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Market update: política fiscal americana em foco

Confira os destaques da edição mensal da nossa live, onde conversamos sobre a política fiscal americana e porque ela está sendo um grande vetor de inflação e taxas de juros

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Itaú Private Bank

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Crédito: Itaú Private Bank

Na última quinta-feira, 16, realizamos nosso encontro mensal “Market Update”, live sobre os mercados globais com Marcelo Aagesen, Head of Global Markets e Niraj Patel, Chief Equities Strategy, ambos do Itaú Private Bank Internacional. O encontro contou com o convidado Paresh Upadhyaya, Vice-presidente Sênior e Diretor de Renda Fixa da Amundi Asset Management.

Confira os destaques da conversa

A política fiscal americana vem sofrendo mudanças dramáticas desde a pandemia, quando houve uma facilitação inédita. Os totais acumulados são impressionantes. Segundo as estimativas de Upadhyaya, vice-presidente sênior da Amundi Asset Management, o montante acumulado desde 2020 chega a 7 trilhões, quase 35% do PIB americano. Se somados à suavização na política monetária, o total engloba outros 29% do PIB, chegando ao percentual de 64%, ou seja, 13 trilhões de dólares.

Apenas no governo Biden foram três medidas adotadas. A flexibilização trouxe de carona a inflação, que em junho do ano passado atingiu 9,1%, com o núcleo, que exclui os itens mais voláteis, como energia e alimentos, atingindo 6%. Estes números têm ainda correlação com o conflito na Ucrânia e com os gargalos nas cadeias de fornecimento e de valor.

A questão principal hoje é o que acontecerá daqui para frente com relação aos três projetos de lei fiscais do governo Biden, uma vez que os EUA estão em um caminho de dívida ou de déficit no orçamento. O CPO, o orçamento não-partidário, está projetando um aumento de 5,2% do PIB para 9% até 2033. Uma situação equivalente à encontrada durante a Primeira Guerra Mundial - caso não haja mudança na política fiscal e no orçamento.

Teto de gastos nos EUA

Esta discussão será, provavelmente, o maior acontecimento político em 2023 para o governo Biden. O ponto a ser considerado é a questão do teto da dívida ou teto de gastos, com relação à aprovação ou não do teto para pagamento das dívidas.

No congresso, Republicanos e Democratas dão sinais de que este não será um acordo dos mais fáceis. Para que Biden saia vitorioso, é provável que precise ceder cortando alguns benefícios, uma vez que a demanda dos Republicanos é restituir a disciplina fiscal.

Ainda que o governo já tenha sinalizado que não pretende mexer em seguridade social, saúde, nem defesa (esta última um ponto comum entre ambos os partidos), ainda não está claro de onde virão os cortes exigidos. Isso pode significar um governo americano sem dinheiro já no segundo semestre, caso a entrada de receita em abril seja menor que o esperado.

Efeito nos mercados

O mercado tende a reagir na última hora e já viu isso acontecer outras vezes, como no governo Clinton, em 1994, por exemplo. Em cada uma dessas vezes, sempre houve meios de se chegar a um acordo. O rally do tesouro também já aconteceu antes, e, de certo modo, isso ajuda a fortalecer o dólar. O maior risco está nos ativos tradicionais.

Assista ao vídeo na íntegra: