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Ata do Fed: inflação ainda preocupa

No Radar do Mercado: a ata do Federal Reserve apontou uma preocupação das autoridades com a inflação; investidores também repercutem a crise no sistema financeiro chinês, os indicadores de inflação do Reino Unido e a produção industrial nos EUA

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Crédito: Getty Images

Ata do Fed: inflação ainda preocupa

O Federal Reserve (Fed, banco central americano) divulgou a ata de sua última reunião, quando as autoridades elevaram os juros em 25 pontos-base (após uma pausa no encontro anterior), levando as taxas para um intervalo de 5,25% a 5,50% ao ano.

Segundo o documento, as autoridades mostraram preocupação com a possibilidade de a inflação não ceder, com a maioria dos participantes identificando o balanço de riscos para a inflação deslocado para cima, situação que poderia exigir aperto adicional da política monetária.

Por outro lado, alguns participantes comentaram que, embora a atividade econômica esteja resiliente e o mercado de trabalho siga forte, o risco é de deterioração. Outro destaque é que as autoridades Fed não enxergam mais a possibilidade de o país entrar em uma recessão no final do ano. Ainda assim, esperam que o crescimento nos próximos dois anos fique abaixo do potencial, levando a um pequeno aumento na taxa de desemprego.

Apesar da recente trajetória benigna da inflação americana, a preocupação do FOMC com a trajetória da inflação à frente deve seguir dividindo as apostas do mercado para a próxima reunião. Com o Fed adotando postura dependente da evolução dos dados, o foco agora passa para as divulgações das leituras de emprego e inflação, anteriores à reunião do comitê na segunda metade de setembro.

Inflação desacelera no Reino Unido, mas núcleo segue estável

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) do Reino Unido subiu 6,8% em julho, na comparação anual, desacelerando em relação à leitura de junho (7,9%) e em linha com as expectativas. Já o núcleo do CPI, que exclui itens mais voláteis, como alimentos e energia, ficou estável, em 6,9%, enquanto o mercado esperava uma desaceleração.

Como observado em outras economias, o componente de bens tem apresentado um arrefecimento, enquanto serviços seguem pressionados. A persistência do núcleo da inflação, bem como os salários ainda pressionados, deve alimentar apostas por uma extensão do ciclo de alta de juros pelo Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês).

Produção industrial americana surpreende em julho

A produção industrial dos EUA avançou 1% em julho, superando as expectativas do mercado (0,3%) após ter apresentado retração em junho (-0,8%). Em relação ao mesmo período de 2022, a produção industrial seguiu em patamar negativo (-0,2%). Já a taxa de utilização da capacidade instalada avançou para 79,3%. Em suma, o indicador segue apontando uma fraqueza do setor industrial, em linha com o movimento observado a nível global.

Crise no sistema financeiro da China

O conglomerado Zhongzhi, da indústria de trusts chinesa e que representa cerca de 5% do sistema financeiro local, despertou a atenção do mercado após clientes corporativos divulgarem atrasos em pagamentos por uma unidade fiduciária.

Os reguladores chineses têm reprimido os excessos do sistema bancário paralelo do país (ou shadow banking) desde 2017. Além disso, as empresas fiduciárias possuem exposição ao setor imobiliário, que enfrenta uma fraqueza no país – uma das maiores incorporadoras do país, a Country Garden, suspendeu a negociação de dez títulos corporativos nesta semana.

Os acontecimentos recentes têm aumentado os receios de um contágio advindo da economia chinesa. Entendemos, no entanto, que o principal canal de impacto da China sobre a economia global a esta altura é o da atividade.

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