Split Payment: entenda o novo modelo de arrecadação da Reforma Tributária

Entenda o que é Split Payment, como funciona na prática e quais os impactos no caixa, nos sistemas e nos contratos das empresas com a Reforma Tributária.

Por Itaú Empresas

5 minutos de leitura

O Split Payment será o novo modelo de arrecadação de impostos sobre o consumo, que será implementado durante a Reforma Tributária, a partir de 2027, de forma gradual. Nesse modelo, o imposto é separado automaticamente no momento do pagamento e encaminhado diretamente aos órgãos fiscais, sem passar pelo caixa da empresa.

No entanto, o Split Payment é também uma das mudanças mais profundas e importantes na forma como os tributos sobre consumo serão recolhidos e pagos no Brasil.

Afinal, se até hoje as empresas recebiam o valor total de uma venda e depois recolhiam o imposto aos cofres públicos, o novo modelo altera completamente essa lógica. Com o Split Payment, o tributo será separado automaticamente no momento do pagamento.

A parcela referente ao imposto não passará pelo caixa da empresa; seguirá direto para as contas da União, estados ou municípios. Essa mudança acompanha a criação da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços). E enquanto esses novos tributos reorganizam o que será cobrado, o Split Payment traz uma nova forma de recolhimento dos impostos.

A promessa é aumentar a rastreabilidade, reduzir fraudes e trazer mais previsibilidade para o sistema de arrecadação. No entanto, o impacto para as empresas vai muito além da área fiscal, impactando fluxos financeiros, sistemas de gestão e o próprio planejamento de caixa.

Veja como se preparar!

O que é Split Payment e por que ele muda a lógica atual?

Hoje, o imposto sobre consumo entra no caixa da empresa e é recolhido posteriormente.

Com o novo modelo, esse intervalo deixa de existir.

No ato do pagamento (seja via PIX, boleto ou transferência), o sistema financeiro separará automaticamente a parcela do imposto. O valor líquido seguirá para o fornecedor, enquanto o tributo será destinado diretamente aos entes arrecadadores.

No caso do IBS, por exemplo, o valor será encaminhado ao Comitê Gestor, responsável por distribuir os recursos entre estados e municípios.

Na prática, funciona assim:

  • O cliente realiza o pagamento;
  • O banco recebedor separa automaticamente o valor do IBS e da CBS;
  • Os tributos seguem direto para os entes arrecadadores;
  • O estabelecimento recebeo valor líquido.

Ou seja, os impostos não passam mais pelo caixa da empresa. O modelo está previsto para entrar em vigor em 2027. Inicialmente, será opcional e aplicável somente em transações entre empresas .

Quais são os tipos de Split Payment?

A regulamentação em discussão prevê a operação do split payment em dois formatos principais.

2. Split Payment Superinteligente

É o modelo mais avançado do split payment e prevê validação fiscal em tempo real.

Antes de concluir o pagamento, o sistema consulta a Plataforma Pública, que analisa e ajusta automaticamente os valores de IBS e CBS com base na situação tributária da empresa, incluindo fatores como créditos, compensações e possíveis correções.

Com isso, há maior precisão no recolhimento, redução do risco de pagamentos indevidos ou em duplicidade e garantia do crédito tributário correto para o comprador.

Esse modelo depende de meios de pagamento com janela operacional entre emissão e liquidação, como boleto, Pix dinâmico e Pix automático.

Leia também: Como funcionará a contribuição sobre bens e serviços

Quais meios de pagamento serão impactados?

Inicialmente, o Split será aplicado em:

  • Pix
  • Boleto
  • TED
  • TEF

Ou seja, com o Split Payment, a empresa deixa de contar temporariamente com o valor dos tributos até a data de vencimento. Isso altera o fluxo de caixa e exige planejamento.

Por outro lado, o modelo traz benefícios importantes:

  • Reduz o risco de inadimplência tributária
  • Evita acúmulo de passivos fiscais
  • Simplifica a conciliação financeira
  • Aumenta previsibilidade

O imposto deixa de ser uma preocupação futura e passa a ser resolvido no ato da venda.

Portanto, o desafio deixa de ser pagar o tributo no vencimento e passa a ser reorganizar o capital de giro para que o valor retido não impacte suas finanças.

Como vai funcionar a adaptação dos sistemas?

A implementação do split payment será gradual, porém, desde já as empresas precisam se preparar para atualizações em:

  • Sistemas de gestão (ERP)
  • Plataformas de vendas
  • Integrações bancárias
  • Parametrizações fiscais

As principais plataformas já se preparam para essa integração. Ainda assim, o empresário precisa cobrar atualização de fornecedores e acompanhar o cronograma.

Ignorar essa adaptação pode gerar inconsistências operacionais no futuro.

Como se preparar para o Split Payment?

Mesmo com split payment em previsão de início efetivo apenas para 2027 (e ainda com fase opcional de testes) o momento ideal para começar a agir é agora. Afinal, a antecipação fará diferença na adaptação e até mesmo na estabilidade financeira do seu negócio.

  • Revisão do fluxo de caixa: entendendo como a retenção automática dos tributos pode afetar a disponibilidade de recursos no dia a dia.
  • Atualizar o ERP: verificar se os sistemas de pagamento da empresa estão preparados para essa nova lógica de segregação automática de tributos.
  • Revisar contratos: ajustes contratuais podem se tornar necessários, especialmente em contratos de fornecimento e prestação de serviços que envolvam prazos, margens e repasses financeiros.
  • Alinhamento com o contador: sobre a mudança, pensando em mapear riscos, revisar enquadramentos fiscais e identificar possíveis ajustes necessários.

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O que de fato muda com o Split Payment?

O Split Payment separa automaticamente os tributos e imposto sobre consumo no momento do pagamento, impactando o fluxo de caixa e exigindo ajustes em sistemas e contratos. Saiba mais aqui.