Carbono em queda: o recado da Europa para a descarbonização

Confira os destaques do Radar ESG desta semana

Por Comunicação Itaú Asset

5 minutos de leitura

EDIÇÃO #29

Capa do Radar ESG, com fundo na cor azul claro

O Radar ESG desta semana destaca como energia limpa, mercados de carbono e novas tecnologias moldam a transição climática, entre avanços no Brasil e incertezas globais que exigem coordenação e sinal econômico claro.

Confira os principais destaques da semana:

Europa derruba preço do carbono em 20%

Segundo reportagem do Capital Reset (UOL), o preço para emitir uma tonelada de CO₂ no Sistema Europeu de Comércio de Emissões (EU ETS) caiu 20% no início deste ano. O movimento foi provocado pela crescente pressão política para rever ou intervir no mercado regulado do bloco, diante de preocupações com a competitividade industrial.

A queda brusca atingiu ações de empresas de energia e acendeu dúvidas sobre a manutenção do sinal econômico necessário para impulsionar a transição energética. Embora o ETS tenha sido decisivo para afastar o setor elétrico do carvão, a próxima fase inclui setores altamente emissores, como aço e cimento, e exige preços mais elevados para viabilizar a adoção de tecnologias verdes.

Especialistas alertam que, com as permissões sendo negociadas em torno de €70 atualmente, o valor permanece distante do patamar de €100 a €200 por tonelada considerado necessário para destravar investimentos em descarbonização profunda. Esse cenário abre espaço para discursos favoráveis ao adiamento de metas climáticas e alimenta riscos de “greenlash” (retaliação à economia verde) em escala global.

Para o Brasil, a queda no ETS funciona como um alerta estratégico: mercados de carbono precisam ser previsíveis e apresentar trajetória de alta para orientar decisões de longo prazo, sobretudo enquanto o país estrutura seu próprio mercado regulado. A oscilação europeia reforça que a competitividade verde exigirá sinal de preço robusto, governança clara e políticas que alinhem ambição climática, segurança energética e atratividade industrial.

Hidrogênio verde no Brasil: entre anúncios, gargalos estruturais e a urgência de coordenação

Na análise feita por Jean Paul Prates e Darlan Santos, publicada pela Eixos, o setor de hidrogênio verde — combustível limpo produzido por eletrólise da água — é marcado por um alto volume de anúncios de projetos, mas por um número reduzido de iniciativas que efetivamente alcançam a fase de execução.

As análises apontam um descompasso entre o volume de anúncios e o início concreto dos projetos, resultado de problemas recorrentes como atrasos, revisões e suspensões, que expõem gargalos sistêmicos. Entre as dificuldades citadas estão o acesso estável à rede elétrica, regras de conexão e transmissão, questões socioambientais e atrasos no licenciamento de hubs.

Sem coordenação federal-regulatória e instrumentos de demanda — como leilões de hidrogênio e derivados, compras públicas ou contratos por diferença — as iniciativas tendem a permanecer no campo dos anúncios. Enquanto isso, a “janela” global de oportunidades segue aberta, impulsionada por políticas de incentivo no exterior.

Os autores argumentam que, para reverter esse quadro, é necessária uma mudança de escala na coordenação do setor, com diferentes formas de incentivos nos âmbitos estadual e federal.

Clima aquece e chikungunya avança no mapa europeu

Segundo reportagem da revista Exame, com base em estudo publicado na Journal of the Royal Society Interface, a crise climática está ampliando o espaço para a chikungunya na Europa. O estudo identifica que a transmissão do vírus já ocorre a temperaturas entre 13 °C e 14 °C, abaixo das estimativas anteriores, que variavam de 16 °C a 18 °C.

Essa revisão estende a janela de risco por meses em países como Espanha, Portugal, Itália e Grécia, e por três a cinco meses em França, Alemanha, Bélgica e Suíça. Com verões mais quentes e o mosquito Aedes albopictus já estabelecido no continente, surtos de doenças transmitidas pelo inseto deixam de ser uma hipótese remota.

Pesquisadores classificam a revisão do limiar térmico como “chocante”, dado o impacto direto na sociedade, com aumento de custos sanitários, ausências no trabalho e maior pressão por vigilância entomológica, saneamento e urbanismo climático.

Para as empresas, o avanço do risco implica maior atenção à gestão de riscos físicos, incluindo saúde ocupacional e cadeias de suprimento, além da revisão de coberturas de seguro e da integração de dados climáticos ao planejamento. A tendência confirma análises anteriores sobre a progressão de dengue e chikungunya para latitudes mais altas e ilustra como as mudanças climáticas afetam diferentes dimensões da vida em sociedade, especialmente a saúde. A mitigação desse avanço exige coordenação entre saúde pública e adaptação urbana, inclusive em hubs logísticos e turísticos com grande fluxo transcontinental.

Energia Solar puxa a expansão elétrica: +543 MW em janeiro e quase metade do crescimento de 2026

De acordo com reportagem da Eixos, a matriz elétrica brasileira cresceu 543 MW em janeiro. Desse total, 11 usinas solares responderam por mais de 93% do incremento, além da entrada em operação de uma termelétrica e uma pequena central hidrelétrica.

Minas Gerais liderou a expansão, com acréscimo de 409 MW, seguida pela Bahia, com 100 MW. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) projeta que a solar centralizada deverá responder por quase metade da expansão de capacidade em 2026, com 4,56 GW adicionais.

O avanço consolida o protagonismo da energia fotovoltaica na transição energética e na diversificação da matriz brasileira. Para investidores, o pipeline permanece robusto, com expectativas de que a energia solar continue sendo uma das principais vantagens competitivas do país.

Acompanhe também os principais índices ESG

Além das notícias da semana, você confere no Radar ESG os principais índices de sustentabilidade, incluindo benchmarks globais e brasileiros, assim como dados sobre títulos verdes e setores ligados à transição energética.

A tabela apresenta uma visão consolidada dos índices que refletem diferentes abordagens dentro da agenda ESG, desde desempenho corporativo sustentável até indicadores de baixa emissão de carbono e clima.

Fonte: Bloomberg | Data: 25 de fevereiro de 2026
Fonte: Bloomberg | Data: 25 de fevereiro de 2026

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