TenisVesting: insights das quadras para te ajudar a investir
Quanto mais me aprofundo no mundo do tênis e dos investimentos, mais percebo a semelhança entre investidores e tenistas bem-sucedidos no longo prazo
Por Andrea Masagão Moufarrege, Team Leader - Investment Funds Specialists
Sou economista e trabalho no mercado financeiro há mais de 20 anos, com experiência em análise de cenários e aconselhamento em investimentos para pessoas físicas. Também jogo tênis há quase dobro desse tempo. Sou uma tenista amadora dedicada que, acima de tudo, ama o esporte pela sua completude de desafios de precisão técnica, resistência física e resiliência mental.
Quanto mais me aprofundo nesses dois mundos, mais percebo a semelhança nas características de investidores e tenistas bem-sucedidos no longo prazo. Por isso, decidi compartilhar insights das quadras que podem te ajudar a investir melhor e do mercado que podem te fazer jogar melhor.
🎾 Play!
Classes de ativo alternam em desempenho em ciclos mais longos
Para começar, se eu tivesse que escolher apenas dois entre a centena de conceitos importantes para entender bem e montar uma boa carteira de investimentos para o longo prazo seriam esses: Reserva de Emergência e Alocação de Ativos.
É quase como o forehand e o backhand, impossível jogar bem sem eles. Claro que o saque também e importante, mas a regra permite sacar por baixo se for necessário.
A reserva de emergência é a parcela de seu patrimônio que te permite manter suas necessidades básicas por um tempo razoável em casos de imprevisibilidades da vida como acidentes, doenças ou desemprego. A reserva é essencial, pois além de preservar seu padrão de vida atual, te protege de ser forçado a vender posições em momentos ruins de mercado.
No caso da maioria dos tenistas é aquele forehand com spin, que você controla, que coloca lá no fundo da quadra, no lado que faz mais sentido a cada momento e que te deixa no ponto, pronto para as oportunidades de ataque.
A alocação de ativos é como você combina os diversos ativos na sua carteira. É o bom e velho “não colocar os ovos na mesma cesta”, mas com a sofisticação de entender como cada ativo se comporta em relação ao outro, buscando sempre uma complementariedade entre eles.
O principal fator para se ganhar o jogo nos investimentos no longo prazo é uma alocação de ativos bem balanceada e revisada regularmente com disciplina. No tênis, quanto mais golpes o jogador ou jogadora dominar mais forte ele se torna: não vai usar todos os golpes em todos os pontos, mas vai perder pontos ou grandes oportunidades se não dominar e decidir bem quando usar cada golpe.
Perseguir uma alocação robusta e resiliente a qualquer cenário é a saga diária dos investidores. Alguns poucos, como o Ray Dalio, atingem a maestria nessa mistura de técnica e arte que o mercado exige. Treinar para ter o forehand do Federer, o backhand spin do Guga, o backhand slice da Graf, o voleio na Navratilova e saque da Serena é a saga dos jogadores e jogadoras, ou pelo menos da minha, o que já revela para vocês alguns de meus heróis na quadra.