Focus: queda da inflação de 2025 e alta da Selic em 2028

No Radar do Mercado: Relatório Focus trouxe mudanças nas projeções do mercado para o IPCA e a Selic. Além disso, Trump ameaça impor tarifas sobre europeus por conta da Groenlândia e China bate meta de crescimento de 2025

Por Itaú Private Bank

6 minutos de leitura

Focus: inflação menor em 2026 e Selic maior em 2028

Tabela com a projeção do mercado coletada pelo Banco Central para o IPCA, a Selic, o PIB e a taxa de câmbio de 2026, 2027 e 2028
Fonte: Banco Central e Itaú Private Bank

O Banco Central divulgou nesta segunda-feira, 19, uma nova edição do Relatório Focus, com as atualizações das projeções do mercado para os principais indicadores macroeconômicos para este e os próximos anos.

Começando pela inflação, a mediana das projeções para 2026 foi novamente reduzida, desta vez de 4,05% para 4,02%. Já as projeções para 2027 e 2028 se mantiveram estáveis em 3,80% e 3,50%, respectivamente.

Também houve manutenção da projeção de 4,04% para a inflação 12 meses à frente, um indicador relevante para a tomada de decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Com isso, por mais uma semana, todas as projeções permanecem dentro da banda superior do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual ao redor da meta de 3,0% ao ano definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Outra atualização ocorreu em relação à Selic. Pela segunda semana consecutiva, o mercado elevou a projeção para a taxa básica de juros de 2028, desta vez, de 9,88% para 10,00% ao ano, diminuindo a distância em relação à Selic projetada para o final de 2027 (10,50%) e deste ano (12,25%), projeções que foram mantidas.

Em relação ao PIB, as expectativas novamente se mantiveram em 1,80% de crescimento para este e para o próximo ano e em 2,00% para 2028. Por fim, na parte de câmbio, as expectativas seguiram em R$/US$ 5,50 para 2026 e 2027 e R$/US$ 5,52 em 2028.

Visão de Investimento: assim como na semana passada, as projeções apresentadas pelo Relatório Focus caminham na direção de uma expectativa de menor inflação neste ano. Nossa leitura continua sendo de que a moderação da atividade e a convergência gradual da inflação em direção à meta devem levar o Banco Central a iniciar o ciclo de corte de juros ainda no primeiro trimestre deste ano, mais provavelmente em março.

A proximidade dos cortes da Selic se alinha com nossas recomendações de investimento, sobretudo nossa visão favorável para a renda variável no Brasil, dado que, historicamente, esse momento costuma ser benéfico para essa classe de ativos.

Trump ameaça impor tarifas por conta da Groenlândia e Europa estuda retaliação

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que deverá impor tarifas sobre Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia por conta de seus respectivos posicionamentos em relação à vontade americana de assumir o controle da Groenlândia, um território atualmente dinamarquês.

Segundo Trump, tarifas de 10% seriam aplicadas sobre os produtos europeus que fossem importados pelos EUA a partir de 1º de fevereiro. Além disso, Trump indicou que as tarifas poderão ser elevadas para 25% em 1º de junho, caso uma solução considerada satisfatória pelos EUA não seja definida até lá. Há dúvidas, porém, sobre se essas tarifas incidiriam sobre todos os produtos ou apenas sobre aqueles que, atualmente, já estão sujeitos às tarifas recíprocas.

Em resposta, além do pronunciamento de alguns líderes europeus, a Europa estuda impor tarifas no valor de € 93 bilhões aos EUA - em uma lista de produtos que foi aprovada no ano passado, mas não foi implementada por conta da evolução nas negociações - ou restringir o acesso de empresas americanas ao mercado do bloco.

Apesar de os EUA sinalizarem a intenção de comprar ou simplesmente assumir o controle da Groenlândia, nossos consultores políticos acreditam que os americanos estariam dispostos a fazer algum tipo de acordo que, na prática, impedisse China e Rússia de terem acesso à região. Com isso, a expectativa é que as partes cheguem a um entendimento antes que o conflito escale e que as tarifas mais altas entrem em vigor.

China alcança meta de crescimento de 2025

O PIB da China cresceu 5,0% em 2025 na comparação anual, alcançando a meta de crescimento traçada pelo governo chinês para o ano de “aproximadamente 5,0%”. Em relação ao quarto trimestre de 2024, o crescimento foi de 4,5%, em linha com as expectativas do mercado, uma desaceleração em relação aos 4,8% registrados no terceiro trimestre de 2025 em relação ao mesmo trimestre de 2024.

Apesar de ter cumprido a meta, os dados divulgados pelo Departamento Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês) da China na noite de domingo, 18, aqui no Brasil mostram que a economia chinesa enfrenta desafios importantes. A produção industrial cresceu 5,9% em 2025, enquanto as vendas do varejo cresceram 3,7% e o investimento imobiliário caiu 17,2%, o que indica um forte desequilíbrio entre a oferta e a demanda interna. Dessa forma, a solução encontrada pelos chineses para atingir a meta de crescimento foi exportar produtos baratos para outros países.

O superávit de US$ 1,2 trilhão registrado na balança comercial, mesmo com uma queda de cerca de 20% nas exportações para os americanos, indica que a estratégia chinesa para mitigar, inclusive, o impacto das tarifas impostas pelos EUA deu certo. No entanto, há sérias dúvidas sobre a sustentabilidade dessa estratégia à frente.

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