Sustentabilidade avança no mercado financeiro, mas desafios regulatórios e climáticos seguem no radar

Confira os destaques do Radar ESG desta semana

Por Comunicação Itaú Asset

5 minutos de leitura

EDIÇÃO #26

Capa do Radar ESG, com fundo na cor azul claro

A agenda ESG segue ganhando tração no mercado financeiro, impulsionada pela liderança dos grandes bancos, pela expansão dos títulos sustentáveis e pelo avanço da regulação.

Ao mesmo tempo, debates sobre metas climáticas mais realistas e a baixa preparação das empresas para novas normas globais revelam os desafios de implementação que ainda limitam a consolidação da sustentabilidade como vetor central de risco e retorno. Confira os principais destaques da semana:

Gestoras de grandes bancos lideram sustentabilidade no mercado de capitais

Uma nova pesquisa da Anbima, em parceria com o Datafolha, revela que as gestoras ligadas a grandes bancos são hoje as mais maduras na adoção de práticas ESG no mercado de capitais brasileiro, muito à frente do restante do setor. Segundo o estudo, 83% dos bancos já publicam relatórios ESG, contra apenas 30% da média geral entre as mais de 200 instituições ouvidas, evidenciando uma forte assimetria de maturidade na pauta.

Além disso, 70% dessas instituições financeiras adotam critérios ESG na seleção de fornecedores e projetos, percentual bem acima da média de 48% observada no restante do mercado. A Anbima destaca que os grandes bancos concentram 70% ou mais do mercado de fundos, o que lhes confere grande capacidade de induzir padrões de sustentabilidade e acelerar a agenda ESG no setor.

O levantamento também aponta uma evolução relevante nos processos internos das gestoras, com maior integração da sustentabilidade à estratégia, às rotinas e à cultura corporativa. Para a associação, as instituições classificadas como “engajadas” já demonstram consistência suficiente para apresentar resultados concretos, sinalizando um mercado mais maduro e orientado pela gestão de riscos e pela governança.

Os quatro temas que vão impulsionar os títulos sustentáveis rumo a US$ 1 trilhão em 2026

Um relatório da Moody’s projeta que as emissões globais de títulos sustentáveis devem alcançar US$ 900 bilhões em 2026, mantendo o ritmo robusto observado em 2025 e consolidando o mercado próximo da marca de US$ 1 trilhão por ano. O crescimento será sustentado principalmente por emissores recorrentes e pela necessidade de refinanciamento, já que cerca de US$ 520 bilhões em instrumentos sustentáveis vencem ao longo de 2026.

O estudo, destacado pela Exame, fala sobre quatro tendências centrais por trás dessa expansão. A primeira é a transição industrial, com o fortalecimento dos chamados títulos de transição, que passam a incluir setores de difícil descarbonização e devem movimentar cerca de US$ 40 bilhões no ano. A segunda é o avanço da adaptação e da resiliência climática, impulsionadas pela intensificação de eventos extremos e pela demanda por infraestrutura mais resiliente e proteção de ecossistemas.

A terceira tendência é a infraestrutura digital sustentável, estimulada pela expansão global de data centers, que precisam ser mais eficientes em termos de energia e uso de água para atender ao crescimento da inteligência artificial e da computação em nuvem. O relatório também aponta a expansão dos títulos azuis, após a entrada em vigor do Tratado Global dos Oceanos, além de uma possível recuperação moderada das emissões na América Latina após um 2025 mais fraco. Na Europa, a liderança permanece firme, apoiada por novas regulações, enquanto as incertezas geopolíticas seguem como o principal fator de risco para o mercado.

Maior fundo soberano do mundo pressiona por padrão net zero mais flexível

O fundo soberano da Noruega, que administra mais de US$ 2 trilhões em ativos, defende que a Science Based Targets initiative (SBTi) flexibilize suas exigências de descarbonização, hoje alinhadas ao limite de aquecimento global de 1,5°C. O argumento central, de acordo com matéria do Capital Reset, é que regras excessivamente rígidas podem afastar empresas da ação climática baseada na ciência e, na prática, enfraquecer o alcance da própria iniciativa.

A proposta, apoiada por um banco norueguês, sugere que metas intermediárias passem a mirar trajetórias compatíveis com 2°C, consideradas mais realistas diante da possibilidade de o planeta ultrapassar de forma permanente o limite de 1,5°C já na próxima década. Executivos do fundo afirmam que a defesa não representa uma mudança de ambição climática, mas um ajuste pragmático frente ao aumento dos riscos climáticos e geopolíticos, fatores que impactam diretamente o risco do portfólio e as decisões de investimento de longo prazo.

IFRS S1 e S2 serão obrigatórias em um ano, mas adoção segue quase nula

As normas IFRS S1 e S2, que obrigam empresas de capital aberto a integrar informações financeiras e de sustentabilidade em um único relatório, entram em vigor no Brasil a partir de janeiro de 2027. Apesar do prazo próximo, o planejamento para adequação ainda é limitado, segundo matéria da Exame.

Um levantamento da Deloitte mostra que mais de 60% das empresas só iniciaram o processo de adaptação em 2026, deixando para a última hora uma transformação que exige revisões profundas em sistemas, processos e governança. Das cerca de 700 companhias listadas na B3, apenas oito adotaram voluntariamente o padrão até o fim de 2025, antecipando divulgações alinhadas às novas normas.

O principal desafio está na integração dos dados ESG aos balanços contábeis, o que envolve mensurar riscos climáticos, impactos financeiros, emissões na cadeia de valor e projeções de curto, médio e longo prazo. A CVM reforça que as IFRS contribuem para tornar o mercado mais comparável e tecnicamente robusto, ao eliminar o chamado “mundo paralelo” dos relatos ESG desconectados das demonstrações financeiras. Para empresas que ainda não iniciaram a transição, especialistas alertam para riscos de perda de credibilidade e maior exposição a riscos regulatórios e climáticos.

Acompanhe também os principais índices ESG

Além das notícias da semana, você confere no Radar ESG os principais índices de sustentabilidade, incluindo benchmarks globais e brasileiros, assim como dados sobre títulos verdes e setores ligados à transição energética.

A tabela apresenta uma visão consolidada dos índices que refletem diferentes abordagens dentro da agenda ESG, desde desempenho corporativo sustentável até indicadores de baixa emissão de carbono e clima.

Fonte: Bloomberg | Data: 28 de janeiro de 2026
Fonte: Bloomberg | Data: 28 de janeiro de 2026

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