Nossa atualização do cenário macro para agosto de 2025

Dólar apresenta queda histórica no 1º semestre de 2025 e real se fortalece

Por Itaú Private Bank

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O dólar encerrou um ciclo de alta e abriu espaço para um movimento de desvalorização que pode se prolongar por anos. Esse cenário favorece outras moedas fortes e ativos de países que voltam a atrair capital global, da Europa à Ásia.

Durante nosso encontro mensal, realizado no dia 6 de agosto, Gina Baccelli, estrategista sênior de Investimentos, e os estrategistas Humberto Vignatti, de renda fixa, e Rodrigo Lopes, de renda variável, analisaram os impactos do enfraquecimento do dólar nos mercados.

Segundo os especialistas, o maior impacto das políticas do governo Trump foi sobre o dólar, abrindo um ciclo de moeda fraca e gerando um impacto muito positivo para emergentes, o que reforça nossa visão de venda da moeda americana.

Apesar disso, os lucros corporativos seguem robustos nos EUA, impulsionados por tecnologia e inteligência artificial. Ainda assim, o valuation elevado e a diversificação global podem reduzir a demanda por ações americanas, favorecendo outros mercados.

No Brasil, o real se destacou entre as moedas emergentes, sustentado pelo diferencial de juros e pelo câmbio favorável. Essa valorização já contribuiu para conter expectativas de inflação e abre espaço para cortes na Selic.

Confira os destaques da conversa:

Cenário internacional

  • Em meio à implementação tarifas de Trump, a economia dos EUA apresentou sinais de desaceleração, e o dólar reverteu o ciclo de alta, apresentando queda histórica no 1º semestre de 2025. Apesar disso, o mercado não prevê recessão.
  • O Fed pode cortar juros a partir de setembro. Enquanto isso, governo americano estuda implementar estímulos fiscais para impulsionar a economia local.
  • A Europa avança com pacote fiscal e reformas para retomar crescimento, enquanto a China mantém crescimento sólido e ganha relevância em tecnologia.
  • Os emergentes ganham fluxo com dólar fraco e bolsa americana com valuation esticado.

Cenário local

  • O real se valoriza em 2025 com suporte de juros altos e dólar fraco, ganhando destaque entre os emergentes. Essa valorização reduz as expectativas de inflação para 2025 e 2026.
  • A queda esperada da Selic em 2026 favorece a renda fixa prefixada, enquanto a bolsa brasileira segue com baixo fluxo local e depende do investidor estrangeiro.
  • Há oportunidade tática em títulos prefixados após piora de mercado em julho. Além disso, no cenário atual, papéis atrelados à inflação e vencimentos longos em juro real se tornam mais atrativos.