Ataque dos EUA ao Irã afeta mercados

No Radar do Mercado: EUA promovem maior intervenção militar no Oriente Médio em mais de 20 anos. Veja repercussão e possíveis impactos do conflito, além de um resumo das atualizações do mercado no Relatório Focus desta segunda-feira

Por Itaú Private Bank

7 minutos de leitura

Neste final de semana, os EUA fizeram uma ofensiva militar contra o Irã em parceria com Israel sob a justificativa de destruir o programa nuclear iraniano, no que já é considerada a maior intervenção militar americana no Oriente Médio em mais de 20 anos. O evento tem enorme relevância geopolítica e ainda está cercado de incertezas, mas já afeta os mercados e tem potencial para gerar impactos macroeconômicos relevantes. Vale destacar que um ataque era o cenário base da maioria das consultorias, mas veio antes do que se esperava.

A principal incerteza, até mesmo para avaliar as consequências econômicas do conflito, é sua duração. Apesar de os ataques já terem resultado em mortes no alto escalão do regime iraniano, incluindo a do aiatolá Ali Khamenei, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que a operação pode durar semanas.

Do ponto de vista de mercado, o risco central é o conflito se transformar em um choque macroeconômico capaz de alterar de forma significativa a trajetória da inflação e do crescimento global. Para que haja esse impacto, é preciso analisar a trajetória, sobretudo, do petróleo. Acreditamos que um aumento de 10% no preço do petróleo sustentado por um trimestre mudaria a trajetória da inflação, mas não a de atividade. Para que o impacto ocorresse também sobre a atividade global, o aumento precisaria ser maior ou o conflito precisaria durar pelo menos dois trimestres.

Para o Brasil, especificamente, o petróleo também é o principal canal de transmissão do conflito, com possíveis efeitos sobre a inflação e a política econômica, a depender da duração do conflito e da intensidade de seus impactos. Até o momento, os níveis atuais do petróleo tipo Brent e do câmbio já refletem alguma piora em relação ao cenário anterior ao conflito, mas o impacto segue administrável. Assim, a princípio, acreditamos que o Banco Central não deva mudar seu plano de voo em relação ao início do ciclo de cortes de juros a partir da reunião de março, em ritmo de -0,50 ponto percentual.

Há defasagens relevantes nos preços domésticos de combustíveis, tanto da gasolina quanto do diesel, que poderiam pressionar a inflação caso houvesse repasses integrais. No entanto, há espaço para reajustes graduais ou medidas de compensação via redução de tributos sobre combustíveis, o que tende a suavizar o impacto sobre a inflação e reduzir o risco de reações mais abruptas da política monetária.

Do ponto de vista fiscal e externo, a alta do petróleo também gera receitas adicionais relevantes para o setor público, o que ajuda a compensar eventuais perdas associadas a desonerações de combustíveis. Além disso, é importante destacar que o choque ocorre sobre um produto do qual o Brasil vem se tornando um exportador cada vez mais relevante, o que faz com que o país seja menos prejudicado do que outros mercados emergentes fortemente dependentes de importações de energia. Nesse sentido, o aumento do preço do petróleo tende a ter um efeito relativamente mais equilibrado para o Brasil, reduzindo o risco de um choque macroeconômico mais adverso.

Seguimos monitorando a situação de forma contínua, com atenção especial à evolução dos preços de energia, à duração do conflito e a eventuais sinais de escalada regional. E traremos atualizações de forma tempestiva para nossos clientes, sempre que necessário.

Focus: câmbio, Selic e inflação são revisados para baixo

Tabela com a mediana das projeções do mercado coletadas pelo Relatório Focus para o IPCA, o PIB, o câmbio e a Selic de 2026, 2027 e 2028
Fonte: Banco Central e Itaú Private Bank

O Banco Central divulgou mais uma edição do Relatório Focus, com atualizações relevantes nas projeções para o câmbio e a Selic deste ano e no IPCA do ano que vem.

Começando pelo IPCA, a mediana das projeções para 2026 se manteve estável em 3,91%, já as expectativas para o ano que vem registraram uma ligeira oscilação de 3,80% para 3,79%, enquanto as de 2028 se mantiveram em 3,50%.

Já as expectativas para a inflação 12 meses à frente, indicador avaliado de perto pelo Copom, registraram uma queda de 3,95% para 3,92% nesta edição. Dessa forma, todas as projeções permanecem na banda superior do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual ao redor da meta de 3,0% ao ano definida pelo Conselho Monetário Nacional.

Com relação à Selic, a projeção para 2026 foi atualizada de 12,13% ao ano para 12,00%, enquanto as expectativas para 2027 e 2028 se mantiveram em 10,50% e 10,00%, respectivamente.

O câmbio de 2026 foi outra variável que passou por atualização nesta rodada, de R$/US$ 5,45 para R$/US$ 5,42. Já as projeções para o ano que vem e o próximo se mantiveram em R$/US$ 5,50.

Por fim, as projeções para o PIB se mantiveram em 1,82%, 1,80% e 2,00% para este os próximos dois anos.

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