Banco Central reforça cenário de corte de juros no primeiro trimestre de 2026

No Radar do Mercado: Relatório de Política Monetária do Banco Central revisou para baixo projeções de inflação. Nos EUA, núcleo do CPI desacelera. Na Europa, BCE mantém juros estáveis

Por Itaú Private Bank

4 minutos de leitura

O Banco Central divulgou nesta quinta-feira, 18, o Relatório de Política Monetária de dezembro, trazendo revisões para baixo nas projeções de inflação e reforçando a leitura de que há espaço para o início do ciclo de cortes de juros no primeiro trimestre de 2026.

A autoridade revisou para cima a projeção de crescimento do PIB em 2025, de 2,0% para 2,3%, enquanto passou de 1,5% para 1,6% em 2026, incorporando efeitos preliminares da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. Em relação ao hiato do produto, métrica que estima a diferença entre o PIB e o seu crescimento potencial, o relatório trouxe uma revisão para cima para o próximo ano, sinalizando que a economia seguirá operando sem capacidade ociosa.

Em relação à inflação, o relatório apresentou revisões para baixo até o início de 2028. No horizonte relevante de política monetária, atualmente no segundo trimestre de 2027, a projeção de inflação foi reduzida em 0,2 p.p., para 3,2%, considerando a dinâmica mais favorável da inflação no curto prazo e a melhora das expectativas. Segundo as estimativas da autoridade monetária, a inflação deve atingir a meta central de inflação de 3% apenas no primeiro trimestre de 2028.

Visão de Investimento: apesar da revisão altista do hiato do produto, a trajetória de desaceleração das projeções de inflação reforça nossa leitura de espaço para o início do ciclo de cortes de juros no primeiro trimestre de 2026, o que será benéfico para nossas alocações em renda fixa e para a nossa posição acima do neutro em renda variável no Brasil.

Núcleo do CPI dos EUA desacelera em novembro

O núcleo do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA, que desconsidera itens mais voláteis, como alimentos e energia, registrou alta de 0,2% na passagem de setembro para novembro. Não houve divulgação do dado de outubro por conta do shutdown nos EUA. No acumulado em 12 meses, o núcleo registrou alta de 2,6%, frente aos 3,0% do mês anterior, bem abaixo da expectativa do mercado (3,0%).

O índice cheio também registrou alta de 0,2%, desacelerando em relação a setembro (0,3%), segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 18, pelo Escritório de Estatísticas Trabalhistas (BLS, na sigla em inglês). Com isso, a inflação acumulada em 12 meses recuou de 3,0% em setembro para 2,7% em novembro.

No entanto, vale destacar que a leitura foi bastante impactada pelo shutdown do governo americano. O BLS divulgou ontem uma nota explicando que precisaria recorrer ao método chamado de “carry-forward” para alguns itens. Na prática, o método assume o preço anterior, sem variação no período subsequente. Além disso, a paralisação também implicou uma coleta mais tardia em novembro, o que pode ter impulsionado o impacto dos descontos relacionados à Black Friday.

Visão de investimentos: a leitura do CPI de novembro ilustra um cenário de desinflação gradual nos EUA, mas não deve alterar muito a leitura do Federal Reserve, que já reconheceu a piora na qualidade dos dados divulgados neste mês, em decorrência da paralisação do governo americano. Assim, essa divulgação não muda nossa visão para as alocações recomendadas na carteira internacional.

BCE mantém juros e revisa projeções de inflação e crescimento

O Banco Central Europeu (BCE) decidiu nesta quarta-feira, 18, manter inalteradas as três principais taxas de juros da região, com a taxa de depósito em 2,00%, a taxa de refinanciamento em 2,15% e a de empréstimos em 2,40%. Segundo o comunicado, a avaliação atualizada do Conselho corrobora a visão de que a inflação deve se estabilizar em torno da meta de 2% no médio prazo, reforçando a leitura de que a política monetária permanece bem posicionada no atual contexto.

As novas projeções indicam inflação de 2,1% em 2025, 1,9% em 2026, 1,8% em 2027 e 2,0% em 2028. No caso do núcleo da inflação, que exclui energia e alimentos, as estimativas são de 2,4% em 2025, 2,2% em 2026, 1,9% em 2027 e 2,0% em 2028. A revisão altista para 2026 reflete, principalmente, uma desaceleração mais lenta dos preços de serviços. Em atividade, o BCE revisou o crescimento para cima em relação às projeções de setembro, passando a estimar expansão de 1,4% em 2025, 1,2% em 2026 e 1,4% em 2027 e 2028, impulsionada sobretudo pela demanda interna.

O BCE repetiu a comunicação de que seguirá adotando uma abordagem dependente dos dados e tomada de decisão reunião a reunião, sem compromisso prévio com uma determinada trajetória para os juros.

Visão de Investimentos: a decisão do BCE de hoje veio em linha com o esperado. A combinação de atividade mais resiliente e inflação projetada em torno de 2% reforça a leitura de que a autoridade deve permanecer em compasso de espera. Na coletiva de imprensa após o anúncio da decisão, Christine Lagarde, presidente da autarquia, foi questionada se o próximo movimento seria uma alta ou um corte de juros e respondeu que a política monetária está bem-posicionada e que a decisão de manter a opcionalidade também foi unânime. Em resumo, sem grandes novidades no front europeu, nossa visão para a bolsa europeia permanece neutra.

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