Investidores analisam Fed enquanto juros e IA seguem no centro das atenções

Nesta edição do International Markets, Marcio Brito, Head Investor do Banco Itaú International, analisa a evolução dos juros de longo prazo nos Estados Unidos, os sinais mais favoráveis de inflação e os temas que continuam direcionando os mercados globais.

Por Itaú Private Bank

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Os mercados atravessaram o mês de agosto em um ambiente marcado pela combinação de crescimento econômico resiliente, inflação em desaceleração e juros ainda elevados. Mais do que as decisões de política monetária em si, o foco dos investidores esteve na capacidade do Federal Reserve de conduzir esse processo de forma consistente, preservando sua credibilidade em um momento de sensibilidade dos mercados.

Juros longos seguem como principal fator de atenção

O principal movimento do mês foram os juros de longo prazo. A taxa do Treasury de 30 anos se aproximou de 5,31%, alcançando o maior patamar em quase duas décadas. Tal movimento gerou preocupações com o crescimento da dívida pública dos Estados Unidos e com a maior necessidade de emissão de títulos pelo governo americano. Na nossa avaliação, foram os juros, mais do que o crédito, que explicaram grande parte dos movimentos observados nos mercados ao longo do mês.

Inflação mostra sinais positivos e fortalece cenário construtivo

Ao mesmo tempo, os indicadores de inflação trouxeram notícias mais favoráveis. Os dados mais recentes apontaram uma desaceleração dos preços, inclusive nas medidas de núcleo. Esse movimento ocorre juntamente em uma economia que continua demonstrando certa resiliência. Isso reforça a expectativa de um pouso suave da economia americana, com a inflação convergindo para a meta sem comprometer o crescimento econômico do país.

Inteligência artificial entra em uma nova fase

Nos mercados acionários, a inteligência artificial continuou sendo um dos principais destaques entre os interesses dos investidores. A NVIDIA reportou US$ 96 bilhões em receita, mais que o dobro do registrado um ano antes, e indicou uma demanda ainda mais forte para os próximos trimestres. Esse comportamento reforça o entusiasmo em torno do tema, ao mesmo tempo em que evidencia que os novos desafios já não giram em torno da demanda, mas sim da capacidade das empresas de converter os elevados investimentos em resultados concretos, geração de caixa e rentabilidade sustentável.

Jackson Hole reforça importância da credibilidade do Fed

Outro destaque do mês foi o simpósio de Jackson Hole. Em seu discurso, o presidente do Fed reforçou o compromisso da instituição com o controle da inflação e com a meta, adotando uma postura mais cautelosa. Em um ambiente em que expectativas influenciam fortemente os preços dos ativos, a reação dos investidores mostrou que, neste momento, a confiança na atuação do Fed se tornou quase tão importante quanto as próprias decisões sobre juros.

O que esperar dos próximos meses?

Olhando à frente, nosso cenário-base continua sendo de desinflação gradual, com atividade econômica resiliente e juros longos mais próximos da estabilidade. Entre os riscos, seguimos monitorando altas das taxas de longo prazo, pressões inflacionárias e a capacidade das empresas de transformar os investimentos em inteligência artificial em resultados concretos. O cenário geopolítico e os preços do petróleo também permanecem no radar. Nesse contexto, seguimos enxergando oportunidades em ativos de qualidade e em empresas do ecossistema de IA com geração consistente de caixa.