Finanças sustentáveis no centro da transição climática
Confira os destaques do Radar ESG desta semana
Por Comunicação Itaú Asset
EDIÇÃO #28

O Radar ESG desta semana evidencia como as finanças sustentáveis ganham centralidade diante dos desafios climáticos, sociais e ambientais. Da correção de distorções do sistema financeiro global ao avanço da dívida sustentável no Brasil, passando pelo papel dos dados, da biodiversidade e da tecnologia, os temas mostram que alinhar capital, impacto e governança deixou de ser opcional para a transição a uma economia mais resiliente e inclusiva.
Confira os principais destaques da semana:
Mundo investe 33 vezes mais em destruir a natureza do que preservá-la
Segundo artigo publicado na Exame, o novo relatório da IPBES expõe um desequilíbrio estrutural no sistema financeiro global: em 2023, o mundo direcionou US$ 7,3 trilhões para atividades que degradam a biodiversidade, contra apenas US$ 220 bilhões para sua preservação, um investimento 33 vezes maior na destruição do que na recuperação ambiental.
O documento, aprovado por mais de 150 governos, alerta que empresas continuam considerando mais rentável degradar ecossistemas do que protegê-los, enquanto menos de 1% das corporações que reportam ESG mencionam impactos sobre a natureza. Com forte peso do capital privado e subsídios públicos prejudiciais, o estudo aponta riscos sistêmicos crescentes, desde instabilidade econômica até ameaça direta aos negócios. A análise reforça que a perda de biodiversidade já compromete cadeias produtivas, segurança hídrica e resiliência climática.
Os pesquisadores destacam que o cenário atual não é compatível com um futuro sustentável e defendem mais de 100 ações para alinhar empresas, governos e instituições financeiras às metas globais do Acordo de Paris e do Marco Global de Biodiversidade. O relatório conclui: degradar parece lucrativo no curto prazo, mas conduz a pontos de inflexão ecológicos capazes de desestabilizar a economia global.
Dívida sustentável do Brasil chega a quase R$ 100 bilhões
O Valor Econômico publicou que, segundo um levantamento da FGV Direito SP, o mercado brasileiro de dívida sustentável atingiu R$ 99,8 bilhões entre 2016 e junho de 2024, impulsionado por 215 emissões de títulos rotulados, incluindo green, social e sustainability-linked bonds, consolidando o país como polo relevante de finanças sustentáveis na região.
Com predominância de debêntures e forte crescimento de CRIs e CRAs, 74% das emissões foram verdes, concentradas nos setores de energia limpa, água, florestas e mobilidade de baixa emissão. O estudo, parte do projeto Transição Ecológica e Justiça Climática, também evidencia avanço na transparência ao organizar e tornar públicos os dados sobre alocação de recursos privados. A pesquisa mostra aumento da participação regional do Sudeste e o papel crescente do setor de energia, líder com 78 operações.
Em paralelo, dados internacionais da Bloomberg Green apontam que as emissões globais de dívida verde bateram recorde em 2025, reforçando o alinhamento brasileiro a uma tendência mundial de busca por ativos sustentáveis e investimentos para infraestrutura climática. Com isso, o país se consolida como mercado dinâmico e em expansão, oferecendo novas possibilidades de financiamento para projetos ambientais e sociais de alto impacto.
Finanças sustentáveis para um futuro mais inclusivo
Um artigo do Estadão ressaltou que corrigir distorções do sistema financeiro global é crucial para viabilizar uma transição energética justa e inclusiva, ampliando oportunidades socioeconômicas e fortalecendo a competitividade verde no Brasil e no mundo.
A análise destaca que finanças sustentáveis precisam estar no centro das estratégias de desenvolvimento, integrando instrumentos como títulos verdes, sociais e sustentáveis, além de mecanismos capazes de canalizar recursos para infraestrutura, justiça climática e inclusão produtiva. O texto também contextualiza a relevância crescente da COP30 e da mobilização empresarial por metas climáticas robustas, enfatizando que o alinhamento entre governos, empresas e investidores é determinante para viabilizar investimentos em larga escala.
Ao defender maior coerência entre fluxos financeiros e metas ambientais, o artigo aponta que um futuro mais inclusivo depende de sistemas financeiros capazes de reduzir desigualdades, fomentar inovação e transformar modelos produtivos. Assim, finanças sustentáveis emergem como pilares de um novo pacto econômico que concilie competitividade, equidade e proteção ambiental.
Como finanças sustentáveis podem enfrentar problemas ambientais e sociais
Segundo uma análise feita pela WRI Brasil, finanças sustentáveis são elementos estruturais para reverter a degradação ambiental e fortalecer a resiliência socioeconômica, ao redirecionar capital de atividades prejudiciais para iniciativas regenerativas capazes de enfrentar desafios como pobreza, mudanças climáticas e insegurança hídrica.
Com o aumento do nível do mar, riscos térmicos e desertificação afetando milhões de pessoas, o artigo reforça que instrumentos financeiros alinhados a objetivos socioambientais podem catalisar transformações estruturais, mobilizar recursos em larga escala e aproximar economias das metas do Acordo de Paris. O texto explica que financiamento sustentável engloba desde empréstimos e investimentos até seguros baseados em metas ESG claras e mensuráveis, garantindo que alocadores de capital considerem riscos ambientais e sociais.
Além disso, aponta que sistemas econômicos precisam se ajustar aos limites planetários, combinando mitigação de riscos, incentivo à inovação em energia limpa e desenvolvimento de infraestrutura resiliente. Assim, finanças sustentáveis se consolidam como alavancas centrais para corrigir distorções dos fluxos de capital e acelerar a transição a uma economia de baixo carbono, inclusiva e resiliente.
Governança de dados impulsiona queda do desmatamento e fortalece impacto socioambiental na Amazônia
A reportagem “Os dados por trás da floresta em pé”, publicada pela Veja, revela como a Fundação Amazônia Sustentável (FAS), em parceria com a SAP, está redefinindo a efetividade das iniciativas socioambientais por meio de uma robusta governança de dados, transformando boas intenções em impacto mensurável e escalável na Amazônia.
Atuando em 800 comunidades e aldeias, a FAS beneficia 21 mil famílias distribuídas por 31 unidades de conservação e 67 territórios indígenas, com resultados concretos: onde a organização atua, o desmatamento cai, em média, 28%, e os focos de calor recuam 4%, protegendo um total de 14 milhões de hectares, área equivalente ao estado do Ceará. Em um território onde deslocamentos podem levar dias e o acesso à informação é limitado, a implementação de uma plataforma integrada de dados tornou-se elemento estratégico para decisões precisas, permitindo monitorar indicadores ambientais, sociais e financeiros com maior eficiência.
A expertise tecnológica da SAP possibilitou consolidar quinze indicadores-chave em um único sistema, ampliando a produtividade, a transparência e a capacidade de reação frente a desafios locais complexos. A iniciativa demonstra que o futuro do ESG na Amazônia, e em outras regiões sensíveis, depende de métricas rigorosas, análise contínua e tecnologia aplicada, evidenciando que preservar a floresta em pé exige tanto ciência quanto gestão profissional.
Acompanhe também os principais índices ESG
Além das notícias da semana, você confere no Radar ESG os principais índices de sustentabilidade, incluindo benchmarks globais e brasileiros, assim como dados sobre títulos verdes e setores ligados à transição energética.
A tabela apresenta uma visão consolidada dos índices que refletem diferentes abordagens dentro da agenda ESG, desde desempenho corporativo sustentável até indicadores de baixa emissão de carbono e clima.

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