Como calcular o preço de venda dos seus produtos ou serviços sem perder dinheiro

Aprenda como calcular o preço de venda dos seus produtos ou serviços considerando custos, despesas, impostos e margem de lucro, garantindo uma operação sustentável e rentável para o seu negócio.

Por Itaú Empresas

5 minutos de leitura
Pessoa analisando documentos financeiros e comprovantes impressos sobre uma mesa, enquanto utiliza uma calculadora e segura uma caneta para realizar cálculos e conferências de valores.

Saber como calcular o preço de venda é uma das habilidades mais críticas para qualquer empresário, e uma das mais negligenciadas. A maioria dos negócios que fecha nos primeiros anos não fechou por falta de cliente.

Fechou porque nunca cobrou o suficiente para se sustentar.

Precificar por intuição, copiando o concorrente ou simplesmente adicionando uma margem genérica ao custo do produto, são práticas comuns que funcionam até o momento em que os custos sobem, a concorrência aumenta ou a margem acumulada já não cobre mais as despesas fixas.

O preço de venda correto não é o mais alto que o mercado aceita, nem o mais baixo para ganhar cliente. É o que garante que a empresa cobre todos os seus custos, remunera o trabalho do empresário e ainda gera lucro suficiente para crescer.

Leia também: Modelos de preço: o que são e como elaborar para o seu negócio

Antes de calcular o preço de venda: entenda todos os seus custos

O erro mais comum na precificação é considerar apenas o custo direto do produto e ignorar todas as outras despesas que o negócio tem para funcionar. Um produto que custa R$ 20 para ser fabricado não pode ser vendido por R$ 30 só porque a margem parece razoável.

Os custos de um negócio se dividem em três categorias que precisam estar mapeadas antes de qualquer cálculo de preço.

Custos variáveis

São os que variam diretamente com a produção ou venda: matéria-prima, embalagem, frete, comissão de vendedores e impostos sobre a receita. Eles sobem quando a empresa vende mais e caem quando vende menos.

O ponto crítico é que os impostos sobre a venda são um custo variável, e precisam estar no cálculo do preço desde o início. Uma empresa no Simples Nacional que vende R$ 100 mil por mês pode ter alíquota efetiva entre 6% e 14% dependendo do faturamento acumulado e do setor.

Custos fixos

São os que existem independentemente do volume de vendas: aluguel, folha de pagamento, contador, internet, sistema de gestão, pró-labore do sócio. Eles precisam ser cobertos mesmo quando as vendas caem.

Para incluir os custos fixos no preço de venda, é preciso definir o volume mínimo de vendas esperado no mês e rateá-los por unidade. Se a empresa tem R$ 15 mil de custo fixo mensal e vende 500 unidades, cada unidade precisa cobrir R$ 30 de custo fixo além do custo variável.

Margem de lucro desejada

A margem de lucro é o que sobra depois de cobrir todos os custos. Ela precisa remunerar o capital investido, financiar o crescimento da empresa e criar reserva para imprevistos.

Não existe uma margem certa para todos os negócios. O parâmetro é o retorno que justifique o risco e o esforço do negócio. Uma margem líquida de 5% em varejo de alto volume pode ser excelente. Em consultoria ou serviços especializados, abaixo de 20% é preocupante.

Leia também: 5 indicadores de fluxo de caixa essenciais para sua empresa

Tipo de custos Exemplos
Custos variáveis Matéria prima, frete, comissão, impostos sobre venda
Custos fixos Aluguel, folha de pagamento, contador, sistemas
Margem de lucro Valor destinado ao retorno do negócio e reivestimentos

Como calcular o preço de venda pelo método do Markup

O Markup é o método mais utilizado no varejo e na indústria. Ele parte do custo direto do produto e aplica um multiplicador que cobre os custos variáveis percentuais (impostos, comissões), os custos fixos rateados e a margem de lucro desejada.

A fórmula do Markup divisor é: Markup = 1 / (1 - (percentual de custos variáveis + percentual de custos fixos + margem desejada) / 100).

Exemplo prático: uma empresa com 10% de impostos sobre a venda, 5% de comissão, 15% de rateio de custos fixos e margem desejada de 20% tem um Markup de 1 / (1 - 0,50) = 2,0. Um produto que custa R$ 50 para produzir precisa ser vendido por R$ 100.

O Markup precisa ser recalculado sempre que os custos mudam. Uma empresa que calcula o Markup uma vez e usa por dois anos está precificando com dados defasados.

Como calcular o preço de venda de serviços

Produtos Serviços
Baseado no custo unitário Baseado no custo da hora
Inclui matéria-prima Inclui tempo e conhecimento
Estoque influencia o preço Capacidade de atendimento influencia o preço
Produto escalável  Horas disponiveis limitam a capacidade

Serviços não têm custo de produto, mas têm custo de hora trabalhada. O ponto de partida é calcular quanto custa uma hora da empresa: some todos os custos mensais (fixos e a remuneração do prestador), divida pelas horas disponíveis para venda no mês e aplique a margem.

