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Economia e mercados: 7 notícias que movimentaram a semana

As decisões dos bancos centrais sobre os juros ficaram no centro das atenções dos investidores.

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Crédito: Reprodução/Itaú Private Bank

Produção industrial cresce 0,3% em março

O IBGE divulgou nesta semana a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) de março, que apontou um crescimento de 0,3% frente a fevereiro, quando houve alta de 0,7%. O resultado veio ligeiramente acima das expectativas do mercado, que esperava uma alta de 0,2%.

Em relação ao mês de março de 2021, houve um recuo de 2,1%, a oitava taxa negativa consecutiva nessa comparação. No acumulado do ano, a indústria recuou 4,5%. No acumulado em 12 meses, os dados indicam uma alta de 1,8%, mas a intensidade desse crescimento tem diminuído desde agosto de 2021.

Houve alta em três das quatro grandes categorias econômicas. Entre elas, bens de capital (8%) e bens de consumo duráveis (2,5%) tiveram as taxas positivas mais acentuadas no mês, intensificando os avanços de fevereiro, quando avançaram 2,5% e 1,4%, respectivamente. A produção de bens de capital está 16% acima dos níveis pré-Covid, impulsionada pelos altos preços das commodities. O segmento de bens de consumo semi e não-duráveis (-3,3%) teve a única taxa negativa e interrompeu os três meses consecutivos de avanço.

Em relação às atividades, houve alta em 14 das 26 pesquisadas. Entre as influências positivas, as principais são veículos automotores, reboques e carrocerias (6,9%), outros produtos químicos (7,8%), bebidas (6,4%) e máquinas e equipamentos (4,9%).  Por outro lado, o maior impacto negativo veio da produção de alimentícios (-1,7%).

Copom eleva a taxa Selic para 12,75% ao ano

Conforme esperado pelo mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic em 100 pontos-base para 12,75% ao ano. É o décimo aumento consecutivo na taxa básica de juros.

No comunicado, o comitê destacou que o ambiente externo seguiu se deteriorando. As pressões inflacionárias se intensificaram com a nova onda de Covid-19 na China e a guerra na Ucrânia. No Brasil, a atividade econômica cresce em ritmo esperado, mas a inflação segue surpreendendo negativamente.

O Copom considerou que o ciclo de aperto deve se estender, mas com aumento de menor magnitude. Comentou também que o ciclo de ajuste está avançado e há impactos ainda a serem observados sobre a economia, fatores que demandariam uma cautela adicional.

A leitura do comunicado indica que a decisão de parar ou estender o ciclo daqui para frente será tomada a cada reunião, a depender do comportamento das projeções/expectativas de inflação para 2023, que é agora o horizonte relevante da política monetária.

Aguardaremos a divulgação da ata do encontro, que acontece na próxima semana, para ter mais detalhes do racional das autoridades.

Federal Reserve sobe taxa de juros novamente

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve aumentou a taxa de juros dos Estados Unidos em 50 pontos-base, passando para um intervalo de 0,75% a 1,00% ao ano.

Segundo o documento, a inflação continua elevada, como reflexo dos desequilíbrios de oferta e demanda relacionados à pandemia e preços mais altos de energia. Os efeitos da guerra sobre a economia americana seguem incertos, mas tendem a pressionar a inflação para cima, enquanto os lockdowns promovidos na China devem exacerbar as interrupções nas cadeias de suprimentos. Assim,  o comitê defendeu continuar aumentando a taxa de juros nos próximos meses, destacando que seguirá monitorando as perspectivas econômicas e que ajustará a postura conforme necessário.

O comitê também decidiu iniciar a redução de seu balanço patrimonial, em linha com as diretrizes divulgadas em janeiro. Do início da pandemia até fevereiro deste ano, o Fed comprou títulos no mercado para dar suporte à economia. Agora, começa um processo inverso, em volume inicialmente fixado ao redor de US$ 47,5 bilhões por mês e, após três meses, US$ 95 bilhões por mês (entre títulos públicos e de hipotecas).

Jerome Powell, presidente do Fed, ressaltou que existe a possibilidade de ter de levar a taxa de juros para nível acima do neutro, mas que, com o sólido estado da economia e, em particular, do mercado de trabalho, o aperto não deve resultar em uma recessão. Além disso, Powell afirmou que uma aceleração do ritmo de alta ainda não foi ativamente discutido.

EUA criam 428 mil vagas de emprego em abril

O Payroll americano indicou a criação de 428 mil vagas de trabalho em abril. O resultado superou as expectativas do mercado (380 mil). Também houve uma revisão para baixo da leitura de março (de 431 mil para 428 mil). A criação de empregos foi generalizada, liderada por ganhos em lazer e hospitalidade, em manufatura, transporte e armazenagem.

A taxa de desemprego permaneceu estável, em 3,6%. Já os ganhos salariais por hora trabalhada aumentaram para 31,85 dólares, uma alta mensal de 0,3%. Nos últimos 12 meses, porém, houve uma alta de 5,5%. Em geral, a leitura não deve alterar a visão do Fed de um mercado de trabalho aquecido, o que corrobora com o plano de normalização de sua política monetária.

BoE eleva a sua taxa básica de juros para 1%

Como esperado pelo mercado, o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) elevou a sua taxa de juros em 25 pontos-base, de 0,75% para 1%. Foi o quarto aumento consecutivo, e o comunicado afirmou que mais altas poderão ser apropriadas nos próximos meses.

Diante dos impactos da guerra na Ucrânia, que afeta principalmente os preços de energia, as autoridades projetam que a inflação ao consumidor no Reino Unido deve saltar de 7% em março para 9% no segundo trimestre. O pico deve acontecer no quarto trimestre, quando deve chegar ao patamar de 10%.

Revisão de cenário - Brasil: inflação segue pressionada

Revisamos a projeção para o IPCA de 2022, de 7,5% para 8,5%, refletindo preços mais elevados de gasolina e energia elétrica, além da desinflação mais lenta de bens no segundo semestre do ano. Para 2023, elevamos a projeção de 3,7% para 4,2%.

Diante da inflação pressionada e da alta das projeções do IPCA, o Copom deve elevar a Selic até o patamar de 13,75% a.a., com duas altas extras de 0,50 p.p. em junho e agosto. Esperamos uma redução da taxa de juros para 8,75% em 2023. Mantivemos as projeções para o PIB de 2022 (1%) e 2023 (0,2%) e para a taxa de câmbio (em R$ 5,25 por dólar ao final de 2022 e R$ 5,50 em 2023). Para acessar o relatório completo, clique aqui.

Revisão de cenário - Global: fortalecimento do dólar

Com a guerra na Ucrânia, a União Europeia propôs embargos graduais ao petróleo russo. Por isso, reduzimos a projeção de crescimento do PIB europeu em 0,5 p.p., para 2,5%, em 2022. O BCE deve encerrar a compra de ativos e elevar os juros em julho.

Nos EUA, o Fed deve subir os juros para o intervalo de 2,50% a 2,75% em 2022 e de 3,75% a 4% em 2023. Diante da onda de Covid-19, reduzimos a projeção do PIB da China em 0,3 p.p., para 4,7% em 2022. Já o dólar se fortalece com o aperto monetário, os problemas na Europa e a desaceleração da economia chinesa. Clique aqui e acesse o relatório.