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IPCA-15 abaixo do esperado em setembro

No Radar do Mercado: resultado traz viés de baixa para projeção de curto prazo; hoje também houve a divulgação da ata do Copom

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Crédito: Getty Images

O IBGE divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que registrou uma deflação mensal de 0,37% em setembro, a segunda consecutiva. A retração foi mais intensa do que o esperado pelo mercado (-0,20%). Na comparação anual, houve desaceleração de 9,60% para 7,96%.

A queda foi concentrada em três dos nove grupos de produtos e serviços. As maiores influências negativas vieram de Transportes, Comunicação e Alimentação e Bebidas, refletindo as quedas de preços dos combustíveis nas refinarias, o repasse dos cortes de impostos e queda em alimentação no domicílio, respectivamente. Já os grupos de Vestuário e Saúde e cuidados pessoais foram dos destaque de alta.

Ao olhar as medidas de núcleo, os industriais subjacentes mostraram desaceleração gradual. Já serviços subjacentes sinalizaram que a inflação neste grupo parece ter feito pico, mas seguem em patamar historicamente elevado.

O IPCA-EX3, núcleo que reúne componentes da inflação mais sensíveis ao ciclo econômico, segue estável em nível elevado. Já o índice de difusão, que mede o percentual de itens com aumento dos preços, recuou de 65% para perto de sua médica histórica (60%).

Os dados são consistentes com a nossa leitura de desinflação gradual pelos próximos meses. Nossa projeção para o IPCA no final de 2022 está em 6,0%, mas com viés de baixa.

Ata do Copom: Selic estável

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada hoje trouxe mais detalhes sobre o racional por trás da decisão da semana passada, quando as autoridades optaram por manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, em linha com o esperado.

O documento reforça a visão de que os juros devem permanecer altos por um período prolongado e coloca uma barra alta para reiniciar um ciclo de aperto, caso o processo de desinflação não aconteça como esperado.

A ata mostra que o comitê vê o tamanho do hiato do produto como particularmente incerto, vendo risco de menor capacidade ociosa na economia do que estimam, o que é visto como um fator de mais pressão inflacionária. No entanto, mesmo em simulação com hiato nulo no terceiro trimestre, ou seja, uma economia sem capacidade ociosa, a inflação ainda convergiria para a meta em 2024. Portanto, seria preciso uma maior deterioração do cenário para o Copom recomeçar o ciclo de altas.

Esperamos que o comitê não revise a estratégia de manter os juros altos, no patamar atual, por pelo menos algumas reuniões. Saberemos mais detalhes sobre a visão do Copom com a divulgação do Relatório de Inflação que acontece na próxima quinta-feira, 29 de setembro.

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