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Fund Forum: listamos os destaques do evento

Confira os principais pontos abordados pelos gestores da Verde Asset, SPX Capital e Bogari Capital durante o evento realizado em parceria com o Itaú Fund of Funds

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Itaú Private Bank

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Crédito: Itaú Private Bank

Aconteceu na segunda-feira, 07/11, o Fund Forum, promovido pelo Itaú Private Bank em parceria com o Itaú Fund of Funds. Participaram do evento três grandes nomes da indústria brasileira de fundos: Luis Stuhlberger, da Verde Asset, Rogerio Xavier, da SPX Capital, e Flavio Sznajder, da Bogari Capital. As conversas foram moderadas por Arthur Carasso e Guilherme Wertheimer, nossos líderes de Investimentos.

A seguir, você confere alguns destaques trazidos pelos gestores sobre o mercado de investimentos e perspectivas para 2023.

Cenário internacional: visão geral e perspectivas

Rogerio Xavier, da SPX Capital, trouxe sua visão do mercado internacional:

  • Para atenuar o impacto econômico da pandemia, diversos países lançaram mão de fortes estímulos fiscais. Essa expansão aumentou o endividamento público para os níveis mais altos em quase um século;
  • Conflitos geopolíticos como o atual costumam gerar pressões inflacionárias, principalmente pela alta dos preços de petróleo. Agora, esse choque de energia tem contribuído para a elevação da inflação nos países desenvolvidos;
  • Após o afrouxamento durante os períodos mais graves da pandemia, os bancos centrais começam a reduzir seus balanços e precisam controlar a inflação elevando taxas de juros e lançando mão de medidas fiscais para conter a alta dos preços de energia;
  • Na parte fiscal, os fortes estímulos do biênio 2020-21 agora estão sendo revertidos no biênio 2022-23;
  • Para o Federal Reserve (Fed, banco central americano), a saída é trazer a inflação para meta e provocar um aumento do desemprego. Há sinais embrionários de que a política monetária está funcionando;
  • Juros devem ficar mais restritivos, mas uma alta muito forte pode comprometer a estabilidade do sistema financeiro. A pergunta é quão longe o BC americano terá que ir no processo de aperto monetário;
  • Na opinião dele, Fed não irá tão longe (a mensagem é defensiva, mas acredita que não gerariam um nível de taxa de juros que fomente a recessão);
  • O dólar tem se fortalecido em um ambiente de condições financeiras mais apertadas;
  • A China tem apresentado piora em alguns indicadores, como o endividamento excessivo no mercado de moradias, e a bolha criada anteriormente começa a desinflar. Portanto, o setor de real estate demanda atenção;
  • Na Europa, a perspectiva é de estagflação e continuidade da crise energética.

Cenário nacional: visão geral e perspectivas

  • Luis Stuhlberger, da Verde Asset, trouxe destaques do mercado local. Ele reforçou que a combinação entre a dívida bruta ao patamar de 75% do PIB e o superávit primário (que não ocorria desde 2014) coloca as finanças brasileiras em um bom estado relativo;
  • O efeito deflator da inflação somado à alta dos preços das commodities impulsionou a arrecadação, adicionando 1,5 trilhão de reais ao resultado fiscal. Em contrapartida, medidas como transferência de renda, redução de impostos e aumento de gastos sociais foram colocadas na conta;
  • Segundo ele, a perspectiva é de um waiver (licença para gastar) para cumprir pautas sociais, com governo usando “parafiscal” para que não ultrapasse os R$ 200 bilhões;
  • Há um ponto a se monitorar: inflação está em queda, BC faz um bom trabalho, mas qual o nível desemprego que equilibra a inflação? Ele acredita que estejamos próximo dele, em 8%. Com pagamento do auxílio Brasil, porém, desemprego estrutural pode ser mais alto;
  • Para ele, ainda é cedo para falar de juro nominal de 1 dígito; 10% é o objetivo a ser buscado, mas é cedo para dizer que volta a este patamar já em 2023;
  • Também destacou que a Taxa de Crescimento Anual Composta (CAGR, na sigla em inglês, muita usada na análise investimentos) mostra que, geralmente, quando o Brasil não cresce, empresas não costumam dar um bom retorno (excluindo commodities e real estate);
  • O Ibovespa performou bem nesse ano, segundo Stuhlberger, melhor do que a média das carteiras de ações devido a performance da Petrobras.

Cenário de Renda Variável

  • Ao trazer sua visão micro, Flavio Sznajder, da Bogari Capital, destrinchou os principais cases da carteira do fundo, sendo eles as posições em Vibra (antiga BR Distribuidora) e Hapvida, ambos ativos de qualidade, com boas perspectivas operacionais e em janela de oportunidade;
  • Reforçou que a estratégia da Bogari é usar a experiência dos sócios de identificar oportunidades de investimentos em que o preço esteja abaixo do valor intrínseco, o que é feito por meio da análise operacional e estratégica dos negócios;
  • Destacou que, na visão da gestora, as perspectivas para o mercado são boas para o futuro. Fortunas e grandes empresas foram criadas em momentos difíceis. Sempre há espaço para performar. Boas empresas têm probabilidade de outperformance.
  • Comentou também sobre o desafio de gestão de ações em um ambiente de correção técnica nos preços, em virtude da realocação das carteiras com fluxo resgate de ações para alocação em renda fixa, nos últimos 12 meses.