Revisão de cenário: juros mais baixos nos EUA e dólar mais fraco no Brasil
No Radar do Mercado: equipe de macroeconomia do Itaú BBA divulga revisões de cenário econômico em âmbito local e global após reuniões do Fomc e do Copom nesta semana
Por Itaú Private Bank
Revisão de Cenário – Brasil
A equipe de macroeconomia do Itaú BBA divulgou nesta sexta-feira, 19, uma revisão de suas projeções para o cenário econômico no Brasil e no mundo. Entre os destaques, a equipe entende que o enfraquecimento global do dólar deve permitir que o real siga em níveis mais apreciados no curto prazo. Com isso, revisou a projeção da taxa de câmbio de R$ 5,50 por dólar para R$ 5,35 em 2025, mas mantendo em R$ 5,50 em 2026.
O Itaú BBA também segue projetando que a política monetária contracionista continuará levando a uma desaceleração da atividade econômica. Com isso, projeta 2,2% de crescimento do PIB em 2025 e 1,5% em 2026. Em relação à taxa de desemprego, devido a resiliência do mercado de trabalho observada nos últimos dados, as estimativas foram reduzidas de 6,4% para 6,2% em 2025 e de 6,9% para 6,5% em 2026.
Sobre a inflação, a projeção para 2025 foi de 5,1% para 5,0%, em função do câmbio mais apreciado, mas manteve a estimativa de 4,4% para 2026. No mesmo cenário, as expectativas para a Selic seguem sendo de 15,00% a.a. ao final de 2025, com cortes apenas no primeiro trimestre de 2026, e 12,75% ao término do ano que vem.
Revisão de Cenário – Global
Na revisão de cenário global, a equipe de macroeconomia do Itaú BBA fez um ajuste nas previsões de juros nos EUA: de um corte este ano para três cortes em 2025 e um adicional no início de 2026. A mudança se deve à combinação de um mercado de trabalho mais fraco e inflação contida, ainda que acima da meta, que já levou o Federal Reserve a iniciar o ciclo de cortes de juros em setembro.
Na Europa, o Itaú BBA segue observando atividade econômica resiliente, sustentada pela melhora na demanda doméstica, enquanto a inflação permanece controlada, próxima de 2,0%. Diante disso, a equipe projeta que o BCE deve manter os juros estáveis em 2,0%, com crescimento do PIB de 1,1% em 2025 e 1,2% em 2026.
Na China, os dados observados em julho e agosto vieram significativamente abaixo da expectativa, confirmando a desaceleração do crescimento tanto pelo impacto de tarifas quanto pela ação de políticas para a redução da capacidade ociosa industrial (a campanha de anti-involution). Assim, as projeções de crescimento foram mantidas em 4,7% para este ano e 4,0% para 2026, já pressupondo estímulos adicionais para contrabalancear uma incipiente desaceleração no segundo semestre.
Por fim, na América Latina, o cenário inflacionário permanece longe do confortável no México, dados de inflação de agosto no Chile trouxeram uma boa notícia após oscilações significativas em junho e julho, enquanto, na Argentina, cresce a incerteza política doméstica após a derrota da coalizão governista nas eleições de meio de mandato na província de Buenos Aires.
E confira também o resumo feito pelo economista Pedro Renault no podcast Itaú Views Morning Call desta sexta-feira:
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