Juros nos EUA: como o Fed irá reagir ao conflito no Oriente Médio?

Na mais recente edição do International Markets, Márcio Brito, Head Investor do Itaú International, analisa como geopolítica, inflação e política monetária vêm moldando o comportamento dos mercados globais

Por Itaú Private Bank

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Março foi marcado por um ambiente global mais complexo, com fatores macroeconômicos voltando a ditar o ritmo dos mercados. A escalada das tensões no Oriente Médio reacendeu preocupações com inflação, especialmente via preços de energia. Além disso, a trajetória da política monetária voltou ao centro do debate.

O discurso de “juros mais altos por mais tempo” ganhou força ao longo do mês, enquanto os mercados passaram a reavaliar riscos e oportunidades em diferentes classes de ativos.

Esse movimento trouxe maior seletividade no crédito, mais dispersão nas bolsas e ajustes em setores que haviam se beneficiado de um ambiente mais benigno nos meses anteriores.

Na edição de março do International Markets, Márcio Brito, Head Investor do Itaú International, analisa como geopolítica, inflação e política monetária vêm moldando o comportamento dos mercados globais.

Confira os destaques:

Conflito no Oriente Médio reacende preocupações com inflação global

A escalada das tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã, pressionou os preços do petróleo e reacendeu o temor de um novo choque inflacionário liderado pela energia. Com isso, o mercado passou a questionar se a inflação, que vinha dando sinais de alívio no início do ano, pode demorar mais para ceder.

O debate passou a se concentrar no impacto desse choque sobre o crescimento. Se os efeitos forem temporários, a economia global tende a absorvê-los. Mas, caso a pressão persista, aumenta o risco de um cenário mais difícil, com inflação elevada e desaceleração da atividade. Os Estados Unidos seguem relativamente mais resilientes, mas não imunes a um período prolongado de preços altos.

Juros mais altos por mais tempo ganham força nos mercados

No mercado de juros, março consolidou o retorno do discurso de “juros mais altos por mais tempo” (higher for longer). As expectativas de cortes foram sendo adiadas ao longo do mês, e a taxa do Treasury americano de 10 anos passou a girar em torno de 4,5%, refletindo maior cautela dos investidores.

A principal mudança esteve no foco dos bancos centrais. O Federal Reserve reforçou a preocupação em não cortar juros cedo demais e perder o controle das expectativas inflacionárias. Movimento semelhante foi observado na Europa e no Reino Unido, onde o mercado chegou a precificar um cenário mais restritivo, ainda que parte desse ajuste possa se mostrar excessivo.

Mercado de crédito fica mais seletivo em ambiente mais incerto

O ambiente macroeconômico mais desafiador também se refletiu no mercado de crédito. A seletividade aumentou, fazendo com que fatores como disciplina de balanço, alavancagem e necessidade de financiamento voltassem a ter peso relevante nas decisões dos investidores.

Mesmo empresas com grau de investimento passaram a ser analisadas com mais cuidado. Nos mercados emergentes, incluindo o Brasil, a preferência foi por títulos soberanos, diante de maior atenção a riscos fiscais, políticos e de refinanciamento.

Bolsas globais mostram mais volatilidade e menor uniformidade

Nas bolsas globais, março foi marcado por maior volatilidade e dispersão. Em vez de movimentos amplos, o macroeconômico falou mais alto no curto prazo, afetando setores de forma desigual.

O setor de defesa se destacou positivamente, impulsionado pelo aumento das tensões geopolíticas. Já ações ligadas a semicondutores e inteligência artificial passaram por ajustes, sem indicar uma mudança estrutural nas teses de longo prazo. Também houve rotação setorial, com saúde ganhando espaço após quedas anteriores.