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Inflação vs. Braço Curto

TenisVesting: nesse segundo artigo da coluna semanal, você vai entender o que a inflação tem a ver com o ‘braço curto’

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Andrea Masagão Moufarrege, Team Leader - Investment Funds Specialists

• 5 minutos de leitura

Crédito: Getty Images

Quem não tem medo do dragão da inflação? Eu tenho! 

Quem não tem medo de enfrentar seus dragões na quadra e encurtar o braço? Eu tenho! 

 A inflação é o processo de aumento generalizado de preços e implica diminuição do poder de compra da moeda. Por consequência, para quem não sabe se proteger, há uma redução de poder aquisitivo. Ela tem várias causas possíveis e é difícil de combater. Nem mesmo os Bancos Centrais mais competentes conseguem calibrar perfeitamente os ajustes nas taxas de juros para controlar a inflação com o menor impacto possível a economia.  

A diversidade de causas aumenta o desafio de controlar a inflação, que pode ser originada por pressões de demanda, escassez de oferta, inércia e expectativas. As consequências são várias e impactam a vida das pessoas com a elevação das incertezas, desestímulo ao investimento, redução do crescimento e distorções de preço relativos, que trazem confusão para entender o que é caro e o que é barato. A camada da população menos favorecida é a mais afetada pelos efeitos da inflação porque tem menos acesso e conhecimento sobre instrumentos financeiros que podem preservar o valor real de seu patrimônio. 

O Relatório Focus é divulgado semanalmente pelo Banco Central com as expectativas dos agentes do mercado para os principais indicadores econômicos, incluindo a inflação (Crédito: Banco Central)

Escolhi o famoso ‘braço curto’ no tênis para comparar a inflação porque vejo semelhanças nas causas e consequências. Sinto o braço encurtando quando vem a pressão de um adversário mais forte ou de um ponto decisivo, entro em um processo de inércia, sem capacidade de reação e tudo vai piorando quando as expectativas ficam negativas. A incerteza em relação à capacidade de jogar ganha espaço e tira qualquer estímulo de jogo mais agressivo.  

Fico confusa sobre o que sei e o que não sei fazer na quadra e erro muito mais. Já vi vários profissionais sofrerem de ‘braço curto’, mas com certeza esse problema afeta muito mais os jogadores (as) menos experientes, que ainda estão aprendendo a lidar com as emoções na quadra. E o pior é que lá dentro da quadra não tem nem Banco Central, coach, amigo, pai, mãe para te ajudar. Quem tem que resolver o problema é você com você mesmo (a). 

Como investidores não temos como combater a inflação, mas temos sim como nos proteger. Na quadra não temos como eliminar as pressões, mas temos como aprender a lidar com elas. 

Nos investimentos, vejo duas estratégias essenciais. Primeiro, manter a menor quantidade possível de caixa sem remuneração em carteira/conta. Buscar instrumentos pós-fixados de alta liquidez, como Tesouro Selic, CDBs e Fundos de Renda Fixa que perseguem o CDI, ajuda bastante na gestão do fluxo do dia a dia, sem perder valor do dinheiro.  

O segundo ponto é a elevação da parcela investida em instrumentos indexados à inflação e que paguem remuneração real. No Brasil, há alternativas em títulos emitidos pelo governo (NTN-B ou Tesouro IPCA), por empresas privadas, fundos ou ETFs que perseguem índices de inflação e até em ativos reais. Parece simples, mas não é. Tanto os títulos financeiros quanto os ativos reais podem ter variação de preço a mercado influenciados por diversos fatores, mais notadamente por variações nas taxas de juros. Essas variações podem assustar os investidores e levá-los a vender os ativos pensando que a queda de preço momentânea significou um erro de estratégia. É quase como se arrepender de ter soltado o braço em uma bola importante e errar, e encurtar o braço de novo. Manter a calma e a estratégia nesses momentos é essencial, tanto no mercado quanto na quadra. 

Investidores e jogadores mais avançados têm acessos a mais ferramentas de proteção contra a inflação e contra o ‘braço curto’. Para os investidores pessoas físicas, começam a entrar em jogo títulos indexados à inflação com isenção fiscal como as CRIs, CRAs, FIIs, FIAGROS, Titulos de Infra Estrutura etc. Nesses casos, é preciso avaliar e ter conforto não só com o risco de variação de preço de mercado, mas também com a qualidade do crédito dos emissores. Essa seleção não é trivial, exige um olhar profissional e bastante prática. Não é muito diferente de contar com ajuda daquele treinador que conhece seu jogo, sabe conversar e ensinar pequenas estratégias para te ajudar a soltar o braço com sabedoria. 

De novo, tanto no mercado quanto na quadra, quanto mais prática e conhecimento melhor. A prática é com vocês, mas deixo duas dicas de leitura que me ajudaram muito a entender mais sobre investimentos e como ganhar mais jogos: 

The Most Important Thing, Howard Marks 📈 

Winning Ugly, Brad Gilbert 🎾 

Play!