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Quais são as fronteiras dos seus investimentos?

TenisVesting: É muito mais fácil para o investidor do que para o tenista brasileiro se internacionalizar. Então, se você não começou ainda nessa jornada, crie coragem

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Andrea Masagão Moufarrege, Team Leader - Investment Funds Specialists

• 4 minutos de leitura

Crédito: Shutterstock/Getty Images

Sou economista e trabalho no mercado financeiro há mais de 20 anos, com experiência em análise de cenários e aconselhamento em investimentos para pessoas físicas. Também jogo tênis há quase o dobro desse tempo. Sou uma tenista amadora dedicada que, acima de tudo, ama o esporte pela sua completude de desafios de precisão técnica, resistência física e resiliência mental.

Quanto mais me aprofundo nesses dois mundos, mais percebo a semelhança nas características de investidores e tenistas bem-sucedidos no longo prazo. Por isso, em comemoração à Semana Mundial do Investidor 2022 (WIW), promovida pela Organização Internacional das Comissões de Valores (IOSCO) de 3 a 9 de outubro, compartilho aqui insights das quadras, que podem te ajudar a investir melhor.

Como já dizia Harry Markowitz, prêmio Nobel de economia em 1990: "Diversificação é o único almoço grátis nos investimentos". O mercado brasileiro é apenas uma pequena fração do mercado global. Os ganhos potenciais que a diversificação internacional oferece aos investidores brasileiros são enormes.

Por que, então, o brasileiro ainda concentra tanto seus investimentos no Brasil?

Crédito: Itaú Private Bank

O viés doméstico (Home Bias, em inglês) não acomete apenas a nós, brasileiros. Porém, apesar de ser encontrado em investidores de todos os países, é bastante profundo por aqui por conta do alto custo de oportunidade dos juros locais e complexidade relativa do mercado internacional em relação ao doméstico.

Felizmente, vimos nos últimos anos evoluções importantes no mercado que simplificaram e democratizaram muito o acesso do investidor ao mercado internacional. Por outro lado, a retomada do alto patamar de taxas de juros continua inibindo a decisão de diversificar riscos por meio dos mercados no exterior.

Para colocarmos em perspectiva de tênis, diria que a diferença de amplitude de oportunidades do mercado local em relação ao internacional é maior do que a diferença de relevância entre o Rio Open e Roland Garros, tanto para quem joga quanto para quem assiste.

O fato de os ativos internacionais serem cotados em outras moedas ajuda muito na diversificação porque em momentos de crise (no Brasil e no mundo) as moedas mais fortes como o Dólar e o Euro tipicamente se fortalecem contra o Real, trazendo o efeito desejado de correlação negativa entre ativos, isto é, quando um ativo sobe o outro cai e vice-versa. Na prática, a decisão de diversificação internacional não deveria depender do patamar da taxa de câmbio, mas do quanto de exposição o investidor já tem no exterior e de sua tolerância a volatilidade.

Os custos financeiros e pessoais da decisão de treinar e competir fora do Brasil para evoluir no tênis não são baixos. No entanto, jogadores em formação têm chances muito pequenas de sucesso profissional se permanecerem por aqui. Por isso, jovens talentos brasileiros buscam incessantemente oportunidades para acessar a infraestrutura para treinos e torneios nos Estados Unidos e Europa. Este acesso dá oportunidades não apenas de êxito nas quadras, mas também abre portas de acesso às universidades no exterior. Porém, o caminho é duro e incerto.

Diria que hoje é muito mais fácil para o investidor do que para o tenista brasileiro se internacionalizar. Então, se você investidor não começou ainda nessa jornada, crie coragem!

É muito mais fácil e mais barato do que a jornada que brasileiros juvenis excepcionais como João Fonseca, carioca de 15 anos, e Ana Candiotto, paulista de 18 anos, escolheram trilhar.

Torço muito para que a decisão de vida deles me orgulhe tanto quanto o Guga Kuerten e, mais recentemente, a Bia Haddad.

Quer começar e diversificar sua carteira internacionalmente e não sabe como? Além das remessas internacionais, os ETFs, BDRs e Fundos com exposição no exterior facilitam muito a vida.

Play! 🎾