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Market Update: riscos e impactos de uma recessão nos Estados Unidos

Veja os principais pontos do segundo encontro do ano que teve a participação de Alejandro Estevez-Breton, nosso estrategista-chefe de renda fixa e Bernardo Tenreiro Dutra, US Economist do Itaú BBA

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Crédito: Itaú Private Bank

Na última quarta-feira, 16, realizamos nosso encontro “Market Update”, live mensal sobre os mercados globais com Marcelo Aagesen, Head of Global Markets e Niraj Patel, Chief Equities Strategy, ambos do Itaú Private Bank internacional.

Na edição de fevereiro, a live teve a participação de Alejandro Estevez-Breton, estrategista-chefe de renda fixa e Bernardo Tenreiro Dutra, US Economist do Itaú BBA. A conversa girou em torno dos riscos de recessão nos EUA e seus impactos na economia global. Confira os destaques a seguir.

Perspectivas de recessão, economia americana

Cenário Global

Principais riscos para o cenário global:- A guerra entre Rússia e Ucrânia, possível causa de um problema de abastecimento de gás na Europa, o que poderia gerar uma recessão global;

- O ritmo de recuperação da China, após o fim da política de zero Covid, que poderia impactar o cenário, caso fosse lento ou acelerado demais;

- Os níveis da inflação, não só nos EUA, mas nos países desenvolvidos e emergentes, com os bancos centrais reagindo e subindo juros.

Esses eram os riscos mapeados como indicadores de uma recessão econômica mais forte desde 2022. Agora, os dois primeiros riscos diminuíram, a guerra estabilizou e o ritmo de recuperação da economia da China está dentro do esperado.

Segue, no entanto, o risco da inflação, que ainda encontra suporte nos últimos dados, principalmente no núcleo do indicador americano no setor de serviços.

Sobre um possível conflito envolvendo EUA e China com relação à Taiwan, a expectativa é que não tenha grande impacto no cenário global.

Soft landing x Hard landing

Como se dará a recuperação da economia? Deixando de lado cisnes negros, ou seja, eventos improváveis ou choques externos como o causado pela Covid-19, existem duas diferentes perspectivas em torno do ritmo da recuperação da economia americana: soft landing ou hard landing.

No primeiro caso, isso significa que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) será bem-sucedido em controlar a inflação com uma desaceleração da atividade ou até mesmo provocar uma recessão leve.

No caso da recuperação se dar por meio de um hard landing, o controle da inflação necessitaria de uma queda maior na atividade, com um aumento mais significativo do desemprego, podendo até causar uma crise. Existe ainda um terceiro cenário possível em vista, o ‘no landing’. Nele, os dados seguiriam muito resilientes, sem desaceleração da inflação. Trataria-se de um novo aperto de juros antes da estabilização.

De forma geral, os riscos de inflação estão mapeados e sendo cada vez mais adiados, estando agora com expectativa para o último trimestre e até para o próximo ano, no caso da avaliação de alguns bancos americanos.

Renda Fixa x Renda Variável

No cenário atual, os ativos mais arriscados estão se saindo melhor. A Curva do Tesouro americano segue com o risco de recessão mapeado, e está precificando um soft landing, seguido por uma reaceleração. É um momento em que a diversificação do portfólio ganha um peso ainda maior.

Já no mercado de renda variável, depois de um início do ano com os investidores mais cautelosos e preocupados, as perspectivas são boas. Os dados apontam para uma recuperação nos gastos do consumidor e os níveis de emprego estáveis.

As empresas, e não apenas as Big Techs, estão se preparando para a desaceleração, cortando custos e aumentando padrões, evitando o risco de não chegar em boas condições a uma possível recessão. Os layoffs e o avanço da inteligência artificial também precisam estar no radar, pois impactam em aspectos mais cíclicos, como empregos, automóveis, financiamento de imóveis etc.

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