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Prejuízos e pontos perdidos

TenisVesting: nas quadras e nos investimentos, perder dói mais que comemorar vitórias e lucros. Entenda por quê

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Andrea Masagão Moufarrege, Team Leader - Investment Funds Specialists

• 5 minutos de leitura

Crédito: Getty Images

Não tem nada na vida como ganhar! Ganhar jogo duro e com rivalidade, então, é o máximo. Mas por que será que sentimos mais profundamente quando erramos e perdemos do que quando ganhamos?

Foi estudando sobre finanças comportamentais, um dos campos mais fascinantes do mundo dos investimentos, que comecei a entender sobre a intensidade do sentimento negativo que as perdas e erros me geram na quadra.

Esse campo de estudo foi aprofundado e ganhou destaque com o trabalho dos economistas Daniel Kahneman e Amos Tversky na década de 1980. A Teoria da Perspectiva (Prospect Theory) lhes rendeu o Prêmio Nobel em 2002. A teoria explica, a partir da psicologia cognitiva, como as pessoas escolhem entre alternativas que envolvem risco e como vieses comportamentais influenciam a tomada de decisão em investimentos. Os vieses são diversos, atuam em todos os campos de decisão, e a melhor forma de reduzir seus impactos é reconhecer que eles existem e identificar quando atuam para evitar que comandem nossas decisões.

Foi quando estudei sobre o viés conhecido como Efeito Disposição que entendi porque aquele smash que errei depois de ter construído tão bem o ponto me dá pesadelos à noite. Este viés trata da tendência que os investidores têm em manter por mais tempo em carteira ativos “perdedores” e vender rapidamente ativos “ganhadores”. De maneira geral, preferimos o conforto psicológico de torcer pela valorização de ativos do que reconhecer a realidade de que eles possam não voltar a se valorizar, mesmo que os fundamentos que nos fizeram comprá-los tenham se alterado.

Realizar a perda ou a simples perspectiva de realizar um prejuízo dói muito mais que a satisfação de realizar um lucro. Esse sentimento leva até investidores profissionais muito experientes a tomarem decisões erradas.

O jogo de tênis é formado por uma sequência de pontos com uma forma de contagem muito peculiar, que torna pontos mais ou menos importantes ao longo do jogo. Como lidamos com cada ponto e, em especial com cada erro, faz uma diferença enorme no próximo ponto e por consequência no jogo.

Adoraria que na minha mente houvesse a tecla Delete do meu teclado para ativar quando erro, mas nosso cérebro é mais inteligente e grava a ação em uma tentativa de evitar que ocorra novamente. Acabamos dando muita atenção a esse registro e entramos em um processo ruim de medo de não errar de novo e entramos em um estresse não construtivo. Isolar a frustração tentando esquecer é uma boa forma de proteger o próximo ponto de nós mesmos, mas o ideal é conseguir entender rapidamente a origem do erro e corrigir a estratégia ao longo do jogo.

É muito mais fácil falar do que fazer, porque, na verdade, meu sonho mesmo é que a função Ctrl Z (Undo) do meu computador funcionasse quando erro na quadra ou na minha carteira de investimentos.

O mercado de investimentos é muito dinâmico. É preciso tomar decisões com base em hipóteses e atribuir probabilidades a cenários para acompanhar a velocidade que o mercado exige. Os erros são inerentes ao processo. O bom investidor aprende rapidamente com seus os erros, realoca dinamicamente suas posições, reconhece seus vieses e não se culpa.

É bem difícil encontrar generalizações que se apliquem a todas as situações em investimentos e no tênis, mas essas valem:

📈 nos investimentos: focar sempre no cenário que se desenha à frente.

🎾 no tênis: pegar a bola sempre na frente.

Play!