Mercados e Fundos em Foco | Outubro, 2026
Mind Asset: Fernando Cavallete, head do time de Portfolio Specialists da Itaú Asset, analisa os principais acontecimentos de setembro e do início de outubro e também os movimentos dos mercados global e brasileiro
Por Comunicação Itaú Asset
Setembro foi marcado por novos desdobramentos no cenário global, com a continuidade do conflito no Oriente Médio, a alta do petróleo e seus impactos sobre a inflação e os juros.
Enquanto os principais bancos centrais adotaram uma postura mais restritiva, o Brasil seguiu um caminho diferente, com a redução da Selic e movimentos importantes nos mercados de juros, câmbio e ações.
Nesta edição do Mercados e Fundos em Foco, Fernando Cavallete, head do time de Portfolio Specialists da Itaú Asset, analisa esse cenário e os principais fatores por trás do descolamento do mercado brasileiro em relação ao cenário internacional.
Petróleo e juros no cenário global
O conflito no Oriente Médio continuou entre os principais temas para os mercados. Após um ataque atingir a infraestrutura de petróleo da Arábia Saudita, o Brent chegou perto de US$ 109 por barril na primeira metade de setembro. Mesmo após um período de alívio, voltou a subir no fim do mês e encerrou setembro pouco acima de US$ 103, com alta próxima de 15%.
A pressão do petróleo também teve reflexos sobre a política monetária. Em setembro, o Federal Reserve elevou os juros para o intervalo entre 3,75% e 4%, na primeira alta desde 2023. O Banco Central Europeu também aumentou os juros, levando a taxa de depósito para 2,5%, enquanto o Banco do Japão elevou sua taxa para 1,25%, maior nível desde 1995.
Nos EUA, os juros subiram em diferentes prazos e o Treasury de 10 anos superou 5%. O dólar também ganhou força diante das principais moedas, enquanto o ouro, que havia avançado quase 10% em agosto, recuou mais de 6% em setembro.
Os impactos sobre os mercados
Nas bolsas, os juros mais altos pressionaram principalmente os setores mais sensíveis ao custo de capital. O setor financeiro global caiu mais de 7%, enquanto o Dow Jones e o DAX recuaram cerca de 4%.
A tecnologia ligada à inteligência artificial seguiu na direção contrária, com alta superior a 4%, levando o Nasdaq a uma nova máxima histórica.
Entre os mercados emergentes, a redução do diferencial de juros em relação aos EUA também trouxe impactos. O peso mexicano caiu quase 6% e o peso chileno recuou mais de 4% no período.
O descolamento do Brasil
No Brasil, o movimento foi diferente. O IPCA de agosto registrou queda de 0,32%, enquanto o Copom realizou o quinto corte consecutivo da Selic. A curva de juros recuou em todos os prazos, com destaque para os vencimentos mais longos.
O contrato futuro de DI para 2032, por exemplo, caiu mais de meio ponto percentual em setembro. O movimento da parte longa da curva indicou não apenas expectativas em torno da Selic, mas também uma redução do prêmio de risco exigido pelos investidores.
Esse cenário também apareceu nos demais mercados. O Ibovespa avançou cerca de 5% em setembro, puxado por bancos e empresas domésticas mais sensíveis aos juros, enquanto o real permaneceu estável em um mês de fortalecimento global do dólar.
Outubro acelera os movimentos
No início de outubro, o resultado do primeiro turno das eleições acelerou movimentos que já vinham aparecendo ao longo de setembro.
O Ibovespa avançou 7,7% em um único pregão e fechou acima dos 206 mil pontos pela primeira vez. O dólar recuou para perto de R$ 5 e a curva de juros caiu, em média, cerca de um ponto percentual.
A reação, porém, foi diferente entre os setores. Bancos avançaram ao redor de 10%, enquanto a Petrobras subiu perto de 8%. Empresas ligadas ao mercado de capitais e varejistas também tiveram desempenho positivo, enquanto exportadoras mais expostas ao dólar foram pressionadas pela valorização do real.
Nos dias seguintes, a inflação implícita caiu mais do que os juros nominais, indicando que os preços passaram a incorporar não apenas juros menores, mas também expectativas mais baixas para a inflação futura.
O que acompanhar daqui para frente
Apesar da reprecificação dos ativos brasileiros, o ambiente externo continua desafiador. Nos EUA, dados mais fracos do mercado de trabalho e uma inflação mais moderada reduziram o ritmo do Fed, mas a possibilidade de uma nova alta de juros ainda permanece no radar.
No Brasil, a continuidade dos movimentos recentes dependerá de fatores como política fiscal, equipe econômica, inflação e os próximos desdobramentos do cenário externo.
Assista e aprofunde
Confira outras edições do Mind Asset
Fundos com exposição à Bolsa são todos iguais?
Mind Asset | Rodrigo Giordano, superintendente de gestão da área de Solutions do Itaú [...]
Corte de juros e dólar volátil marcam setembro nos mercados globais
Mind Asset | No quadro “Mercados e Fundos em Foco”, Thiago Morgado, portfolio special [...]
O que investidores podem esperar da COP30 em Belém
Mind Asset | Sofia Inácio Fahel, da Itaú Asset, e Ricardo Amatucci, do Itaú Unibanco, [...]