Um erro muito comum em serviços é não considerar as horas não faturáveis, como prospecção, reuniões internas, capacitação e gestão. Se o prestador trabalha 160 horas por mês mas apenas 80 são faturáveis, o custo de hora precisa ser calculado sobre as 80 horas, não sobre as 160.

Outro ponto relevante é o valor percebido pelo cliente. Em serviços especializados, o preço baseado apenas em horas frequentemente subestima o valor entregue. Um consultor que resolve em 4 horas um problema que custaria R$ 50 mil à empresa não deve cobrar por 4 horas. Deve cobrar pelo resultado.

Ponto de equilíbrio: a base para precificar com segurança

O ponto de equilíbrio é o volume mínimo de vendas que a empresa precisa fazer para cobrir todos os custos. Abaixo dele, opera no prejuízo. Acima, começa a gerar lucro.

Para calcular o ponto de equilíbrio em unidades: divida os custos fixos mensais pela margem de contribuição unitária (preço de venda menos custos variáveis por unidade). Se os custos fixos são R$ 20 mil e a margem de contribuição por unidade é R$ 40, a empresa precisa vender 500 unidades por mês para equilibrar as contas.

O ponto de equilíbrio precisa ser revisado sempre que o preço ou os custos mudam. É o principal parâmetro para avaliar se o preço atual é sustentável.

Leia também: Gestão de fluxo de caixa: controle financeiro para empresas

Erros mais comuns ao calcular o preço de venda

Erro Consequência
Ignorar custos fixos Margem insuficiente
Não incluir pró-labore Remuneração inadequada do empresário
Não atualizar Markup Preços defasados
Copiar o concorrente Preço incompatível com a estrutura de custos
Ignorar a inadimplência Fluxo de caixa comprometido

Como o Itaú Empresas ajuda na gestão financeira da precificação

Calcular o preço de venda certo exige ter clareza sobre todos os custos do negócio. Isso começa com a separação das finanças pessoais e empresariais e com uma conta PJ que permita acompanhar entradas e saídas com precisão.

O Itaú Empresas oferece conta PJ com ferramentas de gestão financeira, além de soluções de crédito para capital de giro quando a empresa precisa de fôlego para ajustar a operação sem comprometer o preço.

Saber como calcular o preço de venda com método é o que separa o negócio que sobrevive do que cresce. Conheça as soluções do Itaú Empresas e estruture o financeiro do seu negócio com a base que ele precisa.

Leia também: Conta PJ: vantagens de ter uma conta empresarial no Itaú

FAQ – Como calcular o preço de venda

Como calcular o preço de venda?

Para calcular o preço de venda corretamente, é preciso somar os custos variáveis, considerar o rateio dos custos fixos, incluir os impostos sobre a venda e definir a margem de lucro desejada. Com essas informações, é possível aplicar um método de precificação, como o Markup, para chegar a um valor que cubra os custos e gere retorno para a empresa.

O que é Markup?

Markup é um índice utilizado para calcular o preço de venda de um produto ou serviço a partir dos seus custos. Ele considera despesas como impostos, comissões, custos fixos e a margem de lucro desejada, ajudando a definir um preço que seja financeiramente sustentável para o negócio.

Como calcular o preço de um serviço?

O preço de um serviço deve considerar o custo da hora de trabalho, as despesas da empresa, os impostos e a margem de lucro esperada. Também é importante levar em conta as horas que não são faturadas, como reuniões, planejamento e atividades administrativas, para que o valor cobrado represente o custo real da operação.

Qual é a diferença entre margem de lucro e Markup?

A margem de lucro representa o percentual que sobra para a empresa depois de descontados todos os custos e despesas. Já o Markup é um método utilizado para formar o preço de venda, considerando custos, despesas e a margem desejada. Em outras palavras, o Markup ajuda a definir o preço, enquanto a margem mostra o resultado obtido com esse preço.

Como saber se estou vendendo abaixo do custo?

Uma empresa pode estar vendendo abaixo do custo quando o preço de venda não é suficiente para cobrir custos variáveis, custos fixos, impostos e a remuneração esperada do negócio. Se, mesmo com boas vendas, o caixa permanece apertado ou a empresa não consegue gerar lucro, vale revisar a estrutura de custos e a política de precificação.

Como definir uma margem de lucro?

A margem de lucro deve ser definida considerando o setor de atuação, os custos da empresa, o nível de concorrência e os objetivos do negócio. Não existe um percentual ideal para todas as empresas. O importante é que a margem seja suficiente para remunerar o empreendedor, financiar o crescimento da empresa e manter uma operação sustentável ao longo do tempo.

Com que frequência devo revisar o preço de venda?

O preço de venda deve ser revisado sempre que houver mudanças relevantes nos custos, nos impostos, na margem desejada ou nas condições do mercado. Mesmo sem grandes alterações, vale fazer uma revisão periódica, pelo menos uma vez por semestre, para garantir que os preços continuem alinhados à realidade financeira da empresa e preservem a rentabilidade do negócio.