Qual é o impacto dos juros em alta nos EUA?
Marcio Brito, Head Investor do Banco Itaú International, analisa os mercados globais em setembro, mês marcado pela primeira alta de juros pelo Federal Reserve em três anos
Por Itaú Private Bank
Setembro foi marcado pela retomada da alta de juros nos Estados Unidos. O Federal Reserve elevou a taxa básica em 25 pontos-base, para o intervalo entre 3,75% e 4%, e as projeções da instituição passaram a indicar mais uma alta até o fim do ano.
A decisão ocorreu em um contexto de atividade econômica resiliente. As vendas no varejo avançaram 1,2% em agosto, enquanto a escalada do conflito com o Irã levou o preço do petróleo Brent de cerca de US$ 90 para mais de US$ 100 por barril.
Taxas sobem nos principais mercados
A combinação de juros mais altos e atividade econômica resistente impulsionou os rendimentos dos títulos públicos em diversas regiões. Nos Estados Unidos, a taxa do Treasury de 10 anos avançou cerca de 50 pontos-base no mês, alcançando níveis próximos de 5,25%, o maior patamar desde 2007. O movimento também foi observado em outros mercados desenvolvidos. No Japão, a taxa de 10 anos encostou em 3%, enquanto o spread entre os títulos da França e da Alemanha retornou a níveis observados em 2012.
Bolsas mostram resiliência, ouro recua
Apesar da alta das taxas, os mercados acionários mantiveram desempenho resiliente. O S&P 500 encerrou setembro praticamente estável e acumula valorização próxima de 12% no ano. A Nasdaq segue beneficiada pelo tema de inteligência artificial e registra alta de cerca de 15% em 2026. Já o ouro perdeu força ao longo do mês, pressionado pela combinação de juros elevados e valorização do dólar.
Nosso posicionamento
Na nossa visão, o mercado pode ter exagerado nessa subida de taxas. Os preços atuais sugerem uma taxa neutra acima de 6%, acima dos 3,2% estimados pelo próprio Fed. Se essa leitura estiver correta, os juros podem permanecer elevados por mais tempo, pressionando títulos e ativos mais sensíveis às taxas; se estiver exagerada, há espaço para queda dos juros e valorização desses ativos. Na renda fixa, estamos acima do peso em Treasuries de 3 a 7 anos. Em crédito, somos seletivos, porque os spreads estão apertados. Em ações, nossos modelos favorecem mais exposição e voltamos a ficar overweight.
O que acompanhar
Em outubro, a atenção dos investidores estará voltada para os dados de emprego e inflação dos Estados Unidos e para a próxima reunião do Federal Reserve. Também seguem no radar os desdobramentos do mercado de petróleo e a situação fiscal e política na França, fatores que continuam influenciando as perspectivas para os juros globais.