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No radar do mercado: Boris Johnson renuncia no Reino Unido

Após uma sequência de escândalos e saídas de integrantes de seu governo, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, renunciou. Além disso, a ata do Banco Central Europeu reafirmou a intenção das autoridades em iniciar o processo de normalização das taxas de juros neste mês

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Crédito: Getty Images

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, renunciou hoje, após uma série de crises em seu mandato, que começaram com o episódio que ficou conhecido como “partygate” – uma série de vazamentos de festas em Downing Street, sede do governo, durante momentos de lockdown.

Eleito para promover o Brexit (separação dos britânicos da União Europeia), o membro do Partido Conservador vinha sofrendo fortes pressões para que deixasse o cargo, não por um caso específico, mas devido ao acúmulo de controvérsias. Nos últimos dias, cerca de 50 membros de sua gestão, incluindo secretários e ministros, pediram demissão, pressionando Johnson a deixar o governo.

Em seu discurso de renúncia, ele disse que lutou para continuar como primeiro-ministro e confirmou sua intenção de permanecer no cargo até que um novo líder seja escolhido pelo Partido Conservador, algo que deve acontecer nos próximos meses.

Dadas as demissões nos últimos dias e o risco de um vácuo de poder, é incerto se ele conseguirá permanecer no poder por tanto tempo. É possível que aconteça uma pressão para que um primeiro-ministro interino seja nomeado para garantir um governo eficaz até a escolha de um novo líder. Há também a opção de o processo de eleição ser acelerado. No que diz respeito à política econômica, a saída de Johnson provavelmente reduz as chances de estímulo fiscal com motivação política.

Ata do BCE indica alta de 25 pontos-base em julho

O Banco Central Europeu (BCE) divulgou a ata de sua última reunião, quando as autoridades decidiram manter os juros inalterados, mas sinalizaram o início de processo de elevação das taxas a partir deste mês.

A decisão veio a partir do entendimento de que as condições necessárias para o aumento dos juros haviam sido satisfeitas. Além disso, a ata destaca que os riscos para a inflação no médio prazo são de alta, dados os maiores custos de energia e alimentos, deterioração da capacidade produtiva da economia e salários superiores ao previsto.

Diante disso, as autoridades julgaram adequada uma alta moderada, de 25 pontos-base, para iniciar o processo, neste mês de julho. Na visão do comitê, o movimento deve promover um ajuste contínuo e ordenado do mercado em meio à alta incerteza.

O documento também reforça que a magnitude da elevação de setembro dependerá dos dados econômicos. Ao abrir a porta a um incremento maior em setembro, o conselho do BCE poderia se beneficiar de um conjunto atualizado de projeções, além de observar o impacto da primeira alta das taxas sobre as condições financeiras ao longo do verão europeu.

As autoridades entendem que a abordagem “passo a passo” sinaliza a determinação de sair rapidamente da política de taxas negativas, ao mesmo tempo em que reafirmaria o valor da opcionalidade.

Para o terceiro trimestre, o BCE antecipa que será adequado promover uma trajetória gradual, mas sustentada, de novos aumentos nas taxas de juros, novamente com ritmo dependendo dos dados recebidos e da avaliação da inflação no médio prazo.

Seguimos com a expectativa de que o BCE acelere o ritmo de alta de juros em setembro, com as taxas atingindo 1,0% no fim deste ano.