Juros dos EUA podem subir ainda mais, indica Fed

Nesta edição do International Markets, Marcio Brito, Head Investor do Banco Itaú International, analisa os rumos da política monetária norte-americana e indica o que pode impactar os mercados em junho.

Por Itaú Private Bank

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Enquanto os principais índices acionários dos Estados Unidos atingiram novas máximas em maio, a renda fixa caminhou na direção oposta. As taxas dos títulos públicos subiram de forma relevante e a inflação segue pressionada, fazendo com que o Fed não descarte a possibilidade de aumentar os juros do país.

Inflação persistente dominou o cenário macro

A inflação segue sendo o principal ponto de atenção quando olhamos os mercados globais. Os dados mais recentes indicam que as pressões de preços continuam elevadas e mais persistentes do que o esperado. Nos Estados Unidos, a inflação permanece acima da meta. As taxas dos títulos públicos subiram de forma relevante e a inflação segue pressionada, fazendo com que membros do Federal Reserve (FED) não descartem a possibilidade do aumento de juros no país. Ao mesmo tempo, o cenário geopolítico voltou a ganhar relevância. O conflito no Oriente Médio impactou o setor de energia, aumentando a volatilidade do petróleo e reforçando as pressões inflacionárias. Quando analisamos o crescimento ao todo em maio, percebemos que o cenário é misto. A economia americana segue resiliente, sustentada pelo consumo e por resultados corporativos consistentes. Por outro lado, Europa e China mostram sinais mais claros de desaceleração, reforçando um cenário global mais assimétrico.

Renda fixa vai na direção oposta

Enquanto as ações avançaram, os mercados de renda fixa apresentaram o movimento oposto. As taxas dos títulos públicos subiram de forma relevante, refletindo preocupações tanto com a inflação persistente, como com as incertezas em torno da trajetória da política monetária. Essa divergência entre ações e renda fixa é um dos principais pontos de atenção no cenário atual. O comportamento distinto entre os ativos sugere que, embora ainda haja confiança no crescimento e nos resultados corporativos, os mercados estão cada vez mais suscetíveis a riscos relacionados a juros e inflação.

Commodities e câmbio: volatilidade no ambiente

Outras classes de ativos também refletiram esse ambiente mais incerto. O petróleo apresentou movimentos mais relevantes ao longo do mês, reagindo tanto ao cenário geopolítico quanto a mudanças nas expectativas de oferta. Esse comportamento reforça a volatilidade e adiciona incerteza ao cenário inflacionário.

Um regime em transição

Entendemos que o ambiente macro está em transição. Mesmo o crescimento se mantendo resiliente, a inflação é persistente e reduz a atuação dos bancos centrais. Sustentando todo um cenário de política monetária restritiva por mais tempo. Na renda fixa, a abertura recente das taxas, junto a preocupações fiscais, reforça uma postura mais cautelosa, especialmente em Treasuries. Nesse contexto, a diversificação entre moedas e regiões se torna ainda mais relevante. Em mercados emergentes, incluindo o Brasil, adotamos uma postura mais neutra, refletindo tanto o ambiente global quanto dinâmicas internas mais desafiadoras. Em suma, os riscos geopolíticos seguem relevantes. Ao mesmo tempo em que aumentam a volatilidade, também podem abrir oportunidades táticas de entrada em níveis mais atrativos.

O quem vem para junho?

Para o próximo mês, nosso cenário base continua construtivo. As bolsas devem seguir sustentadas pelos resultados das empresas e pelos investimentos em inteligência artificial. No entanto, os riscos permanecem no radar. Tendo em vista possíveis surpresas inflacionárias, novas tensões geopolíticas e a continuidade de juros elevados. Em períodos de maior volatilidade, oportunidades para uma alocação, mais seletiva, e em ativos de maior qualidade, podem surgir. Reforçamos a importância de uma alocação seletiva, com foco em qualidade e disciplina.