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IPCA começa o ano com alta de 0,53%

No Radar do Mercado: indicador desacelerou na comparação com dezembro e veio abaixo das expectativas; já as vendas no varejo surpreenderam negativamente e caíram 2,6% em dezembro

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Crédito: Getty Images

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve uma alta mensal de 0,53% em janeiro, desacelerando frente a dezembro (0,62%) e abaixo das expectativas do mercado (0,56%). O indicador acumula alta de 5,77% nos últimos 12 meses, abaixo dos 5,79% observados nos 12 meses anteriores.

Dos nove grupos de produtos e serviços, apenas Vestuário teve variação negativa. O maior impacto veio de Alimentação e Bebidas, seguido por Transportes. Já a maior variação veio de Comunicação, que acelerou em relação a dezembro.

O núcleo subjacente para serviços e industriais (IPCA-EX3) teve uma desaceleração no mês mais profunda do que o esperado, diante de uma surpresa baixista em itens de higiene pessoal, em especial para deflação em perfumes. O índice de difusão, que mede o percentual de itens com aumento dos preços, também recuou, de 68,97% para 63,13%, indicando que a inflação está menos disseminada na margem.

A leitura segue indicando uma desaceleração da inflação, com núcleos perdendo força na margem. Esperamos uma aceleração em fevereiro, com impacto sazonal dos reajustes de mensalidades e matrículas. À frente, esperamos a volta de cobrança de Pis/Cofins sobre a gasolina.

A queda de preços de commodities em reais e a normalização no nível de ociosidade da indústria e estoques indicam que inflação de comercializáveis deve seguir perdendo força. A inflação de serviços segue em ritmo baixo, mas esperamos alguma aceleração à frente, em ambiente de mercado de trabalho ainda apertado.

Vendas no varejo caem 2,6% em dezembro

O volume de vendas no varejo brasileiro teve um recuo mensal de 2,6% em dezembro, surpreendendo negativamente. Esta é a segunda retração consecutiva e a de maior amplitude em 2022. Frente a dezembro de 2021, a variação foi de 0,4%. Em 2022 como um todo, as vendas no varejo avançaram 1,0%.

No mês, sete das oito atividades recuaram no comércio varejista, indicando uma queda bastante disseminada. Apenas Livros, jornais, revistas e papelaria tiveram alta, enquanto a maior queda veio de Tecidos, vestuário e calçados.

No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de Veículos, motos, partes e peças e Material de construção, o volume de vendas variou 0,4% na comparação mensal e 0,6% na base anual, também abaixo da expectativa do mercado. Em 2022, o setor encolheu 0,6%.

Com o resultado de hoje, nosso tracking do PIB do 4T22 segue em -0,1% t/t (+2,0% a/a). Uma desaceleração da atividade era esperada no trimestre, em meio a menor renda disponível e maior impacto da política monetária na economia.

Apesar dos resultados abaixo do esperado em dezembro, nosso indicador proprietário (IDAT) sugere uma recuperação em janeiro nas vendas do varejo. No entanto, é provável que esse movimento seja temporário, pois as condições financeiras mais apertadas devem afetar negativamente a atividade econômica em 2023.

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