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Qual será o futuro do dólar e da ordem monetária global

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Itaú Private Bank

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Insights com o historiador Niall Ferguson
Crédito: Itaú Private Bank

Aconteceu na segunda-feira, 17/04, o Itaú Asset Day, em São Paulo. Durante o evento, nossos clientes puderam conferir as visões dos gestores da Itaú Asset sobre os mercados. Entre os convidados, Niall Ferguson, um dos maiores historiadores do mundo, trouxe sua perspectiva para o futuro do dólar.

A seguir, confira os principais destaques do painel.

A dominância do dólar americano

  • A pergunta de curto prazo tem sido sobre o preço do dólar, mas a questão mais relevante no longo prazo para economistas e historiadores está relacionada à relevância e manutenção da dominância do dólar no mundo.
  • O euro e yuan ganham importância pela relevância das regiões em comércio, mas a moeda chinesa vai encontrar dificuldade para ser dominante, pois não é conversível (e o governo teme uma enorme fuga de capitais do país caso isso mude).
  • O economista Barry Eichengreen faz um contraponto ao indicar que o yuan pode se tornar dominante, já que muitos países têm um grande volume de recebíveis nessa moeda devido ao tamanho do comércio com a China.
  • O yuan representa hoje o que foi dólar de 1950-1960, período em que a moeda “roubou” a dominância da libra esterlina gradativamente. Atualmente, a economia dos EUA não está forte e enfrenta grandes desafios fiscais, uma situação semelhante à enfrentada pela Grã-Bretanha naquela fase.

EUA vs. China: uma segunda guerra fria

  • Economia e geopolítica estão mais relacionadas do que a maioria imagina e devem sempre ser analisadas em conjunto. A China é o rival econômico mais formidável que os EUA já enfrentaram. Estamos vivendo uma segunda Guerra fria entre os dois países.
  • O ex-secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, prevê inclusive que essa segunda guerra será bem mais complexa do que a primeira.
  • Até mesmo as questões climáticas estão se tornando uma questão de Guerra Fria. A China é responsável por 64% do aumento de 32% nas emissões de CO2 desde 2003 e 93% da alta de 39% no consumo de carvão.
  • A invasão russa trouxe o Ocidente de “volta a vida”. A Ucrânia é o país que ocupa o papel que a Coreia ocupou na Guerra Fria entre EUA e Rússia.
  • Os mísseis de Cuba são representados hoje pelos semicondutores produzidos em Taiwan.
  • A guerra na Ucrânia provavelmente será seguida por crises no Oriente Médio (Irã) e Extremo Oriente (Taiwan).
  • O ChatGPT chegou mostrando seu poder, e é na dominância das tecnologias de inteligência artificial que a hegemonia americana pode continuar.
  • O futuro do dólar depende de inteligência chinesa na gestão da convertibilidade de sua moeda e de como os americanos irão gerenciar sua política externa, especialmente a política imigratória.

A seguir, assista ao painel na íntegra (em inglês):