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Vossa majestade: a grama

TenisVesting: quadras de grama e investimentos em Private Equity; exclusividade de acesso que, com visão de longo prazo, geram retornos e e vitórias

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Andrea Masagão Moufarrege, Team Leader - Investment Funds Specialists

• 4 minutos de leitura

Crédito: Shutterstock

Junho de 2023 foi especial. Tive a oportunidade de jogar tênis em quadra de grama e assistir ao ATP 500 Queens, um dos torneios mais tradicionais da temporada de grama, que antecede o tradicionalíssimo Grand Slam Wimbledon em Londres.

Jogar na grama é difícil, mas encantador. Por mais bem cuidada que a quadra esteja, a bola pinga mais baixo e de forma irregular. Assim, a movimentação de pernas, a flexão dos joelhos e a agilidade para ajustes rápidos ganham grande importância. A bola anda mais e os pontos tendem a ser mais rápidos. Dessa forma, jogadas mais agressivas, golpes como o slice e a combinação de saque e voleio trazem grande vantagem.

Além de toda tradição, o que mais me encantou no jogo na grama foi a importância da adaptabilidade, a velocidade de tomada de decisão de jogada e a variedade de golpes.

Como tudo na vida: a prática constrói a perfeição. A cada jogo, aprendi um pouco e assisti de muito perto o campeão do torneio Carlos Alcaraz também evoluir seu jogo na grama a cada partida. A primeira rodada foi muito dura e ele sofreu para ganhar no tie breaker do terceiro set do francês Arthur Rinderknech, 82º do mundo, que veio do qualifyng. A cada rodada ele mostrava mais domínio da grama, impondo seu jogo com muita intensidade e variedade de golpes. Não perdeu mais nenhum set até conquistar o título, vencendo Alex de Minaur na final. Continua arrasando, em Wimbledon 2023 continua firme e já está nas semi-finais até a data dessa publicação.

Por mais destaque que os grandes jogadores tenham, na grama eles concorrem com uma protagonista especial: a quadra. Os cuidados necessários, a escassez e a aura em torno da grama imperam. Em Wimbledon, a grama é aparada diariamente a 8 milímetros e molhada todos os dias a noite. Merece sem dúvida a reverência do uso exclusivo do branco para manter tudo perfeito.

Essa exclusividade das quadras de grama me remete a uma classe de ativos de investimentos que também é menos acessível pela sua complexidade, mas que oferece grande potencial de retorno quando executada com maestria em horizonte de investimento de longo prazo. São os investimentos em Private Equity.

Eles envolvem a compra de participação societária em empresa de capital fechado, na maioria das vezes, com o objetivo de alavancar o crescimento e lucratividade da companhia até que esteja pronta para abrir seu capital ou ser incorporada por outra companhia a preços muito superiores. Apesar de serem investimentos pouco líquidos e arriscados por natureza, investimentos em Private Equity, especialmente via fundos diversificados, reduzem o risco total da carteira no longo prazo, pois essa classe tem uma correlação baixa com ativos tradicionais de renda fixa e renda variável.

De forma simplificada, as estratégias desses fundos podem ser classificadas como Venture Capital ou Buy Out.

Estratégias de Venture Capital (VC) acessam empresas em fase inicial de desenvolvimento com alto potencial de crescimento, mas sem capital ou histórico para atrair investidores mais tradicionais. Os investidores contribuem com conhecimento e capital para impulsionar essas empresas em seu processo de valorização.

Já as estratégias de Buy Out, ou até de Leveraged Buy Out (LBO), que usam dívidas para melhorar a operação da empresa antes da venda, são aplicadas em empresas mais maduras com o objetivo de compra de controle para venda posterior com lucro.

Todas as estratégias de Private Equity têm em comum um ciclo de vida marcado por um período de investimento e outro de desinvestimento, quando os retornos começam a aparecer. Os gráficos de retorno no tempo se parecem com a letra J, com uma barriga para baixo seguido por um vetor para cima (curva J). As medidas de retorno podem ser analisadas pelo método de TIR (Taxa Interna de Retorno), que calcula o retorno em períodos específicos, ou MOIC (Multiple on Invested Capital), que indica quantas vezes o capital investido foi multiplicado.

A visão de longo prazo ganha o jogo por capturar os retornos superiores que os investimentos em Private Equity proporcionam. Não me parece uma coincidência que essa visão também produza grandes campeões na grama.

“Hoje você está ótimo, amanhã não está, e de repente você está ótimo novamente. Isso rende boas histórias. Agora, sempre olho para o longo prazo e, ao fazer isso, consigo manter a calma durante a tempestade.” - Declaração de 2017 de Roger Federer, vencedor de 19 títulos da ATP na grama, sendo 10 Halle Open e 8 Wimbledon.

Vídeo da quadra central de Wimbledon em 2023, quando Federer foi ovacionado pela plateia.

Dicas:

📉 Asset Allocation with Private Equity, Arthur Korteweg, University of Southern California

🎾About the grass courts at Wimbledon, Wimbledon.com

🇧🇷 Força para os brasileiros que continuam firmes em Wimbledon 2023, seja em duplas ou em simples, até a data dessa publicação:

👊🏻 Bia Haddad Maia, Luísa Stefani, Ingrid Martins, Marcelo Melo, Thiago Monteiro, Rafael Matos, João Fonseca. 👊🏻

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