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No radar do mercado: Fed está mais preocupado com inflação e acelera alta na taxa de juros

Em linha com as expectativas mais recentes, o Federal Reserve acelerou o ritmo de alta nos juros dos Estados Unidos e promoveu um aumento de 75 pontos-base

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Crédito: Getty Images

Em linha com as expectativas mais recentes, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) do Federal Reserve acelerou o ritmo de alta nos juros dos Estados Unidos e promoveu uma elevação de 75 pontos-base, com a taxa passando para um intervalo de 1,50% a 1,75% ao ano. A decisão resultou no terceiro aumento consecutivo feito pelo Fed neste ano e o maior no país em 28 anos.

No comunicado, o Fed destacou que a atividade econômica parece ter acelerado após a queda no primeiro trimestre, mas que a inflação segue elevada, refletindo os desequilíbrios de oferta e demanda relacionados à pandemia, custos mais altos de energia e elevações mais disseminadas de preços. O comitê enfatizou, ainda, que a guerra na Ucrânia tem pressionado a inflação para cima, enquanto os lockdowns na China devem exacerbar as interrupções nas cadeias de suprimentos, afirmando estar atento aos riscos inflacionários.

O comitê antevê aumentos contínuos nas próximas reuniões, reafirmando também que continuará a redução de seu balanço patrimonial, em linha com as diretrizes divulgadas anteriormente.

O comunicado destaca, ainda, que o comitê está fortemente comprometido em devolver a inflação à meta de 2% e preparado para ajustar a orientação da política monetária, caso necessário.

Projeções para inflação e juros sobem

O Fed também divulgou suas projeções atualizadas para os principais indicadores econômicos. Diversas mudanças foram feitas, o que não é usual, indicando que o cenário continua bastante incerto.

De maneira geral, o Fed aumentou a projeção de inflação deste ano e mais marginalmente nos próximos, o que explica a aceleração na velocidade de elevação dos juros. Ainda assim, a projeção mostra a inflação acima da meta de 2% em todo o período das projeções (até 2024). Os juros permanecem acima do neutro (que para o Fed está entre 2% e 3%) até 2024 também, enquanto as  projeções de crescimento estão agora abaixo do potencial (2%) no período. 

Na coletiva após a reunião do comitê, o presidente do Fed, Jerome Powell, confirmou que, com a surpresa altista na inflação corrente e a deterioração das expectativas, o comitê julgou necessário um movimento mais forte do que o sinalizado na última reunião (50 pontos-base). À frente, Powell declarou que as decisões seguem dependendo da evolução dos dados, mas que um ritmo entre 50 e 75 pontos-base parece o mais adequado.

Nossa expectativa é de que os juros básicos cheguem a 3,9% e 4,1% em 2022 e 2023, respectivamente.