expectativas de inflação para prazos mais longos. Já entre os riscos de baixa, destacou uma eventual desaceleração mais acentuada da economia global, além das condições adversas no sistema financeiro global e uma desaceleração mais intensa na concessão doméstica de crédito.

Segundo a autoridade monetária, a conjuntura, marcada por alta volatilidade nos mercados e expectativas de inflação desancoradas em relação às metas em horizontes mais longos, demanda atenção.

Saberemos mais detalhes sobre a decisão do Copom na divulgação da ata da reunião na próxima terça-feira, 28 de março. Por enquanto, esperamos que o Copom reduza as taxas para 12,5% a.a. até o final do ano, a partir do quarto trimestre.

Mercados

Ainda não foi desta vez que o Banco Central trouxe sinais de que a queda de juros no Brasil está próxima. Considerando que a trajetória da Selic precificada no mercado futuro de taxas de juros embutia no fechamento de hoje a perspectiva de cortes já neste segundo trimestre, a decisão do BC deverá provocar uma postergação dos cortes. Com isso, as taxas negociadas para prazos mais curtos devem sofrer elevação na abertura dos negócios amanhã.

Por outro lado, as taxas de prazos mais longos deverão apresentar comportamento mais favorável, uma vez que a demonstração de que o Banco Central segue firme no seu compromisso de reduzir a inflação ao longo do tempo é uma boa notícia. Esta conduta permitirá que, no momento apropriado, a Selic possa ser reduzida de forma mais consistente. O movimento de alta mais intensa nas taxas curtas e estabilidade nos prazos mais longos é o que chamamos no mercado de “bear flattening”.

Neste contexto, alocar em ativos pós-fixados deve continuar a gerar bons retornos com baixo risco neste ano. Investidores moderados e arrojados podem continuar a incrementar alocações em renda fixa também em juro real, preferencialmente em títulos com vencimento acima de cinco anos. Já em relação ao prefixado, recomendamos um pouco mais de cautela, uma vez que ainda que o juro médio para os próximos anos esteja elevado, pode ser mais interessante aguardar uma maior proximidade do início da queda da Selic para aumentar risco nesta classe de ativo.

É importante destacar ainda que a decisão de hoje tende a refletir positivamente sobre o Real, que com a mensagem de juros elevados por tempo ainda prolongado reforça a possibilidade de valorização nos próximos meses.

No mercado de ações, por um lado, a estratégia do Banco Central pode pressionar empresas com necessidades de financiamento de curto prazo. Por outro, sua determinação em ancorar as expectativas de inflação ao redor das metas é um fator positivo para as ações. Vemos, portanto, esta decisão de hoje como neutra para a Bolsa.

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