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Ata do Copom: dependência dos dados está de volta

No Radar do Mercado: BC divulgou hoje a ata da última decisão do Copom e a nova edição do Relatório Focus; IBGE publicou os dados referentes ao IPCA-15 de março

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Ata do Copom: dependência dos dados está de volta

Foi divulgada a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), trazendo detalhes do encontro que reduziu novamente a taxa Selic em 50 pontos-base, para 10,75%, e sinalizou mais uma redução de mesma magnitude nos juros.

O documento mostra que o cenário internacional foi bastante debatido, evidenciando a preocupação da autoridade monetária. Já no âmbito doméstico, as autoridades discutiram o dinamismo do mercado de trabalho, que pode afetar o ritmo do processo de desinflação à frente.

A ata trouxe mais detalhes sobre a sinalização futura, que foi encurtada na última reunião. O comitê enfatizou que a decisão foi tomada analisando os custos e benefícios, abrindo mão de uma sinalização mais clara com relação aos cortes à frente para ter um grau maior de liberdade na condução da política monetária, em um cenário mais incerto em relação às perspectivas de inflação e atividade. 

As autoridades também reforçaram que a mudança na sinalização futura não deve ser confundida com uma indicação de alteração do ciclo de flexibilização, reiterando a relevância das próximas divulgações de dados econômicos para definir o ritmo e a taxa terminal.

De maneira geral, a ata não parece indicar mudança na discussão da taxa ao final do ciclo de cortes, ao menos em um primeiro momento, mantendo uma postura dependente de dados para a tomada de futuras decisões. Mantemos a nossa projeção da Selic terminal em 9,25% a.a., embora também de modo dependente dos dados.

IPCA-15 sobe 0,36% em março, acima do esperado

O IBGE divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de março, que registrou uma alta de 0,36%, acima da expectativa do mercado (0,30%). Em 12 meses, o indicador acumula alta de 4,1%, ligeiramente abaixo dos 4,5% registrados em fevereiro.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, cinco registraram alta em março. A maior variação e o maior impacto vieram de Alimentação e Bebidas. Na sequência, vieram os grupos Transportes e Saúde e cuidados pessoais.

Nossa visão: o qualitativo dessa divulgação foi pior do que o esperado, com a alta em serviços subjacentes (ainda que compensado por alguma melhora em industriais subjacentes). Ainda assim, na margem, a média dos núcleos, que possuem maior relação com ciclo econômico, desacelerou. Para 2024, projetamos IPCA de 3,6%.

Focus: queda nas expectativas de inflação

O Banco Central divulgou hoje mais uma edição do Relatório Focus. O destaque ficou por conta da ligeira queda das expectativas de inflação em 2024 e 2025.

Na comparação com a semana anterior, a mediana das estimativas do IPCA teve uma leve queda para 2024, agora em 3,75%, e para 2025, para 3,51%. A projeção seguiu inalterada para 2026, em 3,50%. Vale lembrar que a meta do Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.  

Com relação à atividade econômica, as estimativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) subiram para 2024 (agora, em 1,85%) e permaneceram estáveis para 2025 e 2026, em 2,0% para ambos os anos.

No âmbito da política monetária, as projeções para a taxa Selic permaneceram inalteradas em todo período analisado, mantendo-se em 9,0% para 2024 e em 8,50% para 2025 e 2026.

Por fim, a estimativa para a taxa de câmbio permaneceu inalterada para 2024 (a R$/US$ 4,95), para 2025 (a R$/US$ 5,00) e diminuiu ligeiramente para 2026 (a R$/US$ 5,03).

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