Ata do Copom reforça cenário de cortes nos juros apenas em 2026
No Radar do Mercado: documento divulgado hoje reforçou a necessidade de juros elevados por período prolongado. Na Europa, indústria mostra recuo enquanto serviços avançam em setembro
Por Itaú Private Bank
O Banco Central divulgou nesta terça-feira, 23, a Ata da sexta reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) realizada na semana passada, quando decidiudestacando riscos relacionados à política fiscal de países desenvolvidos e as tarifas impostas pelo governo americano. Além disso, mencionou o início do ciclo de afrouxamento monetário por parte do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e destacou a recente apreciação do real como um fator positivo para a redução da inflação no Brasil.
Já em relação à conjuntura doméstica, os membros avaliaram que há uma moderação gradual em curso na atividade, em linha com as expectativas da autoridade monetária, além de uma diminuição da inflação corrente e alguma redução nas expectativas de inflação, que, no entanto, ainda permanecem desancoradas. Ainda segundo o Comitê, a reancoragem das expectativas exige “perseverança, firmeza e serenidade”.
De forma geral, acreditamos que o documento manteve a mensagem de que é necessário manter a taxa básica de juros em patamar elevado por período prolongado, a fim de garantir a convergência da inflação para a meta, o que reforça nossa visão de que o ciclo de cortes de juros só deve começar no primeiro trimestre do ano que vem. Teremos mais informações sobre o racional do Copom com a divulgação do Relatório de Política Monetária nesta quinta-feira, 25.
PMI da Zona do Euro mostra queda da indústria e alta de serviços
O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) composto da Zona do Euro de setembro foi divulgado nesta terça-feira, 23, e registrou leve alta de 51,0 para 51,2 na passagem mensal. O resultado veio praticamente em linha com a expectativa do mercado, que era de 51,1, e se mantém acima dos 50 pontos, o que indica que a atividade continua em patamar expansionista.
O dado refletiu uma melhora no setor de serviços que foi praticamente compensada pela queda no setor industrial. Enquanto serviços subiram 0,9 no mês (de 50,5 para 51,4), superando a expectativa de estabilidade do mercado (50,5), o PMI industrial recuou 1,2 ponto (de 50,7 para 49,5), bem abaixo das expectativas (50,5) e entrando em território contracionista.
Nossa visão: o declínio do PMI industrial reflete uma piora na margem nas principais economias do bloco, na Alemanha e na França. Ao mesmo tempo, a pesquisa reflete uma desaceleração nos componentes de preços no mês de setembro. A oscilação pequena e positiva no PMI composto, no entanto, reforça a postura do Banco Central Europeu (BCE), que estabeleceu uma barra alta para possíveis novos cortes de juros, dado que a inflação parece estar sob controle e a atividade segue resiliente.
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