IPCA de outubro vem abaixo do esperado e Ata mostra Copom mais confiante
No Radar do Mercado: o IPCA de outubro desacelerou mais do que o esperado pelo mercado. Ata do Copom indica confiança na estratégia atual de manutenção dos juros em 15%
Por Itaú Private Bank
IPCA desacelera além do esperado em outubro
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,09% em outubro, desacelerando frente ao avanço de 0,48% em setembro e abaixo da mediana das expectativas do mercado (0,15%), segundo dados divulgados nesta terça-feira, 11, pelo IBGE. Em 12 meses, o IPCA passou a acumular alta de 4,68%, frente aos 5,17% acumulados nos 12 meses imediatamente anteriores.
Dos nove grupos pesquisados, apenas três registraram recuo. O grupo “Habitação” (-0,30% m/m e -0,05 p.p. no índice) foi o que apresentou o maior impacto baixista no índice cheio, puxada pela queda em energia elétrica residencial com a mudança da bandeira tarifária vermelha patamar 2, vigente em setembro, para a bandeira vermelha patamar 1. Os grupos “Artigos de residência” (-0,34% e -0,01 p.p.) e “Comunicação” (-0,16% e 0,00 p.p.) também registraram deflação.
Pelo lado das altas, destaca-se o grupo “Saúde e cuidados pessoais” (0,41% e 0,06 p.p.), com maior impacto positivo direto no indicador cheio, impulsionada pelos artigos de higiene pessoal e plano de saúde. “Despesas pessoais” (0,45% e 0,05 p.p.) e “Vestuário” (0,51% e 0,02 p.p.) também apresentaram altas relevantes.
Nossa visão: a despeito do resultado melhor do que o esperado, o IPCA de outubro ainda trouxe medidas de núcleo de serviços pressionadas, condizentes com uma desaceleração bastante gradual. Ainda assim, na média móvel trimestral, com dados dessazonalizados e anualizados, os serviços subjacentes desaceleraram de 4,7% para 4,3%, enquanto o núcleo de industriais subjacentes desacelerou de 3,3% para 2,6%. Na mesma métrica, a média dos núcleos desacelerou de 4,3% para 3,9%.

Ata do Copom traz visão um pouco mais confiante sobre perspectivas de inflação
O Banco Central divulgou nesta terça-feira, 11, a Ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) realizada na semana passada, quando decidiu manter a taxa Selic em 15,00% ao ano.
O documento traz uma visão um pouco mais convicta de que a atual taxa de juros é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta. Em linha com o cenário esperado pelo Comitê, temos observado moderação gradual da atividade econômica, alguma desaceleração da inflação corrente e uma melhora nas expectativas de inflação especialmente nos horizontes mais curtos. Porém, se observa também redução nas expectativas em horizontes além do relevante para a política monetária.
Além disso, o Comitê informou ter incorporado uma estimativa preliminar do impacto da isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil, o que limita riscos de revisões para cima em suas projeções de inflação à frente.
Na nossa visão, a mensagem passada pela Ata reforça nosso cenário de corte de juros no primeiro trimestre de 2026.
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