Perspectivas para os mercados de ações americano e europeu
International Markets: os dados acumulados até agora têm indicado um progresso modesto da inflação, da resiliência do mercado de trabalho, e da forte economia nos EUA
Por Itaú Private Bank
No International Markets deste mês, Marcio Brito, novo Head Investor do Itaú Private Bank Internacional, apresenta as atualizações sobre os mercados internacionais e o cenário macroeconômico de junho, incluindo a inflação nos Estados Unidos e a resiliência do mercado de trabalho americano. Confira os principais destaques:
Em junho, o mercado financeiro não trouxe grandes surpresas do ponto de vista macroeconômico. Observamos uma continuidade no bom desempenho do mês anterior.
Nos EUA, a inflação medida pelo Índice de Preço ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) ficou estável em maio em comparação a abril, sendo a primeira vez em dois anos em que não é registrado um aumento no índice. O resultado foi impulsionado pela queda nos preços da gasolina e uma trégua na inflação de serviços. Esses dados sugerem uma desaceleração na inflação, embora o indicador ainda seja um ponto de atenção.
Já o mercado de trabalho americano permaneceu forte, com a criação de empregos em maio superando a média dos 12 meses anteriores. A taxa de desemprego subiu para 4%, um número relativamente baixo, mas que pode continuar a subir nos próximos meses.
Diante do progresso modesto da inflação e da resiliência do mercado de trabalho, e da forte economia americana, o Federal Reserve (banco central dos EUA) manteve a taxa de juros inalterada, refletindo uma trajetória cautelosa e adiando possíveis cortes. Contratos futuros indicam cerca de 50% de chance de os cortes acontecerem em setembro e em dezembro.
Nesse cenário, o S&P 500 avançou 3,6% em junho, já acumulando alta de cerca de 15% no ano. As ações de crescimento e tecnologia lideraram o desempenho, em detrimento das ações de “valor”. Embora acreditemos em um cenário construtivo para o médio e longo prazo, esse rally na bolsa americana aconteceu muito rapidamente, com cerca de 10% do crescimento tendo ocorrido desde o final do mês de abril.
Acreditamos que a bolsa americana já precifica um cenário positivo, e qualquer ruído, como resultados abaixo do esperado, deterioração geopolítica e incerteza eleitoral, podem levar a uma realização de lucros.
Enquanto isso, a bolsa europeia, Euro Stoxx 50, caiu praticamente 3% em dólares em junho, acumulando alta no ano de apenas 7,6%. Diante disso, o nosso Comitê de Investimentos decidiu reduzir a alocação para ações americanas e aumentar das ações europeias nas carteiras-modelo.
O primeiro debate das eleições presidenciais americanas ocorreu na semana passada. A pedido do Partido Democrata, o debate foi adiantado, em uma tentativa de impulsionar a campanha do atual presidente Joe Biden. No entanto, seu desempenho fraco gerou especulações sobre sua desistência da candidatura e trouxe maior vantagem para Donald Trump, candidato republicano. Com isso, a pauta eleitoral, que só começaria em agosto ou setembro, já se tornou um ponto de monitoramento desde agora.
À medida que avançamos para a segunda metade do ano, os mercados financeiros continuarão a mensurar o crescimento e estabilidade da economia. Os próximos meses serão cruciais para determinar se o otimismo de junho resultará em um rally sustentado ou em uma correção de mercado.
A seguir, confira o vídeo na íntegra:
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