Itaú Blog

Planejar e adaptar é preciso

TenisVesting: entenda como o planejamento sucessório e tributário, assim como o plano de jogo e adaptações constantes, te levam a melhores resultados nos investimentos e nas quadras

Foto do Autor

Andrea Masagão Moufarrege, Team Leader - Investment Funds Specialists

• 8 minutos de leitura

Crédito: Getty Images

Você planeja como jogar para ganhar e faz adaptações ao longo do jogo?

Você planeja os melhores veículos do ponto de vista sucessório e fiscal e se adapta a mudanças?

Deveria!

  • Boa parte das vitórias começa quando entendemos os pontos fortes e fracos do adversário, planejamos a forma de jogar para ganhar e adaptamos o plano ao longo da partida, testando as jogadas e perseguindo as que funcionam melhor.
  • Boa parte dos resultados dos investimentos são frutos não apenas do mercado, mas também de como planejamos as alocações considerando os efeitos sucessórios e fiscais dos produtos financeiros. Planejar-se e adaptar-se constantemente às novas normas legais ou novas realidades de vida evita despesas e traz tranquilidade.

Para os melhores jogadores, o aquecimento começa no cérebro, muito antes do primeiro saque ser dado. Já chegam com o plano de jogo feito e aproveitam as oportunidades desde o início da partida.

No entanto, achar o tempo para descobrir como joga seu adversário e planejar não é fácil. Durante o aquecimento, porém, tem bastante oportunidade de aprendizado para montar um bom plano. Sempre gosto de observar as perguntas que o Brad Gilbert sugere no livro Winning Ugly sugere para aproveitar ao máximo os minutos do aquecimento e aprender sobre o adversário (a):

  • Quando mando a bola no meio, qual o lado que ele(a) escolhe naturalmente?
  • O forehand parece mais firme que o backhand?
  • Ele(a) é ágil para se adaptar a um lob inesperado?
  • Dobra os joelhos no voleio?
  • Como bate quando está em movimento?
  • Dá mais slice ou top spin?
  • O movimento dos braços é longo ou compacto?

Com essas informações dá para montar um bom plano de jogo, revisar nos momentos de troca de quadra e repassar a estratégia ao se preparar para sacar e receber.

Se fosse só isso, o jogo de tênis seria fácil. Mas a verdade é que muitas vezes a estratégia inicial não dá certo, nossas jogadas não entram e os adversários crescem em quadra. Nessa hora, prefiro recorrer aos ensinamentos do Rafael Nadal, que luta a cada ponto para encontrar seu melhor jogo e deu uma aula de adaptação de planejamento na final do Australian Open 2022.

Não faltaram adversidades nesse jogo incrível contra o russo Danill Medvedev, número 2 do Ranking ATP naquela data. Nadal não estava mais entre os top 5 do ranking, era 10 anos mais velho, recuperava-se de lesão, vinha bastante desgastado fisicamente e não jogava em seu piso preferido. Começou jogando mal, traído pelo seu próprio saque e perdeu os dois primeiros sets. Nadal tinha vários fatores para “justificar” uma provável derrota. No entanto, ele fez diferente: conseguiu entender os seus erros, se planejar ponto a ponto e aproveitar as vulnerabilidades de seu adversário. Ele buscou novos caminhos e adaptou o seu jogo. Basicamente, decidiu sair da inércia dos erros que estava cometendo e tratá-los. Dessa forma, mesmo diante de todas as adversidades, conquistou o resultado mais improvável: após mais de 5 horas de partida, Nadal virou o jogo e venceu por 3 sets a 2.

Em 2023, no entanto, no mesmo torneio, enfrentou um adversário mais difícil de vencer, seu próprio corpo. Perdeu na segunda rodada devido a uma lesão no quadril no segundo set.

