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Fed sobe taxa de juros para intervalo entre 0,75% e 1%

No radar do mercado: o banco central americano aumentou a taxa de juros do país em 50 pontos-base. É o segundo aumento consecutivo feito pelo Fed neste ano

Vanessa Daraya

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Segundo o Fed, os efeitos na economia da guerra na Ucrânia americana continuam incertos, mas tendem a pressionar a inflação para cima (Crédito: Getty Images)

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve aumentou a taxa de juros dos Estados Unidos em 50 pontos-base, passando para um intervalo de 0,75% a 1,00% ao ano. A decisão unânime resultou no segundo aumento consecutivo promovido pelo Fed neste ano.

O BC americano (Fed) destacou que o mercado de trabalho está muito aquecido, com mais vagas do que desempregados, enquanto os gastos das famílias e o investimento fixo das empresas permanecem altos. A inflação continua elevada, como reflexo também dos desequilíbrios de oferta e demanda relacionados à pandemia e preços mais altos de energia.

Assim, defendeu ser apropriado continuar aumentando a taxa de juros nos próximos meses, chegando rapidamente a níveis “mais normais”. Segundo o Fed, o juro neutro está entre 2,5% e 3%. O comunicado destaca, ainda, que o Comitê seguirá monitorando as perspectivas econômicas e que estará preparado para ajustar a postura conforme for necessário.

Citando a guerra, indicou que os efeitos na economia americana continuam incertos, mas tendem a pressionar a inflação para cima e, provavelmente, pesar na atividade. As autoridades também estão atentas aos lockdowns promovidos na China para conter a nova onda de Covid-19, que devem exacerbar as interrupções nas cadeias de suprimentos.

Redução do balanço começa em junho

O comitê também decidiu de forma unânime iniciar a redução de seu balanço patrimonial, em linha com as diretrizes divulgadas na reunião de janeiro.

Desde o início da pandemia e até fevereiro deste ano, o Fed comprou títulos no mercado para dar suporte à economia. Agora, começa um processo inverso, em volume inicialmente fixado ao redor de US$ 45 bilhões por mês e, após três meses, US$ 90 bilhões por mês (entre títulos públicos e de hipotecas).

Durante a conferência de imprensa, o presidente do Fed, Jerome Powell, ressaltou que existe a possibilidade de ter de levar a taxa de juros para nível acima do neutro, o que acreditamos ser bastante provável.

Ele também foi muito questionado sobre a possibilidade de acontecer uma recessão no país ao final do processo. Powell acredita que não, dado o  forte estado da economia e, em particular, do mercado de trabalho. Acreditamos que a probabilidade de recessão em 2023/2024 não parece tão baixa como defendido pelo Fed.