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Veja nossa primeira revisão de cenários local e global de 2023

No Radar do Mercado: divulgamos nossos cenários atualizados, diante do desafio fiscal local e da desaceleração global; no Brasil, ministério da Fazenda anunciou plano para reduzir o déficit primário estimado para 2023

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Itaú Private Bank

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Crédito: Getty Images

O ministro da Fazenda, Fernand Haddad, anunciou medidas fiscais que visam compensar o aumento das despesas no orçamento de 2023. O impacto fiscal seria de até R$ 243 bilhões, o que poderia levar o resultado primário de um déficit de 2,2% do PIB para um superávit de 0,1% ao final do ano. Vale ressaltar, porém, que há incerteza do impacto efetivo de algumas medidas. Por isso, Haddad estabeleceu como objetivo perseguir um déficit primário entre -1,0% a -0,5% do PIB neste ano.

Entre as medidas, está o uso de recursos parados em um antigo fundo do PIS/Pasep (0,2% do PIB ou R$ 23 bilhões), além de um programa de renegociação de dívidas com incentivos à redução de litígios e incentivo à redução da litigiosidade no Carf (0,7% do PIB ou R$ 70 bilhões) e a proibição da inclusão do ICMS na base de cálculo das deduções do PIS/Cofins (0,3% do PIB ou R$ 30 bilhões).

Há ainda medidas que precisam ser confirmadas, como a volta dos impostos federais sobre a gasolina em março (0,3% do PIB ou R$ 29 bi) e um aumento menor de gastos em relação ao aprovado na chamada PEC da Transição (0,5% do PIB ou R$ 50 bilhões). Por fim, o anúncio não propôs a revisão dos cortes do IPI ou das deduções de Imposto de Renda (IRPF).

Revisão de Cenário – Brasil: desafio fiscal crescente

A PEC da Transição implica um aumento significativo no gasto público em 2023. Estimamos superávit primário de 1,1% do PIB em 2022, déficit de 1,6% em 2023, déficit de 0,9% em 2024 e dívida bruta em 74%, 78% e 80% do PIB, respectivamente. O resultado para 2023 pode ser pontualmente melhor do que o esperado dependendo do sucesso do pacote fiscal anunciado.

Os dados correntes apontam para uma contração da economia no 4T22. Revisamos nossa projeção de crescimento do PIB de 2022 de 3% para 2,8% e esperamos um PIB de 0,9% em 2023.

Os preços administrados devem acelerar com a volta integral da cobrança de PIS/Cofins sobre a gasolina. Assim, esperamos que o IPCA acumule alta de 5,8% em 2023 e 3,7% em 2024.

Quanto à taxa Selic, continuamos esperando manutenção do patamar atual até o quarto trimestre de 2023, quando projetamos redução para 12,50% ao ano. Mantemos a projeção de 10,00% a.a. ao final de 2024.

Leia o relatório completo.

Revisão de Cenário – Global: desaceleração sem recessão

O arrefecimento da inflação global permitiu que os bancos centrais chegassem perto do fim do ciclo de aperto monetário. Com juros mais elevados, a atividade global deve desacelerar, mas não entrará em recessão.

Nos EUA, o crescimento segue resiliente e o mercado de trabalho está firme. O Federal Reserve (Fed, BC americano) manterá os juros em 5,1% este ano para atingir a meta de inflação e começar a cortar em 2024. Na Europa, o cenário deve ser de recessão, porém mais moderada do que se esperava e com perspectiva favorável para o gás natural.

Na China, o PIB deve crescer 4,8% em 2023, em meio à reabertura econômica e ao apoio às incorporadoras. Na América Latina, após o segundo ano consecutivo de crescimento acima do potencial, economias devem avançar em ritmo mais fraco neste ano e sem cortes de juros no curto prazo.

Leia o relatório completo.

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