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IPCA-15 reforça necessidade de paciência com desinflação

Enquanto o mercado de trabalho brasileiro segue resiliente, o IPCA-15 desacelerou em abril

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Crédito: Getty Images/Itaú Private Bank

A semana foi marcada pela desaceleração do IPCA-15, mas com a medida de núcleo de serviços mais pressionada na margem.

Nos Estados Unidos, o PIB cresceu abaixo do esperado no primeiro trimestre, enquanto o núcleo do PCE, uma das referências usadas pelo Federal Reserve em suas decisões de política monetária, veio em linha com as expectativas.

Agora, as atenções do mercado se voltam para as decisões de política monetária do Brasil e dos EUA, que acontecem na próxima quarta-feira.

Confira, abaixo, mais detalhes dos fatores que impactaram os mercados nos últimos dias.

IPCA-15 desacelera na comparação mensal em abril

O IPCA-15 subiu 0,57% em abril, desacelerando na comparação com março e abaixo das expectativas. Nos últimos 12 meses, a alta acumulada é de 4,16%. O resultado corrobora o cenário de desinflação, embora as medidas de núcleo sigam acima do compatível com o cumprimento da meta de inflação. Devemos observar um recuo na taxa acumulada em 12 meses para cerca de 4,0% nos próximos meses, mas a inflação deve voltar a acelerar nessa base de comparação a partir do terceiro trimestre do ano. Projetamos 6,1% para o IPCA em 2023 e 4,5% em 2024.

Comércio varejista cai 0,1% em fevereiro

As vendas do varejo brasileiro caíram 0,1% em fevereiro, em linha com as expectativas, enquanto no comércio varejista ampliado houve crescimento de 1,7% na comparação com o mês anterior, acima do esperado. Em suma, após um resultado forte em janeiro, as vendas ficaram praticamente estáveis em fevereiro. Nosso indicador proprietário (IDAT) indica que essa estabilidade deve continuar em março e abril.

Setor de serviços cresce acima do esperado

O volume de serviços no Brasil cresceu 1,1% no mês e 5,4% na comparação anual, ambos acima do esperado. De maneira geral, a receita real do setor tem mostrado forte volatilidade recentemente, mas esperamos uma desaceleração gradual do setor nos próximos meses em meio aos impactos defasados da política monetária contracionista. Nosso tracking (estimativa de alta frequência) para o PIB do 1T23 permaneceu em 1,2% tri/tri (3,1% a/a).

Mercado de trabalho brasileiro mostra resiliência

A taxa de desemprego ficou em 8,8% no trimestre encerrado em março, segundo a Pnad Contínua, praticamente em linha com as expectativas. Com ajuste sazonal, a taxa ficou estável em 8,5%. No período, o emprego cresceu no setor informal e no formal. Já a taxa de participação ficou estável. Em suma, os dados mostram um mercado de trabalho mais resiliente. Esperamos uma desaceleração gradual nos próximos meses em meio ao impacto defasado da política contracionista sobre a economia.

PIB americano cresce 1,1% no primeiro trimestre de 2023

A primeira estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2023 apontou um avanço de 1,1% na comparação trimestral em termos anualizados, abaixo das projeções do mercado, que esperava um crescimento mais forte, de 1,9%. Além disso, houve uma desaceleração em relação ao trimestre anterior (2,6%). De maneira geral, a divulgação aponta para uma desaceleração gradual da economia, com investimentos mostrando fraqueza e um consumo resiliente.

Inflação medida pelo núcleo do PCE vem em linha com o esperado

O núcleo PCE dos EUA, que exclui as pressões de energia e alimentos, teve uma alta mensal de 0,3% em março e de 4,6% na base anual. Para o indicador “cheio”, houve desaceleração, mas o índice de custo de emprego (ECI, na sigla em inglês) acelerou, sinalizando pressão mais forte vinda de salários. De maneira geral, a leitura mista não deve alterar a avaliação do Fed de que a trajetória de queda da inflação continua, mas com pressões no curto prazo, corroborando a expectativa de uma alta de 25 pontos-base na reunião da próxima semana.

PIB na zona do euro volta a crescer no 1º trimestre

O Produto Interno Bruto (PIB) na zona do euro registrou um crescimento de 0,1% no primeiro trimestre de 2023, na comparação com o trimestre anterior, quando a leitura foi de -0,1%. O resultado veio ligeiramente abaixo as projeções do mercado (0,2%). Ao analisar o resultado dos países-membros, a Alemanha teve um desempenho mais fraco no trimestre, enquanto França, Espanha e Itália tiveram números melhores.