PCE dos EUA reforça moderação da inflação em junho

No Radar do Mercado: Indicadores divulgados nos EUA reforçam sinais de moderação da inflação e resiliência da atividade econômica

Por Victor Camacho

4 minutos de leitura

O Escritório de Análise Econômica (BEA, na sigla em inglês) dos EUA divulgou nesta quinta-feira, 30, os dados do Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês) de junho. O núcleo do indicador, que exclui os componentes mais voláteis de energia e alimentação e é acompanhado de perto pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), avançou 0,13% no mês, abaixo da expectativa do mercado (0,2%).

A abertura dos dados mostrou uma dinâmica mais favorável dos preços de serviços, com destaque para uma queda relevante no componente de instituições sem fins lucrativos, principal responsável pela surpresa baixista da leitura. Além disso, segmentos como transporte e recreação apresentaram comportamento mais moderado. Ao mesmo tempo, medidas subjacentes também sinalizaram uma inflação mais contida.

Os dados reforçam a avaliação de alguma moderação da inflação após um primeiro semestre mais pressionado, ainda que alguns fatores temporários e questões de sazonalidade exijam cautela na interpretação das leituras mensais. Para o Federal Reserve, o resultado sustenta a manutenção da postura atual de política monetária, já que uma leitura mais benigna já havia sido sinalizada pelas leituras de CPI e PPI (preços ao consumidor e produtor, respectivamente). À frente, os próximos dados serão importantes para confirmar a continuidade do processo de moderação, especialmente nos componentes de serviços.

PIB dos EUA mostra atividade resiliente apoiada pela demanda doméstica

Ainda nos EUA, também foi divulgado nesta quinta-feira (30) o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, que registrou crescimento anualizado de 1,5%, também abaixo das expectativas do mercado (2,0%). Apesar do ritmo mais moderado de expansão, a composição dos dados mostrou um desempenho sólido da demanda doméstica privada.

As vendas finais permaneceram em patamar robusto, enquanto o consumo das famílias apresentou recuperação em relação ao primeiro trimestre (registrando 3,2%), impulsionado tanto pelo consumo de bens quanto de serviços. O investimento seguiu resiliente, com destaque para o componente residencial e para os gastos em equipamentos associados à inteligência artificial. Em contrapartida, o setor público, especialmente na esfera federal, contribuiu negativamente para o crescimento, enquanto exportações líquidas e estoques também reduziram parcialmente o resultado agregado.

A leitura do PIB segue compatível com uma economia resiliente, sem sinais de deterioração mais ampla da atividade. O fortalecimento do consumo privado e a continuidade dos investimentos reforçam a sustentação do crescimento. Diante disso, a evolução da atividade e da inflação seguirá sendo monitorada para avaliar os próximos passos da política monetária americana.

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