Itaú Blog

Powell: juros devem permanecer em nível restritivo por algum tempo

No radar do mercado: Em discurso no simpósio de Jackson Hole, o presidente do Fed, Jerome Powell, reforçou o compromisso de controlar a inflação

Foto do Autor

Itaú Private Bank

• 3 minutos de leitura

Crédito: Getty Images

No discurso no simpósio de Jackson Hole, o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Jerome Powell, repetiu a mensagem que vem passando para o mercado desde o começo do ano: o compromisso de controlar a inflação. Para isso, deve continuar elevando os juros nos próximos meses até chegar a um nível suficientemente restritivo.

Powell mostrou preocupação também com um afrouxamento prematuro da política monetária. Isso porque restaurar a estabilidade dos preços levará tempo e exigirá um período de crescimento abaixo do potencial, com abrandamento das condições do mercado de trabalho. Mas falhar nessa missão significaria um prejuízo muito maior ao país.

Ele reforçou que o tamanho da elevação de juros na reunião de setembro dependerá da evolução dos dados econômicos até lá. Disse que, à medida que a postura da política monetária fique ainda mais restritiva, será apropriado desacelerar o ritmo de alta. Mas deixou uma dúvida se isso acontecerá já na próxima reunião. Vale lembrar que em julho o Fed elevou os juros em 75 pontos-base, e que as apostas para setembro estão divididas entre 50 e 75 pontos base.

Acreditamos que com a desaceleração da atividade e confirmação da moderação da inflação no dado de agosto, é possível que o Fed opte por reduzir o ritmo de alta. Mas, diferentemente do mercado, achamos que a taxa terminal pode ser mais elevada e que não há espaço para quedas no ano que vem.

Como esperado, núcleo do PCE dos EUA desacelera em julho

O núcleo do Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, que exclui os itens mais voláteis, como alimentos e energia, teve uma alta mensal de 0,1% em julho, desacelerando frente ao resultado anterior (0,6%) e levemente abaixo das expectativas do mercado (0,2%).

Vale lembrar que o indicador é uma das referências usadas pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano) em suas decisões de política monetária.

Na comparação anual, a alta é de 4,6%, desacelerando frente ao registrado em junho (4,8%) e abaixo das projeções (4,7%).

O indicador “cheio” do PCE, teve uma retração de 0,1%, enquanto o consenso era de estabilidade (0%) e apresentou uma forte desaceleração na comparação com o resultado de junho (1%), por conta da queda nos preços da gasolina. Na base anual, também houve uma desaceleração, de 6,8% para 6,3%, ligeiramente abaixo das expectativas do mercado (6,4%).

A elevação dos gastos dos consumidores recuou de 1,0% para 0,1%, abaixo das projeções (0,5%). Já o gasto real dos consumidores (ajustado pela inflação) variou 0,2%, enquanto a expectativa era de 0,4%.

Apesar das leituras mais baixas de inflação em julho, Powell destacou em seu discurso que a melhora de um único mês fica muito aquém do que o Comitê precisará ver antes de estar confiante de que a inflação está controlada.