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Focus: projeções para a inflação sobem para 2023 e 2024

No radar do mercado: o Focus desta semana apontou que as expectativas para a inflação subiram para 2023 e 2024; na China, banco central cortou as taxas de juros

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Crédito: Getty Images

O Banco Central divulgou hoje o Relatório Focus. As expectativas para a inflação caíram para 2022 pela sétima semana consecutiva (devido à redução de impostos sobre combustíveis e outros itens), mas subiram para 2023 e 2024.

Comparada à semana anterior, a mediana das expectativas para o IPCA recuou para 2022 (de 7,11% para 7,02%), mas ainda distante do teto da meta de inflação deste ano (de 5%). A meta central é de 3,50%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Para 2023, a projeção subiu de 5,36% para 5,38%, também acima da meta central para o ano (de 3,25%). Para 2024, subiu de 3,30% para 3,41%, ligeiramente acima da meta de 3%.

Na política monetária, a mediana das estimativas para a taxa Selic permaneceu inalterada para 2022 (em 13,75%), 2023 (em 11%) e 2024 (em 8%). 

Em relação à atividade econômica, as medianas para o Produto Interno Bruto (PIB) seguiram praticamente sem alterações para 2022 (em 2%, ante 1,98%) e para 2023 (em 0,41%, ante 0,40%). Para 2024, houve alta  de 1,70% para 1,80%.

Por fim, as expectativas para o câmbio seguiram a R$/US$ 5,20 para 2022 e 2023. Para 2024, a projeção também permaneceu inalterada (a R$/US$ 5,10).

Banco central da China corta taxas de juros

A economia chinesa desacelerou em julho. A produção industrial cresceu 3,8% na comparação anual, abaixo da expectativa do mercado (4,5%) e do resultado anterior (3,9%). Já as vendas no varejo caíram de 3,1% para 2,7%, também abaixo das projeções (5%). O investimento em ativos fixos desacelerou de 6,1% para 5,7% a/a, enquanto o consenso era de 6,3%.  

O setor imobiliário não tem respondido aos estímulos do governo como nos ciclos anteriores. As vendas de imóveis caíram 28,9% a/a, após contração menos acentuada em junho (-18,3%), enquanto o crescimento de novas construções ficou praticamente estável.

Por fim, a taxa de desemprego caiu de 5,5% para 5,4%, sugerindo que o mercado de trabalho mostrou alívio após o choque causado pela variante Ômicron, mas ainda permanece acima do nível de 2021 (5,1%).

Em meio à atividade mais fraca, o banco central da China (PBoC, na sigla em inglês) surpreendeu o mercado ao cortar taxas de juros de referência à taxa básica de empréstimos (LPR). A MLF de um ano foi reduzida em 10 pontos-base, para 2,75%, enquanto a taxa de recompra reversa de sete dias caiu para 2%. A redução inesperada de juros pode levar a um corte na taxa LPR no fim deste mês, que é calculada com base na MLF.

Prevemos um crescimento de 3,2% em 2022, com um melhor crescimento da atividade econômica no segundo semestre, mas o setor imobiliário representa um risco de baixa para o PIB.