ONU alerta para calor recorde e avanço do risco climático global

Confira os destaques do Radar ESG desta semana

Por Comunicação Itaú Asset

5 minutos de leitura

EDIÇÃO #33

Capa do Radar ESG, com fundo na cor azul claro

O Radar ESG desta semana mostra como debates sobre aquecimento global, novas regras de transparência e padrões internacionais estão cada vez mais presentes no dia a dia de empresas e investidores. Ao mesmo tempo, cresce a participação de acionistas nas decisões corporativas, embora o controle ainda limite avanços mais significativos.

Confira os principais destaques da semana:

Terra acumula calor recorde em 2025, alerta ONU

Segundo reportagem da Exame, o mais recente relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), ligada à ONU, aponta um agravamento relevante do desequilíbrio energético do planeta, com níveis recordes de calor acumulado, especialmente nos oceanos, em 2025. O aumento contínuo das concentrações de gases de efeito estufa, que já atingem máximas históricas, tem intensificado a retenção de calor na atmosfera e nos sistemas oceânicos, gerando impactos de longo prazo potencialmente irreversíveis.

O dado mais crítico é a persistência do aquecimento: a temperatura média global já se encontra cerca de 1,4 °C acima dos níveis pré‑industriais, aproximando‑se estruturalmente do limite de 1,5 °C estabelecido pelo Acordo de Paris. Isso reforça o risco de overshoot climático, cenário em que o limite é ultrapassado antes de eventual estabilização futura.

Os efeitos já são visíveis, como a elevação do nível do mar, a redução histórica do gelo polar e o aumento da frequência e intensidade de eventos extremos, incluindo ondas de calor e ciclones. O aquecimento dos oceanos amplia riscos sistêmicos, impactando cadeias alimentares, biodiversidade e infraestrutura costeira por décadas ou séculos.

Para investidores, o relatório reforça a materialidade crescente do risco climático físico, com implicações diretas para valuation, seguros e alocação de capital. O tema também evidencia a transição da agenda ESG, que avança da mitigação para a gestão ativa de impactos climáticos

Assembleias ganham relevância, mas controle ainda dita resultado

De acordo com uma matéria publicada pelo Capital Reset, a temporada recente de assembleias no Brasil reforça um movimento relevante na agenda de governança: maior participação de investidores e uso crescente do voto à distância ampliaram o debate sobre temas críticos, como composição de conselhos, remuneração e diversidade.

Ainda assim, a estrutura de controle concentrado segue como fator determinante nos resultados, limitando o impacto efetivo dos minoritários. Esse descompasso entre engajamento e poder decisório revela um estágio intermediário de maturidade do mercado brasileiro em práticas de stewardship.

Para investidores institucionais, o cenário reforça a necessidade de estratégias complementares ao voto, como engajamento contínuo, formação de blocos e diálogo direto com as companhias. Do lado das empresas, o maior escrutínio indica pressão crescente por transparência e qualidade na governança, mesmo quando alterações formais são menos prováveis.

No médio prazo, a tendência é de evolução incremental, impulsionada por avanços regulatórios, maior sofisticação dos investidores e referências internacionais. A governança segue como elemento central do ESG, por ser pré‑condição para avanços consistentes nos pilares ambiental e social.

Convergência global de padrões ESG acelera

Conforme aponta publicação da Generation Impact, a convergência de padrões globais de ESG, com destaque para frameworks como o ISSB, sinaliza uma transformação estrutural na forma como empresas reportam sustentabilidade. O foco vem migrando de divulgações amplas e qualitativas para métricas mais objetivas, comparáveis e financeiramente relevantes.

Esse movimento responde à demanda de investidores por informações passíveis de integração direta em modelos de valuation e análise de risco. A padronização tende a reduzir práticas de greenwashing e aumentar a confiabilidade dos dados, ao mesmo tempo em que eleva o nível de exigência para as empresas, que precisam investir em sistemas robustos de coleta, validação e governança de informações.

Para mercados emergentes, a adoção desses padrões representa uma oportunidade de atração de capital, mas também impõe desafios de implementação. No longo prazo, a convergência deve facilitar a integração do ESG ao mercado financeiro tradicional, reduzindo a percepção de que se trata de uma agenda paralela.

SEC revisa regras climáticas e eleva pressão por disclosure

Segundo o portal ESG News, a revisão das regras de disclosure climático pela SEC representa mais um passo na consolidação de padrões regulatórios de sustentabilidade nos Estados Unidos, ainda que com ajustes decorrentes de pressões políticas e jurídicas.

O movimento mantém a direção de maior transparência, exigindo que empresas relatem riscos climáticos materiais e seus impactos financeiros, embora com flexibilizações em escopos mais complexos, como emissões indiretas. Para investidores globais, o principal efeito é a continuidade do processo de convergência regulatória, ainda que em ritmos distintos entre jurisdições.

A maior clareza sobre riscos climáticos tende a contribuir para uma precificação mais eficiente de ativos e para a consolidação do ESG nas decisões de investimento. Por outro lado, a diversidade de regras eleva os custos de conformidade para empresas multinacionais, que precisam atender a múltiplos padrões simultaneamente.

No contexto global, a atuação da SEC segue como referência e influencia reguladores de outras regiões, reforçando o ESG como componente central da regulação dos mercados de capitais.

Acompanhe também os principais índices ESG

Além das notícias da semana, você confere no Radar ESG os principais índices de sustentabilidade, incluindo benchmarks globais e brasileiros, assim como dados sobre títulos verdes e setores ligados à transição energética.

A tabela apresenta uma visão consolidada dos índices que refletem diferentes abordagens dentro da agenda ESG, desde desempenho corporativo sustentável até indicadores de baixa emissão de carbono e clima.

Fonte: Bloomberg | Data: 25 de março de 2026
Fonte: Bloomberg | Data: 25 de março de 2026

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