Clima extremo, dados e financiamento: os desafios do ESG no fim de 2025

O Radar ESG desta semana destaca o avanço da inteligência artificial nos relatórios, a crise hídrica no Brasil e o aumento dos custos econômicos dos eventos climáticos

Por Comunicação Itaú Asset

5 minutos de leitura

EDIÇÃO #24

Capa do Radar ESG, com fundo na cor azul claro

A edição desta semana do Radar ESG reúne sinais claros de que a agenda de sustentabilidade entrou em uma nova fase. Enquanto empresas incorporam inteligência artificial aos relatórios ESG e ampliam a capacidade de análise de dados, os impactos físicos das mudanças climáticas se intensificam, elevando custos econômicos e sociais. Ao mesmo tempo, mecanismos de financiamento verde ganham escala para apoiar a transição.

IA em relatórios ESG aumenta velocidade, mas supervisão humana segue essencial

Segundo a Reuters, o uso de inteligência artificial em relatórios ESG está em rápida expansão, impulsionado por regulações mais exigentes, como a CSRD e a CSDDD, na União Europeia.

A tecnologia ajuda a processar grandes volumes de dados, comparar divulgações, rastrear informações não estruturadas e identificar inconsistências, especialmente em temas complexos, como emissões de Scope 3. Apesar disso, especialistas alertam que a dependência excessiva de IA pode gerar erros, dados desatualizados ou interpretações equivocadas, caso não haja validação humana.

O consenso é que a IA deve atuar como ferramenta complementar, com profissionais capacitados garantindo que os relatórios sejam auditáveis, confiáveis e úteis para investidores, reguladores e demais stakeholders.

Brasil perde 400 mil hectares de superfície de água natural em um ano

De acordo com dados do MapBiomas Água, divulgados pela CNN Brasil, o Brasil perdeu cerca de 400 mil hectares de superfície de água natural apenas no último ano, área superior a duas vezes a cidade de São Paulo.

Desde 1985, a retração acumulada ultrapassa 2 milhões de hectares, refletindo a combinação de secas intensas associadas ao La Niña e ao aquecimento global. Na Grande São Paulo, sistemas como Cantareira e Alto Tietê operam abaixo de 27% da capacidade, elevando o risco de restrições no abastecimento.

O desgaste hídrico afeta não apenas o consumo urbano, mas também a agricultura, os ecossistemas e a economia, reforçando a urgência de políticas de adaptação e gestão sustentável da água.

Programa Eco Invest Brasil encerra 2025 com R$ 14 bilhões em financiamentos

Segundo a CNN Brasil, o Eco Invest Brasil encerrou 2025 com mais de R$ 14 bilhões em financiamentos destinados a projetos sustentáveis.

O programa utiliza um modelo de financiamento misto (blended finance), combinando capital público e privado para reduzir riscos e atrair investidores institucionais.
Entre os projetos apoiados estão iniciativas de economia circular, infraestrutura verde, bioeconomia, saneamento e recuperação de áreas degradadas, beneficiando milhões de pessoas e fortalecendo a transição ecológica do país.

Desastres naturais custam US$ 224 bilhões em 2025 e expõem urgência de adaptação

De acordo com a Exame, os desastres naturais causaram US$ 224 bilhões em perdas econômicas globais em 2025. Eventos como incêndios florestais, enchentes e tempestades severas responderam por US$ 166 bilhões desse total, superando médias históricas.

O incêndio em Los Angeles foi o mais caro do ano, com US$ 53 bilhões em prejuízos, enquanto ciclones no Sudeste Asiático e furacões no Caribe ampliaram as perdas, muitas vezes sem cobertura seguradora. Com 17.200 mortes registradas, aumento de 56% em relação a 2024, o relatório reforça que integrar riscos climáticos às estratégias corporativas e de investimento deixou de ser opcional.

Acompanhe também os principais índices ESG

Além das notícias da semana, você confere no Radar ESG os principais índices de sustentabilidade, incluindo benchmarks globais e brasileiros, assim como dados sobre títulos verdes e setores ligados à transição energética.

A tabela apresenta uma visão consolidada dos índices que refletem diferentes abordagens dentro da agenda ESG, desde desempenho corporativo sustentável até indicadores de baixa emissão de carbono e clima.

Fonte: Bloomberg | Data: 14 de janeiro de 2026
Fonte: Bloomberg | Data: 14 de janeiro de 2026

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