O investidor organizado enxerga sua carteira estruturalmente e expande o olhar para os aspectos sucessórios e fiscais de cada alocação e entende que:

  • Ativos de liquidez imediata (CDBs Fundos DI), com isenção fiscal para pessoas físicas (LCI, LCA, CRI, CRA, Deb. Inc, FIIs, FIAGROs) devem ser carregados diretamente em sua carteira na pessoa física.
  • Alocações em gestores de multimercado podem agregar mais valor se agrupados em Fundos de Fundos condominiais abertos ou exclusivos para compensar lucros e prejuízos e, em caso de fundos de condomínio fechado, se beneficiar do diferimento de imposto de renda, por conta da inexistência do chamado come-cotas nesse veículo.
  • Alocações de longo prazo podem se beneficiar da menor alíquota de IR em instrumentos de investimento tributados, se carregadas via planos de previdência. Os VGBLs, no regime de tributação regressivo, por exemplo, quando mantidos por mais de 10 anos, sofrem a incidência de apenas 10% de IR sobre o rendimento, sendo que é possível migrar entre fundos de previdência de diversas classes de ativo sem incidência de IOF ou qualquer outro tributo nesse período. Além disso, as alocações em PGBLs ou VGBLs permitem a liquidez imediata em caso de falecimento do titular do plano, pois não é necessário aguardar o término do inventário para que os beneficiários recebam os recursos.
  • Doações para projetos sociais registrados no Fundo da Infância e Adolescência em até 6% do imposto devido podem ser abatidos no imposto de renda. Assim, é possível escolher como parte de seu imposto de renda impacta a sociedade.

"Nada é mais certo neste mundo do que a morte e os impostos." - Benjamin Franklin

Como a afirmação de Benjamin Franklin é uma grande verdade, toda energia dedicada a um bom planejamento sucessório e tributário dentro das normas vale a pena.

A maior complexidade, no entanto, está na adaptação constante que os planos exigem, pois as normas e a vida estão em constante mudança.

Vamos pensar na situação de um pai que acreditava que um testamento asseguraria a máxima eficiência sucessória e fiscal para seus herdeiros para dividir seu patrimônio em proporções iguais. No entanto, ao vislumbrar que uma de suas filhas estava prestes a casar com um estrangeiro e mudar para outro país, esse pai, inteligentemente, adaptou-se. Previu que, após o casamento, a filha ficaria submetida também a legislação estrangeira e sofreria com maiores custos fiscais e de manutenção dos bens. Um testamento padrão poderia acarretar uma redução significativa do patrimônio dessa herdeira em relação a seu irmão, que continuaria residente no Brasil.

Para contornar a situação e atingir seu objetivo de divisão igual de patrimônio entre filhos, esse pai antecipou em vida a transmissão de uma parte de seus bens a essa filha, antes de seu casamento. Em testamento, estabeleceu que o restante de parte da legítima da filha fosse paga em ativos cuja transmissão sofressem menos incidência tributária em processo sucessório mais simplificado em outros países. Títulos como CDB’s, por exemplo, foram ativos escolhidos em detrimento de participações societárias, imóveis e outros ativos financeiros para serem destinados em testamento para ela. Com essa adaptação, o pai aproximou-se mais de seu o objetivo e assistiu mais tranquilo e feliz ao casamento de sua filha.

Em quadra e na vida real, manter-se inerte sem se atentar e atuar sobre mudanças pode colocar a perder resultados e, por vezes, o planejamento ou jogo como um todo. Um bom plano sempre dá espaço para fatores inesperados, é constantemente revisto e, quando necessário, adaptado.

------------

Essa edição do TenisVesting contou com a colaboração de Karen Lie Mizumoto, que além integrar o time de Wealth Planning do Itaú Private Bank, também adora bater uma bolinha.

Adorei a parceria no texto, agora vamos testar a dupla na quadra.

Play! 🎾

O que achou deste conteúdo? 💬

Deixe seu comentário aqui e ajude a construir um TenisVesting cada vez melhor!