O que está acelerando a transição climática no Brasil

Confira os destaques do Radar ESG desta semana

Por Comunicação Itaú Asset

5 minutos de leitura

EDIÇÃO #32

Capa do Radar ESG, com fundo na cor azul claro

O Radar ESG desta semana mostra como apagões, riscos climáticos, novas formas de financiamento e a evolução do mercado de carbono estão acelerando a transição energética no Brasil, ao mesmo tempo em que expõem desafios financeiros, regulatórios e de adaptação climática.

Confira os principais destaques da semana:

Apagões recorrentes aceleram demanda por autonomia energética e colocam baterias no centro da transição

Segundo reportagem da Exame, o aumento da frequência e da duração dos apagões no Brasil vem alterando de forma estrutural a percepção dos consumidores sobre segurança energética e impulsionando o interesse por soluções de armazenamento.

Estudo da Descarbonize mostra que cerca de 78% dos brasileiros considerariam investir em sistemas de energia solar integrados a baterias diante de um cenário de maior instabilidade no fornecimento elétrico, marcado por eventos climáticos extremos, sobrecarga da rede e infraestrutura defasada. A percepção é de agravamento do problema: 42% dos entrevistados acreditam que os apagões serão mais frequentes nos próximos anos, enquanto apenas 18% veem possibilidade de melhora.

Embora o uso de baterias ainda esteja concentrado em instalações industriais e sistemas isolados, o avanço tecnológico e a expectativa de redução de custos — incluindo leilões previstos para 2026 — tendem a ampliar a adoção residencial e empresarial. Esse movimento dialoga com tendências relevantes da agenda ESG, como resiliência climática e maior integração entre geração distribuída e armazenamento.

Para o setor financeiro, o avanço da demanda sinaliza oportunidades de financiamento de soluções energéticas mais resilientes, ao mesmo tempo em que pressiona reguladores e concessionárias a acelerarem investimentos em redes mais robustas e adaptadas às mudanças climáticas.

Riscos climáticos deixam de ser abstração e passam a pressionar balanços, seguros e valor dos ativos

De acordo com análise publicada pela Forbes Brasil, as mudanças climáticas deixam de ser tratadas como um risco distante e passam a se materializar como passivos mensuráveis nos balanços corporativos.

Pontos cegos relacionados à exposição física ao clima, antes subestimados, já impactam diretamente ativos, cobertura de seguros e a estabilidade financeira das empresas. Dados compilados por grandes seguradoras indicam que desastres naturais globais geraram aproximadamente US$ 224 bilhões em perdas em 2025, com apenas US$ 108 bilhões cobertos por seguros, evidenciando uma crescente lacuna de proteção em regiões de maior risco climático.

Incêndios florestais, enchentes e tempestades severas lideraram os prejuízos, enquanto mercados como Ásia-Pacífico e África apresentaram baixa penetração de seguros, transferindo o ônus financeiro para empresas, governos e comunidades. Em resposta, seguradoras têm elevado prêmios, reduzido coberturas e, em alguns casos, se retirado de determinadas regiões, pressionando custos operacionais e decisões de investimento.

O artigo destaca que muitos desses impactos decorrem da dependência excessiva de dados históricos e da ausência de testes de estresse climáticos robustos para ativos e cadeias de suprimentos. Para investidores e gestores, a mensagem é clara: ignorar riscos climáticos físicos compromete valuations, crédito e estratégias de longo prazo. A gestão climática passa, assim, de pauta reputacional a fator central de disciplina financeira e governança corporativa.

Eco Invest destrava bilhões para projetos sustentáveis no Brasil

Conforme reportagem do portal Capital Reset, o programa Eco Invest, criado para atrair capital estrangeiro para projetos sustentáveis no Brasil, encerrou seu primeiro ano com a alocação de cerca de 50% dos recursos previstos no leilão inaugural, totalizando R$ 20,7 bilhões em empréstimos para 33 projetos.

Operado sob a lógica de blended finance, o modelo combina recursos públicos a baixo custo com a exigência de forte alavancagem privada, principalmente externa, ampliando a escala do financiamento climático. Os investimentos se concentraram em setores considerados mais maduros do ponto de vista tecnológico e regulatório, com destaque para biocombustíveis, saneamento e iniciativas ligadas à transição energética, que absorveram mais de um terço dos desembolsos.

O relatório anual do Tesouro Nacional indica que a outra metade dos recursos iniciais já está em fase avançada de negociação, sugerindo elevado apetite dos bancos e sinalizando a consolidação do instrumento como política pública estruturante. Para a agenda ESG, o Eco Invest reforça o papel do sistema financeiro como vetor de transformação ecológica, ao reduzir riscos percebidos e criar incentivos econômicos para projetos de impacto.

O desempenho inicial também fortalece a posição do Brasil como destino relevante para capital climático global, em um contexto de crescente competição entre países por recursos voltados à transição sustentável.

Empresas passam a fechar acordos de longo prazo no mercado de carbono

Segundo apuração da Exame, o mercado voluntário de carbono passa por uma reconfiguração estrutural que redefine sua lógica de valor. Em 2025, o volume negociado em transações spot apresentou tendência de retração, enquanto os contratos de offtake — acordos de compra antecipada e de longo prazo — superaram US$ 7 bilhões, cerca de cinco vezes o volume movimentado no mercado spot.

Esse movimento reflete o descompasso entre a capacidade de emissão sob metodologias mais robustas e a crescente demanda por ativos de maior integridade, ampliando o foco em qualidade, rastreabilidade e adicionalidade dos créditos. Apesar da queda de 10,6% na emissão de novos créditos em 2025, a demanda corporativa permaneceu resiliente, com cerca de 179 milhões de toneladas de CO₂e aposentadas no ano.

A escassez de ativos de alta integridade — apenas cerca de 15% atendem aos padrões mais rigorosos — vem se refletindo nos preços e favorecendo projetos com melhor governança e estruturação financeira.

Nesse contexto, os offtakes surgem como instrumento-chave para viabilizar projetos em estágio inicial, oferecer previsibilidade de receita e atrair capital para soluções climáticas de maior impacto, posicionando países como o Brasil como polos estratégicos dessa nova fase do mercado.

Acompanhe também os principais índices ESG

Além das notícias da semana, você confere no Radar ESG os principais índices de sustentabilidade, incluindo benchmarks globais e brasileiros, assim como dados sobre títulos verdes e setores ligados à transição energética.

A tabela apresenta uma visão consolidada dos índices que refletem diferentes abordagens dentro da agenda ESG, desde desempenho corporativo sustentável até indicadores de baixa emissão de carbono e clima.

Fonte: Bloomberg | Data: 18 de março de 2026
Fonte: Bloomberg | Data: 18 de março de 2026

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