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Produção industrial brasileira recua em agosto

No Radar do Mercado: setor eliminou a alta de mesma magnitude registrada no mês anterior; nos EUA, ISM de serviços desacelerou em setembro

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Crédito: Getty Images

A Pesquisa Industrial Mensal (PIM) de agosto apontou um recuo mensal de 0,6% na produção nacional, eliminando a alta de mesma magnitude registrada no mês anterior, mas em linha com as expectativas do mercado.

Frente a agosto de 2021, a indústria cresceu 2,8%, após dois meses consecutivos de queda. Porém, o setor ainda se encontra 1,5% abaixo do patamar pré-pandemia (de fevereiro de 2020).

Duas das quatro grandes categorias econômicas retraíram no mês: bens de consumo semi e não duráveis e bens intermediários, ambas eliminando parte dos avanços do mês anterior.

Apesar do total da indústria mostrar perda, ela foi mais concentrada em poucas atividades industriais pesquisadas: oito das 26 recuaram em agosto. As influências negativas mais importantes vieram de setores com grande peso na produção, como coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, produtos alimentícios e indústrias extrativas.

A leitura segue apontando para uma desaceleração da atividade econômica no segundo semestre. Também esperamos outra queda nas vendas no varejo em agosto, que serão divulgadas na próxima sexta-feira. Já o nosso tracker (estimativa de alta frequência) para o PIB do 3T22 permaneceu em 0,2% tri/tri.

ISM de serviços desacelerou nos EUA em setembro

O índice do Instituto de Gerência de Oferta (ISM, em inglês) de serviços americano desacelerou de 56,9 para 56,7 pontos em setembro. No entanto, o resultado ficou bem acima das projeções, que apontavam queda para 56,0.

A desaceleração foi ampla entre os componentes, que, no geral, seguem indicando expansão, ainda que em menor ritmo. Novos pedidos continuaram em queda, enquanto indicadores relacionados a problemas na cadeia produtiva mantiveram trajetória de arrefecimento. O índice de preços recuou pelo quinto mês consecutivo, mas segue em alto nível (68,7 pontos). Já o tempo de entrega dos fornecedores está no menor patamar dos últimos dois anos.

De maneira geral, a leitura indica resiliência do setor, reforçando a leitura do Federal Reserve (Fed, banco central americano) de uma economia sólida, ainda que em desaceleração. Agora, as atenções se voltam para a divulgação do relatório de folha de pagamentos, o Payroll, que acontece na próxima sexta-feira e oferecerá ao Fed uma visão do estado do mercado de trabalho do país antes de seu próximo encontro no início de novembro.

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