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IPCA-15 acelera, mas vem levemente abaixo do esperado

No Radar do Mercado: o IPCA-15 registrou uma alta de 0,53% em novembro, acelerando na comparação com outubro; hoje também houve a divulgação da ata do último encontro do BCE

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Itaú Private Bank

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Crédito: Getty Images

O IBGE divulgou hoje o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que teve uma alta mensal de 0,53% em novembro, acelerando frente ao registrado em outubro (0,16%) e ligeiramente abaixo das expectativas do mercado (0,55%). Em 12 meses, o IPCA-15 desacelerou de 6,9% para 6,2%.

Com exceção do grupo de Comunicação, que apresentou estabilidade, todos os grupos de produtos e serviços tiveram alta no mês. Os maiores impactos vieram de Alimentação e Bebidas (puxado pelos alimentos para consumo no domicílio) e Saúde e cuidados pessoais. Na sequência está o grupo de Transportes, que havia registrado queda em outubro e voltou a subir com a alta dos preços de combustíveis.

O IPCA-EX3, núcleo que reúne componentes da inflação mais sensíveis ao ciclo econômico, permanece pressionado e apresentou aceleração no mês, mas desacelera no acumulado em 12 meses. O índice de difusão, que mede o percentual de itens com aumento dos preços, também aumentou, para 63,8%.

Nossa projeção para o IPCA no final de 2022 está em 5,8%. Acreditamos que o processo de desinflação será errático e gradual.

Ata do BCE indica novas altas de juros à frente

O Banco Central Europeu (BCE) divulgou a ata de sua última reunião, quando as autoridades elevaram as três principais taxas de juros em 75 pontos-base, com o objetivo de garantir o retorno da inflação para a meta central de 2% no médio prazo.

O documento destacou que algumas autoridades eram a favor de um aumento menor nos juros. No entanto, a proposta de aumentar as principais taxas do BCE em 75 pontos-base foi apoiada por uma grande maioria dos membros. Os que preferiram uma medida menos agressiva citaram o fato de a alta ter sido acompanhada de outras medidas de aperto monetário, como a mudança na remuneração das reservas e o ajuste das condições de financiamento para os bancos.

Na ocasião, as autoridades sinalizaram que esperam aumentar ainda mais as taxas de juros e afirmaram que irão basear a futura trajetória das taxas na evolução das perspectivas para a inflação e a economia, mantendo a abordagem ‘reunião a reunião’. No entanto, após a terceira alta consecutiva, o BCE julga ter feito progresso substancial na retirada do estímulo monetário.

Apesar da inflação em níveis recordes, o mercado discute uma desaceleração por parte do BCE em meio à avaliação de que um progresso substancial já aconteceu e que uma recessão se aproxima. Os dados de novembro, previstos para a próxima semana, devem ajudar a orientar as autoridades na próxima decisão.

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